No Man’s Sky

Uma imensidão de quase nada!

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Na análise que fiz há uns tempos atrás ao excelente Witcher 3, toquei num ponto algo sensível, que consiste na inutilidade de possuir demasiado conteúdo. O que acontece é que 80% dele é, muitas vezes, completamente inútil, acabando por prejudicar uma experiência que, se fosse mais linear, seria significativamente melhor. Atenção que, no Witcher, esta situação, apesar de existir, não era muito problemática.

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No Man’s Sky é o rei do “encher chouriço”. Este é um daqueles jogos que no papel parece fantástico, mas o qual a sua execução faz chorar de desilusão o menos sentimental dos seres humanos. Esta é uma situação para a qual culpo toda a indústria, não só as grandes empresas cheias de dinheiro para marketing, mas, também, os jogadores actuais, que facilmente se deixam levar por eles. Desde o seu anúncio, o meu pensamento foi “parece brutal, porém, demasiado bom para ser verdade”, tendo, em várias conversas com amigos, exprimido o meu cepticismo em relação a este título. Pessoas, pensem um bocadinho: um jogo que seria o maior de todo o sempre, com 1000000 de quintiliões de planetas únicos para explorar, vindo de uma equipa de meia dúzia de pessoas… claro. Só um troll das cavernas, surdo e zarolho, é que acreditaria em tal coisa. Não me levem a mal, um estúdio pequeno consegue maravilhas, todavia não é este o caso. O hype foi-se fazendo, neste exemplo, foi astronómico, intergaláctico, e o resultado está a anos-luz daquilo que realmente No Man’s Sky é.

No Mans Sky (1)

Mas o que é No Man’s Sky? É fácil: é um jogo de sobrevivência no espaço. Mas enganam-se aqueles que dizem “É um Minecraft no espaço”. Não, não é… nada a ver. Eu não morro de amores por Minecraft, mas há que dar crédito à criatividade que este proporciona. No Man’s Sky é um simulador de, por vezes, bonitas paisagens extraterrestres que, ao mesmo tempo, é o que a partir de agora se vai usar para testar a resistência ao aborrecimento. Ah, e também tem uns elementos de sobrevivência. “Mas não há nada de bom em No Man’s Sky?” perguntam vocês. Claro que há. Explorar os três primeiros planetas é uma experiência engraçada. O facto de termos uma nave e podermos ir a qualquer lado, num mundo praticamente infinito, também tem o seu encanto. Os gráficos são decentes e a arte do jogo é interessante, destacando-se do resto sem cair (muito) em preconceitos do género sci-fi. Tem, sem dúvida, os seus momentos altos, por exemplo, quando aterramos num planeta ou visitamos uma estação espacial, todavia, estes acabam em menos de nada. Facilmente nos apercebemos que todos os planetas são praticamente idênticos, mudando apenas um ou outro aspecto, os quais, no fundo, não acrescentam nada de realmente novo. Tudo o que podemos explorar em termos de recursos ou pontos de interesse, são repetidos até ao infinito.

No Mans Sky (3)

Nem sequer existe (pelo menos por agora) qualquer opção multijogador, seja ela PVP ou PVE, o que é uma afronta, tendo em conta a natureza do jogo. Podemos, pelo menos, interagir com alguns (muito poucos) NPCs que se encontram espalhados pela galáxia, mas estes são de um desinteresse assustador. As falas limitam-se a uma ou duas frases, com opções de resposta que dão, ou não, acesso a itens. A premissa é simples, existe aparentemente um centro na galáxia que tem uma “cena” que é “bué da fixe” e que, quando alguém chegar lá, o que vai demorar um bom bocado, o jogo não acaba. **SPOILER ALERT** O que existe no centro da galáxia é… VOLTAR AO INÍCIO!!! (Só isso… haja paciência, é gozar com a cara das pessoas) **SPOILER ALERT**. Para lá chegarmos, vamos ter de andar de planeta em planeta a arranjar recursos para a viagem, quer seja combustível, quer seja construir partes para a nossa nave de modo a navegarmos mais depressa pela galáxia. E é isto.

No Mans Sky (4)

Eu queria gostar de No Man’s Sky. Se há algo a que tenho de dar crédito é a ambição com que foi construído, mas não gosto, nem recomendo. Não quero sequer voltar a jogá-lo, não tenho qualquer interesse em descobrir um mundo que, embora gigantesco, é desinteressante. Hoje, a indústria dos videojogos conta com uma doença grave, a mesma que contamina grande parte dos condutores de Hummers ou SUVs gigantes, no geral, designada, normalmente, por: “maior é melhor”. Mas não, maior não é necessariamente melhor. São imensos os jogos que, nos últimos tempos, contam com este género de “praga”; No Man’s Sky é apenas mais um.

No Mans Sky (5)

Olhem para títulos como Counter Strike ou League of Legends: os utilizadores jogam o mesmo cenário vezes e vezes sem conta, mas o que os torna populares é que a jogabilidade é realmente muito boa. Não são necessários 500 cenários diferentes, só é necessário que, os que existem, façam sentido existir, que sejam bem construídos e bem pensados. Não estou aqui, de modo algum, a comparar No Man’s Sky com estes títulos, apenas estou a dar exemplos de que quantidade não significa qualidade, nem pouco mais ou menos. É um pouco como irem a um restaurante com 40 pratos na ementa. Não é que seja mau ter escolha, mas aquele restaurante que só tem cinco escolhas possíveis, provavelmente é muito mais saboroso. Isto porque os pratos levam mais atenção, possivelmente com ingredientes mais frescos e confeccionados na hora. No Man’s Sky é um tiro no pé. É o produto de uma indústria doente onde o marketing de milhões muitas vezes se sobrepõe à qualidade de um produto. O que é triste é que, daqui a uns meses, já tudo se esqueceu do caso No Man’s Sky e estarei aqui para observar o novo grande jogo que promete mundos e fundos mas que, quando sai, é um deserto de interesse.

up
Veredicto
Este é um bom exemplo a não seguir. Apesar de ter alguns momentos fantásticos é, na verdade, um grande vazio.
Plataforma
PS4
Produtora
Hello Games
Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

2 Comments on "No Man’s Sky"

  1. PixelTHING 30 August 2016 at 12:45 - Reply

    Finalmente, alguém que partilha da mesma opinião que eu, apesar de não o ter jogado 😉
    Tanto hype em torno deste título que só me fez jogar mais e ainda mais… o Freelancer, exclusivo PC de 2003!
    Abraço, Ivan!

  2. The Beheaded 30 August 2016 at 14:37 - Reply

    Amén. Ainda bem que não tinha dinheiro para o comprar na altura. (Se bem que não o iria comprar imediatamente à mesma)

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