O Jogo do Galo

6
Longevidade : 4/10
Jogabilidade : 7/10
Gráficos : 5/10
Som : 3/10

Vários graus de dificuldade | “Adversário” com personalidade própria

É “apenas” o jogo do galo

Para quem ainda não sabe as regras de um dos jogos mais conhecidos de sempre, o Jogo do Galo, aqui vai: este é um jogo de duas pessoas em que cada um escolhe um símbolo, o X ou o O. O objectivo de cada um é conseguir, numa matriz de três linhas e três colunas, marcar três X ou três O em linha, quer horizontal, vertical ou diagonal. Os jogadores jogam de forma alternada, portanto, para além de tentarmos ser os primeiros a conseguir juntar os três símbolos, temos também de ter cuidado para evitar que o adversário o consiga fazer primeiro, jogando de forma estratégica.

Como não seria de esperar outra coisa, existem também inúmeras versões electrónicas do Jogo do Galo. Decidi focar-me na versão de 1983 para o ZX Spectrum, versão esta que foi criada pelo português José Oliveira e publicado pela editora Zarsoft, e tentar descobrir onde se destacava perante as outras.

Se nos passou ao lado logo no início quando nos é perguntado o nosso nome (“como te chamas?”), é mais tarde quando aparece a frase “queres jogar primeiro?” que nos apercebemos de algo: o jogo trata-nos por tu (às vezes até menciona o nosso nome no fim de uma frase). Achei isso interessante, pois é revelada aqui uma preocupação em fazer com que o jogador sinta que está a jogar contra outro ser humano. É verdade que este podia ser um jogo daqueles, como se costuma dizer, que vai directo ao assunto, mas estes pequenos toques dão-lhe charme e incentiva-nos a fazer mais um jogo, evitando o cansaço rápido.

Outro exemplo é quando nos pergunta: “jogas onde?”; ou o meu preferido é quando por vezes o computador demora mais um pouco a fazer a jogada e nos diz: “espera aí”, “um momento” ou “ora deixa-me pensar”. Não vou revelar aqui as várias reacções do nosso “amigo” caso este perca ou ganhe, mas quando há empate, podemos encontrar, por exemplo, um “desta escapaste!”.

Existem três graus de dificuldade, sendo que se optarmos pelo mais difícil, é provável que venham a existir muitos empates (isto se jogarmos bem) como já é habitual no Jogo do Galo. Se optarmos pelo mais fácil, bem, o computador comete erros que não lembra a ninguém. É quase impossível perdermos. Este é portanto para a pequena percentagem que ainda não está familiarizada com o Jogo do Galo.

De resto, não existe muito mais que valha a pena ser mencionado, o que não é surpresa nenhuma, tendo em conta o jogo que estamos a jogar. A música também é praticamente inexistente. Há, sim, uma pequena melodia na introdução. A partir daí vamos ouvindo uns “bips” durante as jogadas.

Resumindo, esta versão do Jogo do Galo é interessante pelo facto do computador ter uma personalidade própria e nos tratar como que se já fossemos amigos de longa data.

Autor: Luis Teixeira Pesquise todos os artigos por

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