Open Sea!

8
Longevidade : 9/10
Jogabilidade : 7/10
Gráficos : 10/10
Som : 10/10

Óptimos gráficos e sentido de humor

Um pouco repetitivo

Ora bem, se estão a ler isto é porque o mundo não acabou dia 21 de Dezembro de 2012, melhor ou pior, lá nos vamos aguentando nesta crise. Este jogo simples mas extremamente divertido para Android vai beber inspiração a um livro pouco dado a brincadeiras, a Bíblia. O herói do jogo é Mo, que é como quem diz Moisés, mas a equipa responsável pelo jogo foi inteligente em alterar ligeiramente os nomes para não ferir susceptibilidades. A missão de Mo é ajudar o povo a atravessar o Mar Morto, realizando o milagre da separação das águas de forma a criar um caminho para que todas as pessoas possam atravessar em segurança (e sem se molhar) para o outro lado. A jogabilidade assenta em abrir caminho por 5 camadas de ondas através de um toque do nosso dedo, sendo que um pressionar mais prolongado abre mais espaço entre as ondas mas também demora mais a realizar. Nos primeiros níveis tudo corre na normalidade, fazemos o milagre da separação da água, as pessoas atravessam…tudo tranquilo…

 

Ora o que não é contado na Bíblia é que nem todas as pessoas seguiram ordeiramente Mo, isto porque parte da população é bêbeda, velha, cobarde ou sofre de narcolepsia, ou seja, com esses será necessário tratamento de choque. E quando falamos de choque estamos mesmo a ser literais, pois a melhor forma de acordar um narcoléptico em plena travessia do Mar Morto é invocar (com um duplo toque) os poderes divinos e lançar um relâmpago fulminante vindo dos céus. Esta habilidade é especialmente eficaz, pois, além de assustar a população e fazê-la percorrer o caminho mais rapidamente, também mata (novamente) as múmias que insistem em persegui-la. Já para destruir navios de batalha egípcios que disparam bolas de fogo a estratégia é diferente: empurrá-los para fora do ecrã com a força das marés.

O que começa com alguma tranquilidade torna-se progressivamente mais complicado com todos estes imprevistos mas é isso que faz com que este simples puzzle game se torne um jogo arcade frenético. Jogando em tablet é bem-vinda a ajuda de um amigo para com o multitouch ser mais fácil ter mão na multidão descontrolada. Para nos ajudar por vezes aparece O Salvador que permite que as pessoas o sigam caminho ordeiramente atrás dele ou a possibilidade de, durante um tempo limitado, caminhar sob a água.

 

Salvar todas as pessoas garante uma recompensa de 3 estrelas, se alguns ficarem para trás essa pontuação diminui (sendo que, como é habitual neste tipo de jogos, ter um certo número de estrelas é necessário para ir desbloqueando as fases seguintes). Existem mais de 50 níveis e desafios para explorar mas a jogabilidade mantém-se essencialmente inalterada, o que pode fazer com que se torne um pouco repetitivo.

O charme deste jogo reside principalmente no seu grafismo cartoon numa estética de camadas de sobreposição de recortes que lhe confere um estilo único e muito apelativo. De certa forma goza com a religião mas fá-lo com tão bom gosto e de forma tão inocente que penso que ninguém se sentirá ofendido. O som vai na mesma direcção, a música é calma mas engraçada e, mesmo quando os bonecos se estão a afogar, fazem sons bastante divertidos. É também extremamente original na sua jogabilidade, sendo apenas pena que se possa tornar um pouco cansativo.

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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