Pokémon Mystery Dungeon: Gates to Infinity

6
Longevidade: 6/10
Jogabilidade: 5/10
Gráficos: 6/10
Som: 6/10

História interessante; construção e expansão do paraíso

Dungeons e combates pouco inspirados

Em Pokémon Mystery Dungeon: Gates to Infinity, um spin-off da série Pokémon, o jogador acorda de repente transformado em Pokémon num mundo onde os seres humanos são um mito. São 5 os Pokémon à nossa escolha: Pikachu, Snivy, Tepig, Oshawott e Axew. Entre esses 5 podemos decidir qual deles queremos ser e qual deles queremos como nosso companheiro. Inicialmente temos apenas 2 Pokémon a embarcar na aventura, sendo que à medida que o jogo avança podemos contar com outros 2 “intrusos”. Graças à função multiplayer, cada um desses 4 Pokémon podem ser controlados por 4 jogadores. Mas avançando, a finalidade em Pokémon Mystery Dungeon: Gates to Infinity é a de ajudar os restantes Pokémon a construir o seu paraíso na terra.

Para tal iremos ter de cumprir várias tarefas de forma a ganhar remunerações e prémios que nos ajudarão a conseguir o objectivo de inicialmente construir uma casa própria e posteriormente expandir a própria vila. Que tipo de tarefas ou missões podemos encontrar? Infelizmente estas são bastante básicas. A base de tudo é a exploração nos mystery dungeons. Ora temos que salvar um amigo que se encontra no piso 3, ora temos de encontrar um objecto no piso 4, ora temos de combater um inimigo no piso 5. A verdade é que a maior parte das vezes necessitamos apenas de encontrar a entrada para o piso em questão, sendo que se a encontrarmos logo no início, nem precisamos de percorrer o resto do piso onde nos situamos. Como não existem objectos especiais ao velho estilo Zelda para usar posteriormente nesse mesmo dungeon, também não existem factores que nos agucem a curiosidade e nos façam percorrer o resto do piso. Ao contrário do ambiente sonoro engraçado, outro factor infeliz é o próprio visual dos dungeons. Estes são desinspirados, apresentando praticamente todos eles o mesmo cenário: alguns arbustos, umas rochas, uma dúzia de arvorezinhas, chegando ao ponto de me questionar se já não tinha estado nesse dungeon anteriormente.

O único ponto que nos poderá incentivar a percorrer o dungeon todo é a vontade de ganhar pontos de experiência. As batalhas são mais intuitivas do que nos jogos principais da franchise, por não existirem paragens com cutscenes no processo. As lutas continuam a ser turnbased, com a diferença de não haver uma mudança na perspectiva. Infelizmente surge mais um infelizmente aqui. As lutas não puxam por nós. Os inimigos não são muito difíceis de derrotar. Preocupamo-nos mais com o número de golpes que ainda tempos à disposição até termos de “recarregar munições” do que propriamente com a nossa barra de vida. São-nos de maior utilidade os itens que preenchem a barra de golpes, já que temos um número limite de cada um dos 4 diferentes golpes à nossa disposição (podemos encontrar novos golpes, mas temos de esquecer um dos anteriores).

Como dito, as lutas não puxam por nós, mas se por alguma razão nos sentirmos com dificuldades em derrotar certo inimigo, basta darmos um passo para trás que o nosso companheiro resolve o assunto a partir daí, restando-nos ficar a observar. O próprio jogo também não puxa por nós. Quando não estamos a lutar, a nossa barra de vida aumenta lentamente até ficar totalmente preenchida. Até aí nada de novo, característica muito usada em alguns jogos. No entanto, se acharmos que esta está a encher de forma demasiado lenta, basta carregarmos em A + B para que esta seja restaurada de forma imediata.

Os dungeons simplistas e as lutas pouco motivadoras fazem com que o jogo caia depressa na monotonia, o que é uma pena. São várias as características que nos indicam que este é um jogo direccionado aos mais pequenos. Pela própria história em si, que apesar de rica em conteúdo, é contada de forma bastante alegre, pelos próprios personagens acompanhados por aquele ar inocente (mesmo os mais mauzões) e… pelo constante aviso em fazermos uma pausa depois de termos percorrido mais um dungeon. Aliás, os próprios personagens vão sempre dormir após a conclusão de uma missão e só retomam a aventura na manhã seguinte.

O melhor do jogo poderá ser mesmo a história rica em moralidade, notando-se bastante dedicação na construção desta. No entanto, esta ficaria a ganhar ainda mais se certos (ou quase todos os) diálogos fossem mais curtos. Estes estão constantemente a aparecer e quando assim é, parece que estamos a assistir a conversas intermináveis e quando não existe a possibilidade de aumentar a velocidade da caixa de diálogo e somos obrigados a ler ao ritmo que o jogo nos obriga, torna-se problemático. As sub-histórias são de facto interessantes, mas às vezes até ficamos com medo que alguém comece a falar porque sabemos que vamos estar mais uns quantos minutos parados a ler.

Uma característica bastante engraçada do jogo é a existência de Magnagetes. Através da câmara da consola, podemos ir à procura de objectos dentro da nossa própria casa que servem de portais a um novo mystery dungeon normalmente mais difícil de concluir. Os itens encontrados nestes dungeons costumam ser mais raros, podendo ser usados depois no modo principal do jogo.

Enfim, apesar das ideias com potencial, Pokémon Mystery Dungeon: Gates to Infinity apresenta falhas que impossibilitam a diversão ao jogador mais experiente e menos paciente. Sugiro portanto, este jogo apenas aos fãs da franchise que queriam ter a colecção Pokémon completa, pois como experiência em si, não é nada memorável.

Autor: Luis Teixeira Pesquise todos os artigos por

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