Professor Layton and The Lost Future

10
Longevidade : 10/10
Jogabilidade : 10/10
Gráficos : 10/10
Som : 9/10

Argumento bem estruturado | Gráficos e animações aprimoradas | Mais extenso do que os anteriores

Música repetitiva | Revelações só muito próximas do final

A saga deste tão estimado Professor e seu pupilo já é um clássico no universo da Nintendo DS. Se por um lado podemos afirmar que não prima pela inovação em si, por outro, há que reconhecer que Professor Layton and The Lost Future é sem sombra de dúvida o melhor da série e para o qual praticamente tudo foi melhorado.

A história começa quando o fiel ajudante Luke mostra a Layton uma carta que acabou de receber. Esta além de ter, surpreendentemente, uma data de 10 anos no futuro tem também como remetente ele próprio, na qual Luke descreve um destino pouco risonho e para o qual é necessário alguém (com as nossas aptidões claro) intervir urgentemente – e, sim, será pertinente realçar que qualquer semelhança com a saga cinematográfica “Regresso ao Futuro” é pura coincidência. A premissa é excelente, e digam o que disserem, consegue desde muito cedo deixar-nos totalmente agarrados, com o cérebro a fervilhar inúmeras teorias possíveis.

A jogabilidade mantém a mecânica de point & click e baseia-se na resolução de variadíssimos enigmas. Podemos avançar na narrativa caminhando, escolhendo o caminho pelo qual optamos por seguir ou podemos ir clicando em vários objectos, locais, etc., estabelecer contactos e conversações. As animações são de vários tipos, desde sequências animadas (em maior número e de qualidade bastante superior em relação a episódios anteriores), a imagens paradas, todas elas com desenhos extremamente trabalhados. Os diálogos são soberbos e a química entre Layton e Luke está muito bem explorada. O humor é discreto mas presente e incrivelmente cool, bem ao estilo da série. Apesar de ainda muitos dos diálogos serem apenas com recurso ao texto, denota-se um esforço enorme com a introdução – em maior escala – de vozes (também elas muito bem conseguidas). Os puzzles, que ultrapassam os 150, surgem em catadupa. Aliás, tudo é motivo para nos colocarem um desafio. Se por um lado tal pode causar um certo cansaço devido à repetição, por outro justifica o tamanho e a duração do jogo. Neste sentido será claro que o género em questão não permite propriamente replays, limitando a possibilidade de o jogador lhe voltar a pegar, pelo menos nos próximos tempos. Mas este é também um aspecto já conhecido à partida, pelo que não o consigo considerar como sendo depreciativo até porque a primeira experiência, garanto-vos, é memorável.

Dispersas pelos cenários e sem qualquer indicação de onde possam estar, pelo que temos que ir clicando no ecrã até aparecerem, temos várias hint coins, bastante úteis para os desafios mais complexos. Cada puzzle tem como prémio um determinado valor de picarats que varia conforme a dificuldade do mesmo. Todos eles também se fazem acompanhar da opção memo que permite escrever e tirar notas em ecrã, o que é extremamente útil para aqueles em que o cálculo mental está mais enferrujado. Também estão disponíveis até quatro pistas de ajuda e o recurso a estas vai obviamente implicar um gasto das nossas tão importantes “moedas”.

A história em si é magnífica e contada de forma exemplar. É repleta de pormenores, de tal forma que a considero como sendo um dos aspectos mais marcantes deste título. A ideia, partilhada por muitos nos seus antecessores, de que a narrativa seria apenas uma forma de se alcançar todos os puzzles simplesmente desaparece neste caso. Todavia este conto demora a arrancar, o que lá para o meio acaba por provocar uma certa desorientação contextual. Só mais para o fim é que se começa finalmente a desvendar o que ela encerra – sendo certo que algumas surpresas estão reservadas para o final. Ainda assim teria gostado de ver pistas ou indicações, que fossem aparecendo para que a sensação de desnorteamento fosse bem menor. As personagens, apesar de conhecidas, continuam caracterizadas com excelência e são elas que fazem a ligação entre o jogador e os restantes elementos. Sempre que se inicia o jogo após uma gravação é-nos dado um resumo da história até esse ponto. Tal reveste-se de extrema importância, principalmente se o período de interregno for considerável. Este sumário reúne os pontos principais sintetizando o nosso percurso.

Graficamente Professor Layton and The Lost Future é um clássico e um primor técnico. A banda sonora é adequada e perfeita… na grande maioria das vezes. Contudo em certas situações torna-se incomodativa (para não dizer mesmo irritante), devido aos tons monocórdicos que a compõem e à repetição de faixas dependendo do espaço cénico em que nos encontramos. Também não é variada e emotiva quando assim necessita de o ser e falha por não introduzir sons e composições mais epopeicas/ dramáticas em momentos de suspense ou de novas descobertas.

Para quem gosta de desafios exigentes, aventuras e exercício mental, Professor Layton and The Lost Future vai com certeza encher as medidas. Apesar de apresentar uma ou outra falha, nunca suficientes para denegrir a sua imagem, é genericamente melhor, maior e mais objectivo. As personagens são carismáticas e memoráveis, os puzzles bem trabalhados com conteúdos totalmente novos (já que na forma e apresentação se repetem). A história é delineada, repleta de surpresas e com um guião notável. Os gráficos encontram-se aprimorados (o que é um deleite para a vista). Tudo isto faz com que este seja um título que tem tanto de genial como de obrigatório. É quase mesmo caso para dizer… ”Elementar, meus caros Leitores”.

Autor: Andre Santos Pesquise todos os artigos por

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