Project-X

8
Longevidade : 9/10
Jogabilidade : 6/10
Gráficos : 10/10
Som : 10/10

Qualidade gráfica, musical e acção constantes | Variedade de armamento disponível

Dificuldade

Há muito tempo atrás, sonhei que um dia iria ter uma máquina arcade só para mim. Assim, poderia passar noites em claro, na garagem, a jogar todos os jogos que via nas casas de jogos de máquinas onde gastava uma pequena fortuna. Cheguei à conclusão, na altura, que precisava de cerca de quinhentos contos para concretizar o meu sonho e comecei a poupar. Todos os tostões, todas as notas que me eram dadas no Natal, nos anos, nos dias “especiais” eram guardados no mealheiro. Nada me iria fazer abdicar do meu sonho. Quando cheguei aos vinte contos, desisti e pedi ao meu pai que me comprasse um Amiga, que eu pagava, com o meu dinheiro, a placa de expansão de 512MB de RAM que havia. Lá se foram os meus sonhos…

Mas será que a minha opção foi a melhor? Jogos como Project-X indicam que sim! Porque, simplesmente, o jogo oferece tudo aquilo que os jogos arcade oferecem, excepto que não temos que estar sempre a meter uma moedinha de cinquenta ou cem escudos para jogar. Um dos pontos em que os jogos arcade geralmente não apostavam muito era o argumento; não havia, propriamente, uma explicação para o jogo mas também não era assim tão importante. Neste caso há uma para o mundo de violência sem fim em que embarcamos.

A ambição é uma faca de dois gumes e, neste caso, os ambiciosos foram os cientistas, que decidiram, após uma rave qualquer de anfetaminas, fazer experiências genéticas. Após terem criado várias criaturas mutantes, decidiram despejá-las no planeta Ryxx para lá ficarem até morrerem de morte natural. Infelizmente para nós (encarregados de efectuar a limpeza que não foi feita), os mutantes não só não morreram como evoluíram e reproduziram-se. Agora, cabe-nos infiltrar Ryxx e varrer toda esta trapalhada. A primeira pista que nos é dada relativamente à qualidade gráfica do jogo reside no número de disquetes que o compõem: 4! Não é normal um jogo para o Amiga precisar de tantas disquetes. Normalmente são uma, duas, três no máximo (excepção para o Monkey Island 2 e Heart Of China, onde o número de disquetes fica perto da dezena…). Esta quantia de informação: 3MB geralmente é necessária para RPGs ou jogos de estratégia. Nunca num “vulgar” jogo de tiros… Assim que o jogo arranca, percebemos o porquê.

Um atractivo menu inicial apresenta-nos várias opções. Podemos escolher duas pistas musicais, um ou dois jogadores (jogam à vez, não em simultâneo – o que é uma pena), três naves diferentes, dois níveis de dificuldade e a possibilidade de fazer load ou save à tabela de pontuações. As diferentes naves são um dos pontos mais interessantes do jogo: temos a nave com um aspecto de peixe que é rápida, mas fraca em termos de armamento; a nave que parece um elefante, mas é mais um tanque porque é lenta e tem o melhor armamento; e a nave intermédia.

O jogo começa após um não muito breve momento de pausa, onde o nível é carregado. É-nos apresentado nesta altura o ponto de situação e é-nos explicado o objectivo a cumprir no nível e, então, começamos o jogo. Imediatamente, apercebemo-nos da sua qualidade gráfica. Uma voz digitalizada diz-nos: “Destroy waves for power up!” e a diversão tem início. Naves alienígenas vêm contra nós em grupos pequenos. São fáceis de despachar, bastam meia dúzia de tiros do canhão da nossa nave. Se eliminarmos todas as naves de um grupo o power up aparece. Se o apanharmos a barra de power ups que se encontra no fundo fica ligada. Sempre que apanhamos um power up, a luz da barra avança mais um passo para a direita. Assim, conseguimos fazer os upgrades à nossa nave. Quanto melhor o upgrade, mais à direita se encontra na barra e, por conseguinte, mais caro é. Os upgrades podem ser velocidade da nave, munições mais fortes, mísseis teleguiados, tiros de plasma, magma, um escudo e um laser poderosíssimo.

Será necessário obtermos, logo à partida, o maior poder de fogo possível porque a diversão apenas começou. Os mutantes tornar-se-ão mais ágeis e poderosos à medida que avançamos no jogo. A nossa perícia como piloto é testada regularmente pelos monstros gigantes com a sua enorme capacidade de fogo. E há, também, os asteróides… É quase obrigatório darmos o máximo de nós mesmos para passar apenas o primeiro nível. Depois, entramos no planeta propriamente dito e a aventura continua, assim como o nosso “castigo” (e é um castigo bem pesado…).

Há quem pense que Project-X é demasiadamente difícil para ser viciante. Não concordo totalmente com essa opinião. É um jogo duro. Para duros! São necessárias várias horas de treino para o completarmos. Há quem afirme que a Team 17 lançou uma nova versão do jogo, mais fácil, devido às queixas dos jogadores. Não encontrei prova física de tal lançamento.

Project-X contém aquele ingrediente especial que o torna viciante ao nível de nos dar insónias. Um dos melhores shoot-em-up laterais de sempre…

Autor: Daniel Martinho Pesquise todos os artigos por

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