Project Zero – Maiden of Black Water

Um oásis para fãs de terror oriental!

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Não foi há muito tempo que a Playstation 4 recebeu Until Dawn, um título de terror exclusivo da consola. A Wii U recebe agora a nova entrada da série Project Zero, Maiden of Black Water e, muito importante para esta plataforma, em exclusivo, sendo que o último vindo de terceiros com grande destaque nesta foi Devil’s Third (analisado na PUSHSTART Nº56). A grande diferença entre estes dois exclusivos é que um deles insere-se no género de horror e o outro é mesmo horrível. Esqueçam, igualmente, Until Dawn já que este é um tipo de terror completamente diferente. Project Zero é muito mais… oriental!

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Os predecessores de Maiden of Black Water foram dos jogos mais assustadores que experienciei e, felizmente, este não fica atrás. Lamento ir buscar de novo Until Dawn, mas a verdade é que se revela um óptimo exemplar para explicar o novo Project Zero. Nesse título tínhamos um terror que assustava pelos jump scares, monstros e impacto visual; Maiden of Black Water é completamente distinto. Aqui, o terror está no ambiente sinistro assente numa narrativa sobrenatural, macabra, mórbida e fundamentalmente bem construída. É como se Until Dawn fosse algo na linha dos slashers, como Scream, que metem medo a crianças até aos doze anos, e Maiden of Black Water, na linha de Suicide Circle, Ju-On ou Shutter. A minha preferência recai, sem sombra de dúvida, sobre o terror japonês, pois este é, no geral e na minha opinião, de longe mais assustador e melhor conseguido a todos os níveis. Não quero com isto dizer que Until Dawn não é bom, longe disso, é simplesmente diferente. Não é por acaso que Hollywood tem adaptado vários filmes orientais, não só do género em questão, mas também de outros (Old Boy, Infernal Affairs).

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Maiden of Black Water é um daqueles títulos para jogar de luzes apagadas, preferencialmente de noite, e num dia de chuva. A história, que gira em volta de uma montanha que é conhecida por ser um local de referência para suicídios e o motivo que leva a tal, é complexa e interessante, conseguindo completar com excelência o ambiente. Muito irá acontecer ao longo das dez/doze horas da campanha principal, fazendo com que esta se mantenha interessante do início ao fim.

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Fiquei agradavelmente surpreendido com o aspecto desta nova entrada na série Project Zero. É verdade que o grafismo não faz um jogo de terror. Veja-se o exemplo do primeiro Silent Hill e dos seus polígonos gigantes, que são o suficiente para, aliados a tudo o resto praticamente perfeito, meter qualquer coração a bater mais depressa. Contudo, e tendo em conta as capacidades da Wii U, Project Zero surpreende neste departamento, com modelos bem detalhados e cenários absolutamente soberbos. Por aqui se vê o desperdício que é o potencial da Wii U não ser aproveitado por terceiros. No entanto, isso é um assunto que, por si só, daria outro artigo e um que mete mais cifrões em cima da mesa do que qualquer outro factor. Estes são os aspectos positivos, mas os negativos também existem, estando infelizmente e principalmente associados à jogabilidade.

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Nesta, controlamos um personagem na terceira pessoa portadora de uma câmara obscura. Este utensílio é o que usamos como “arma” para nos vermos livres dos seres sobrenaturais que encontramos. A movimentação das personagens e consequente utilização da câmara obscura é deficiente, para ser simpático. Embora este seja uma experiencia com um andamento mais parado, por vezes é necessária agilidade para nos desviarmos de ataques e outros perigos, algo em que a jogabilidade não ajuda nessas alturas. Os dois analógicos funcionam de maneira contra-intuitiva. Normalmente, um serve para controlar o personagem e o outro a câmara. Aqui, os dois analógicos têm ambas as funções, embora com diferenças entre eles. Isto leva a que em situações de aperto, ou mesmo em momentos parados, a personagem se movimente de uma maneira que, para nós jogadores, não corresponde ao que estamos a tentar fazer. Outra situação, que não é propriamente um problema, é que a câmara obscura tem de ser utilizada obrigatoriamente com o gamepad. Até aqui tudo bem. Porém, quando não a estamos a utilizar, este serve ou de mapa ou como segundo ecrã. Portanto, a vossa televisão é perfeitamente redundante, a menos que queiram um ecrã maior. Em certos casos pode até atrapalhar, já que olhar para a televisão e depois passar para o gamepad pode ser factor de distracção. Ainda assim, se o usarmos para tudo, esse problema deixa de existir.

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Outra particularidade que pode ser apontada como negativa, mas que eu até acho uma certa piada, é o quanto este título é similar aos antecessores. Isto pode ser negativo, porque temos aqui um excelente exemplo de como o desenvolvimento de videojogos estagnou no Japão há dez anos atrás. Mas também positivo, para quem adora essa época em que a Playstation 2 era dona e senhora.

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Maiden of Black Water é quase uma ode ao que o Japão gosta de fazer dentro do género e é exactamente isso que eu adoro neste título. Se conseguirem ultrapassar os problemas (mais ou menos) graves da jogabilidade, têm aqui uma narrativa excelente e um ambiente do melhor que há dentro do género. Um título a não perder na Wii U, mas que não é para todos, só para os mais rijos. Por fim, e para rematar este texto, uma sugestão: caso não tenham uma Wii U, mas possuam uma 3DS, joguem Spirit Camera. Apesar da capa horrível do território PAL e do nome não ter nada a ver, é o quarto capítulo da série Project Zero.

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Veredicto
Para os amantes do género este novo título é inultrapassável. Porém, temo que a Wii U não seja a consola onde se encontra esse público.
Plataforma
Wii U
Produtora
Koei Tecmo
Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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