Proteus

8
Longevidade: 7/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 8/10
Som: 10/10

Uma das melhores bandas sonora de sempre | Um mundo aberto

Uma falta de variedade nos monumentos | Fauna

É difícil caracterizar um projecto como Proteus. Seja pelo seu aspecto visual, composto unicamente por pixel art, ou a sua aposta na exploração livre, a criação de Ed Key e David Kanaga é uma experiência que pouco arriscariam criar, quanto mais aperfeiçoar. Mesmo que não seja o vosso típico jogo – ainda que muitos argumentem que não é, de todo, um jogo – Proteus é possivelmente um dos melhores ensaios práticos sobre a liberdade e a imaginação dos jogadores num mundo aberto e por explorar.

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Proteus, ao contrário da maioria dos jogos, não contém quaisquer objectivos ou missões. Encarnando uma personagem sem nome, a nossa única acção possível é explorar a ilha que se encontra à nossa frente quando começamos uma nova campanha. Qual o percurso que devemos tomar? Essa decisão é nossa, sem avisos, checkpoints ou missões para completar. Tudo o que fazemos, e quando fazemos, parte de nós e nunca é limitado por uma história ou mecânicas posteriormente implementadas. Esta simplicidade poderá ser assustadora quando começarem a explorar a ilha pela primeira vez, mas  mesmo que esta contra-natura da jogabilidade possa afastar alguns jogadores menos pacientes, será, igualmente, gratificante para todos aqueles que consigam encontrar a beleza por detrás dos cenários coloridos da ilha. Ainda que não tenha objectivos, a ilha de Proteus, que é criada aleatoriamente sempre que começamos um novo jogo, tem vários monumentos espalhados que podemos encontrar e explorar. Mesmo que não possamos interagir directamente com eles, cada um destes objectos cria não só um maior mistério como uma crescente vontade de exploração. O jogo não se limita também a um tempo fixo e permite-nos explorar a ilha à medida que os dias avançam, com os acontecimentos nocturnos a serem diferentes daqueles que encontramos durante o dia ou ao final de tarde. O mesmo acontece com a passagem das estações do ano, com o Inverno a encher a ilha de neve e o Outono a apresentar as típicas árvores repletas de folhas castanhas.

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Há um enorme cuidado no ambiente geral de Proteus, ainda que os gráficos, para quem não seja apreciador de pixel art, possam parecer demasiado simples. Para um título na primeira pessoa, a exploração não é só fluida como extremamente bem implementada com a sua direcção artística. Os cenários estão repletos de cores vivas, com a fauna e a flora a serem imaginativas e atraentes. A mudança das estações, tal como mencionei, também influencia os cenários e a sua aparência, demonstrando um enorme cuidado na elaboração da componente visual e da sua utilização na exploração.

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Mesmo que Proteus seja impressionante visualmente, o seu foco está na banda sonora. É raro encontrar jogos com um cuidado tão particular como Proteus e a utilização da jogabilidade para influenciar e moldar cada um dos temas presentes no jogo, não é só inovador como cria uma maior empatia nos jogadores. Ao contrário da maioria dos jogos, a banda sonora de Proteus está em constante evolução e à medida que exploramos a ilha e encontramos animais e objectos, a música vai-se transformando e incorporando cada um dos elementos disponíveis. Se passarmos, por exemplo, por um coelho que salta quando nos vê, o seu movimento cria um som único que influência a banda sonora e insere um novo elemento sonoro. O mesmo acontece quando nos aproximamos de alguns dos monumentos e sentimos que o som incorpora as suas características. Este manuseamento é impressionante e atractivo, funcionando como uma das mecânicas mais envolventes de Proteus. À medida que explorava a ilha e encontrava novos sons, a minha curiosidade aumentava e levava-me a procurar mais e a criar as minhas próprias variações musicais. Este tipo de relação é difícil de conseguir e Proteus fá-lo da forma mais simples e fácil de utilizar.

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Proteus é um jogo de momentos e é, a meu ver, uma experiência individual e única para cada um de nós. Acredito que muitos não vão compreender a sua magia – até porque estamos perante um projecto que coloca de parte tudo o que constitui um jogo – mas se conseguirem afastar-se de todas as ideias pré-concebidas que têm, Proteus é uma das experiências mais raras que encontrarão nesta indústria. É um jogo nosso, um jogo que não nos dá uma história, mas que nos dá a liberdade para construirmos a nossa própria narrativa com os elementos que encontramos. É um jogo que nos deixa explorar verdadeiramente um mundo e caminhar livremente por cada um dos seus recantos, sem restrições. Subir à montanha mais alta, sentir a música a reduzir e o som do vento a tomar conta da banda sonora, foi um dos momentos mais memoráveis que experienciei – sem tempo, sem necessitar de objectivos ou ser puxado para uma missão. Estes momentos não são possíveis noutro jogo e é esta junção de sequências aparentemente aleatórias que tornam Proteus num jogo obrigatório.

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Se insistem na pergunta: será Proteus um jogo? Eu tenho uma resposta: Será que importa assim tanto? Proteus é uma experiência que merece ser vivida e partilhada com amigos, é uma viagem emocional, ainda que ausente de uma história, sobre uma personagem que decidiu explorar a ilha durante um ano. Qual será o seu objectivo? Dêem-lhe um, sejam vocês aquela personagem e aproveitem o ambiente confortável, misterioso e  banhado pela banda sonora (envolta em ambient e música electrónica minimalista) mais envolvente deste ano na PlayStation 3 e PlayStation Vita. Vivam Proteus e esqueçam-se das perguntas, elas não importam. Se este é o vosso tipo de experiência, a resposta é simples: joguem Proteus.

Autor: Joao Canelo Pesquise todos os artigos por

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