Quest of Dungeons

Review 4×4

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Desta vez está a ser fácil… olha, morri.

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Sabemos que a cena indie portuguesa de videojogos está de boa saúde quando jogos como este Quest of Dungeons são greenlighted no steam num curtíssimo intervalo de tempo. Apesar do género roguelike não ser do agrado de todos, David Amador conseguiu de uma certa forma simplificar esse conceito e tornando-o mais acessível a outros públicos, embora o jogo consiga ser na mesma bastante sádico como manda a lei.

E para quem não está familiarizado com o assunto, o que raios é um roguelike? Bom, pensem num RPG de acção, com níveis completamente aleatórios e que cada movimento que façamos ou outras acções como usar itens, magias ou ataques correspondem a um turno que é usado em simultâneo por todos em campo. Ou seja, por cada acção que façamos, os inimigos à nossa vista fazem as suas. Isto pode não parecer nada de especial, mas quando as mortes são permanentes então teremos mesmo de ter o maior cuidado possível e utilizar estratégias de forma a não sermos cercados e planear cada movimento de cada vez.

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Mas este não é um roguelike hardcore porque apesar de cada critical que apanhamos no lombo em graus de dificuldades maiores nos deixar completamente em pânico, também acaba por ser algo generoso nas habilidades especiais que podemos desencadear, na simplicidade de utilização de equipamento, sem restrições de peso de inventário ou fome, o que o torna também mais acessível. Por norma, o grau de dificuldade por defeito é o hard, mas não pensem que no easy a vida é completamente facilitada, também podem ter surpresas bem negativas quando menos esperam, como por exemplo descermos um andar por acidente, ir parar automaticamente a uma sala rodeada de inimigos, incluindo um feiticeiro que nos congela no lugar e durante uma série de turnos ficamos completamente indefesos e à mercê de todos os outros inimigos que imediatamente nos rodearam.

Até ao momento temos 4 diferentes classes para escolher, embora David Amador já nos tenha confidenciado que está mais uma para vir. O guerreiro, também conhecido por “tank“, é aquele que apenas pode atacar em combates corpo-a-corpo, estando por isso mais exposto ao dano inimigo, mas também é o que possui uma vida maior. O assassino é a classe que nos permite usar arco e flecha, sendo provavelmente a classe mais recomendada para ser jogada nos graus de dificuldade superiores, a habilidade de causar dano à distância sem recurso a mana é preciosíssima. O feiticeiro (quaisquer semelhanças com o black mage de Final Fantasy são mera coincidência) é o típico utilizador de magia, com habilidades como ataques mágicos elementais de fogo, gelo e electricidade. Por fim temos o Shaman, que mistura um pouco artes mágicas com marciais.

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E à boa moda de um roguelike, aqui tudo é aleatório: os níveis são construídos de forma aleatória, as armas e equipamento que encontramos também possuem características aleatórias, o mesmo para o inventário dos vendedores que vamos encontrando, a ordem pela qual vamos aprendendo novas skills, entre muitos mais. Por exemplo, a maior parte dos níveis têm apenas um boss, mas já apanhei níveis sem boss algum e outros com 2. Ainda notei um ou outro bug com essa “aleatoriedade”, pois por vezes temos um número ímpar de portais e um deles não nos leva a lado nenhum ou até nos deixam na própria sala, o que é um pouco inútil (ou talvez não, caso queiramos fugir de um grupo de inimigos). Por vezes temos também algumas quests a completar, uma vez mais de forma aleatória, que se resumem em procurar objectos especiais espalhados nos níveis ou derrotar algum inimigo bem mais forte que o normal. Quando são inimigos capazes de nos congelar, queimar, ou fazer sangrar por vezes também nos dão dores de cabeça e uma vez mais teremos de os tentar fintar de alguma forma.

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Outra das coisas de que gostei bastante foi o toque humorístico dado no jogo. A história começa com o cliché de um vilão dominar o mundo, tendo-o roubado de toda a sua luz. Surgem então quatro heróis dispostos a percorrer todos os perigos (as 4 classes previamente referidas), derrotar o mau da fita e restabelecer paz ao mundo. Mas depois de um breve diálogo acabamos mesmo por ser largados sozinhos, para regozijo dos outros três que lá ficaram (he is so dead). E esse toque humorístico lá vai continuando, com algumas bocas que os inimigos nos vão mandando, por vezes resultando em cheio e lembrando-nos que na aleatoriedade de um roguelike tudo pode acontecer.

Graficamente é um jogo bastante simples, mas tudo tem um aspecto visual que imediatamente nos remete aos RPGs clássicos da era dos 16bit. As sprites dos heróis fazem-nos lembrar personagens de outros jogos clássicos, o que terá sido certamente algo propositado em jeito de homenagem a esses clássicos de outrora. As músicas também vão sendo algo variadas e sempre agradáveis, algumas mais alegres como a melodia das lojas, outras mais tensas que se adequam perfeitamente à jogabilidade “passo a passo” que este Quest of Dungeons nos obriga.

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Fico a aguardar pelas novidades que aí virão neste Quest of Dungeons. É um óptimo jogo e bastante viciante, mas tem potencial para melhorar mais. Algumas das coisas que já foram reveladas e virão para uma versão 2.0 será uma dungeon adicional, uma outra classe, algum rebalanceamento das skills que cada classe pode desencadear, bem como poderemos enfrentar o zombie dos nossos heróis de aventuras anteriores, recuperando assim esse loot perdido. Mal posso esperar!

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 Veredicto                                                  
Simples e viciante. O facto de ter morte permanente e nos obrigar a recomeçar tudo do zero não é de todo um problema.
 Plataforma        
 PC
 Produtora         
 Upfall Studios
Visto por: Tiago L. Dias

É este o título que me tem ocupado as viagens de comboio para o trabalho. A versão Android para telemóvel está impecavelmente sólida. Demorei um pouco a dominar a movimentação com o dedo, mas passados uns quantos Game Overs, dou por mim agarrado para saber o que há mais para frente. É simples e bem feito, muito bom para dispositivos com ecrã de dimensões mais reduzidas. Não tem nada de novo no género, mas proporciona bons momentos, especialmente para o universo mobile.

 
Visto por: Victor Moreira

Como amante de roguelikes, Quest of Dungeons foi para mim uma excelente surpresa e tem sido uma companhia indispensável no Android. Não é, de todo, um jogo fácil (porque nenhum roguelike o é) mas iniciar uma nova aventura, quando sabemos que vai ser sempre diferente, não custa nada e acaba sempre por nos prender. Através de mecânicas simples e intuitivas, melhoramentos da personagem e imenso loot para encontrar, QoD promete viciar qualquer um! A banda sonora é excelente e o look retro um bónus gigante!

 
Visto por: Miguel Coelho

A simplicidade é a chave para cativar e agarrar um jogador e é isso que Quest of Dungeons faz de melhor. Contudo, não se reduz a isso, tem conteúdo suficiente para construir a partir daí e mantem-nos agarrados, tendo como principal trunfo ser um roguelike e, por isso, oferece uma experiência diferente de cada vez que o jogamos.

O facto de ter sido feito por apenas uma pessoa e essa pessoa ser portuguesa acrescenta-lhe, para mim, valor extra, pois é sempre bom saber que a nossa (ainda pequena) indústria está bem entregue.

 
Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

2 Comments on "Quest of Dungeons"

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