Railworks 2

9
Longevidade : 6/10
Jogabilidade : 10/10
Gráficos : 8/10
Som : 8/10

Os simuladores são um género que por norma agrada a alguns e desagrada a outros. Além disso os simuladores de meios de transporte são normalmente mais direccionados para diferentes tipos de devaneios, como por exemplo grandes estampanços, no caso dos automóveis. Mesmo em géneros mais “sérios”, como é o caso de Flight Simulator, temos à nossa disposição um imenso céu por onde nos é permitido voar sem qualquer tipo de restrição. Ora em Railworks 2 o caminho é-nos dado pelos carris e é a eles que estamos restringidos, portanto desenganem-se aqueles que pensam que vão conseguir fazer descarrilar um comboio a mais de 100 km/h. O objectivo é dar uma das mais realistas experiências do que poderá ser conduzir verdadeiras “máquinas infernais”, e dessa forma é o simuladores mais próximo da realidade com a temática das ferrovias. Isto acompanhado de uma actualização gratuita para quem já possuir Railworks, um excelente conceito aliás (que mais empresas deveriam adoptar), ajuda a satisfazer os utilizadores da primeira versão bem como a combater a pirataria.

O jogo sofreu efectivamente melhoramentos generalizados e os menus estão mais intuitivos e compartimentados. Tudo está por secções o que facilita a navegação. Existe inclusivamente uma opção de “Resume” que tal como o nome indica permite continuar a actividade que estava a fazer na última vez que visitou Railworks 2. Outras das hipóteses apresentadas no menu principal é “Drive by Train” na qual nos são disponibilizadas todas as actividades e conteúdos. Nesta secção podemos escolher que tipo de comboio pretendemos controlar (a vapor, a diesel ou eléctrico), observar os objectivos, os tempos médios previstos para a conclusão da acção, a dificuldades entre outros. A opção “Drive by Route” é indicada para aqueles que pretendem jogar um cenário em si, sendo a pesquisa deste facilitada através deste menu que também encerra as informações indicadas no anterior.

Um dos pontos que mais me agrada neste tipo de simuladores e que também já acontece no seu “rival” – Microsoft Train Simulator – é que tudo se passa em tempo real, ou seja, quando nas informações temos indicado que a viagem demora 45min é porque nos vai ocupar esse memo tempo. Curiosamente este é também um dos aspectos que mais afasta utilizadores visto existirem níveis bastante morosos o que para alguns representa uma tremenda seca. Outro dos pontos menos apelativos é o facto de ser um jogo algo repetitivo. Para quem se cansar mais rápido pode sempre investir na criação de novos percursos com o “Editor” disponível e que é sempre uma mais valia. Por fim os tempos de “loading” são dolorosamente lentos, já cheguei a contar 4 minutos de espera o que não é de todo compreensível.

Por outro lado a jogabilidade foi renovada. É sabido que para conduzir uma locomotiva existem uma série de alavancas e botões, o que se traduz numa imensidão de teclas que às tantas já nem nos lembramos para que servem. Em Railworks 2 as funções de condução podem ser totalmente orientadas pelo rato o que facilita o processo devido à barra de controlos disponível no ecrã com todas as informações generalistas que um maquinista necessita, tal como, hora prevista e real de chegada à estação, indicadores de velocidades (actuais e limites máximos), sinalização vertical, distâncias até à próxima paragem. Todavia e para quem aprecia desafios esta opção pode ser retirada ficando apenas o utilizador com as informações disponibilizadas pelo painel de instrumentos da locomotiva, passando o controlo da mesma para as respectivas teclas. Nesta situação é aconselhável máxima atenção, principalmente aos limites de velocidade pois facilmente os ultrapassamos e corremos o risco do travão de emergência ser automaticamente activado, perdendo imenso tempo enquanto o comboio pára e avança novamente.

Os objectivos do jogo são claros e pretendem dar o maior realismo à nossa acção. Assim podem esquecer passar sinais vermelhos, andar acima dos limites impostos ou na esgalha (o que em curvas aumenta a força centrífuga causando desconforto aos passageiros bem como derrapagem das rodas), não parar dentro da extensão da plataforma e não arrancar enquanto os utentes estão a entrar e a sair da respectiva composição. No final do nível temos uma síntese do nosso trabalho, com o detalhe de todos os nossos sucessos e insucessos.

Graficamente o jogo está muito apelativo e o grau de detalhe é aprofundado tanto para o espaço cénico em si, como para as carruagens e locomotivas, salvo uma ou outra excepção como por exemplo a falta de interacção das luzes dentro dos túneis – que é no fundo inexistente. Cada veículo tem o seu truque de condução. Por exemplo se uma máquina trava bem e conseguimos imobilizá-la rápida e eficazmente também há aquelas que para pararem é preciso uma eternidade. Isto aumenta a diversão e o próprio realismo da condução. A componente sonora transporta-nos para a realidade e é muito agradável. Por fim a interacção com os elementos que nos rodeiam está mais apelativa. Tudo se mexe mais, as pessoas nas estações, as portas podem ser vistas a abrir e a fechar e o mesmo acontece com as passagens de nível. Também o tráfego rodoviário está diversificado o que acaba por engrandecer a experiência.

São pormenores é certo, mas são estes que elevam o jogo. E Railworks 2 está bem lá em cima.

Autor: Andre Santos Pesquise todos os artigos por

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