rain

7
Longevidade: 7/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 7/10
Som: 7/10

Uma jogabilidade refinada e uma história emocionante

Falta de inovação e demasiada repetição nos seus cenários e jogabilidade

Numa noite chuvosa, um rapaz sem nome ouve os passos de uma misteriosa rapariga, cuja silhueta é apenas visível à chuva. Intrigado pela sua aparência, o rapaz tenta comunicar com ela, mas o encontro entre os dois é interrompido pela presença de uma figura maligna, também ela em forma de silhueta, que persegue a rapariga pela chuva. Decidido a ajudá-la, o rapaz segue-os através de um portão e entra numa cidade de noite eterna, perdendo também a sua forma. Assim começa rain, o novo jogo exclusivo para PlayStation 3 e produzido pela PlayStation C.A.M.P. e Acquire.

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rain é uma aventura na terceira pessoa protagonizado por um rapaz e uma rapariga sem nome. Ao longo de oito capítulos, que perfazem uma campanha de 4 a 5 horas, vivemos a aventura dos dois jovens perdidos na chuva e em fuga dos monstros misteriosos que os querem apanhar. A grande particularidade de rain é que o nosso protagonista é invisível e a sua forma, como de todas as personagens deste universo, só fica presente quando está exposta à chuva, desaparecendo quando encontra abrigo.

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Apesar da sua simplicidade, a jogabilidade de rain é fluída e bastante intuitiva, com cada uma das mecânicas a serem implementadas através da própria narrativa e não forçando no jogador tutoriais desnecessários. Sejam os abrigos, as poças lamacentas ou os vários tipos de inimigos, rain aposta sempre numa experiência familiar, constante e espaçada, utilizando sequências de plataformas e de furtividade para construir o seu mundo. Mesmo com a sua simplicidade, a jogabilidade de rain está polida e perfeitamente implementada no género de aventura, focando-se igualmente na construção de uma narrativa cheia de emoção, através das suas sequências de acção.

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É evidente que rain quer contar uma história e é surpreendente como o consegue fazer sem necessitar de longos vídeos ou diálogos repletos de exposição. A narrativa é desenvolvida à medida que exploramos a cidade misteriosa e concluímos os puzzles, com o texto a percorrer os vários cenários da cidade e a situar-nos nos acontecimentos do jogo. Tal como a jogabilidade, a sua história não tenta inovar, mas sim apresentar-se com uma base bastante coesa e polida. Mesmo sem a utilização de diálogos ou até do desenvolvimento das suas personagens, rain consegue criar uma história enternecedora e dramática, colocando os seus dois heróis numa aventura que os levará a explorar os conceitos de amizade e de felicidade. Contrapondo com os seus cenários frios, rain emana calor e deixar-vos-á com um longo sorriso no rosto quando chegarem ao fim da campanha.

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Visualmente, rain demonstra também um enorme cuidado nos seus cenários e nos efeitos de iluminação, especialmente para um título exclusivo do PSN. A chuva, os passos das personagens, a direcção artística e as suas inspirações na cultura italiana – especialmente na elaboração da cidade -, a mecânica de desaparecimento do protagonista e dos seus inimigos são todos elementos que compõem uma vertente visual bastante apelativa, ainda que pouco surpreendente. O jogo sofre, no entanto, de uma enorme repetição nos seus cenários e uma falta de inovação com o decorrer da história, que, mesmo com a mudança temporária perto do final do jogo, merecia uma maior exploração dos seus temas através da sua direcção artística.

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A repetição é, infelizmente, um problema geral na experiência de rain. Não só através dos seus cenários, mas também dos seus puzzles e acção, que se foca, quase unicamente, na fuga ou na busca de um novo caminho, a jogabilidade de rain não tenta inovar ou implementar novas situações ao longo da sua campanha e leva-nos a sentir que vimos tudo no final da primeira hora. O título pede, quase que grita, por uma maior inovação e devo admitir que fiquei desiludido quando me apercebi que tal nunca iria acontecer. É, sem dúvida, impressionante vermos todas as mecânicas do jogo em acção, especialmente quando utilizamos a invisibilidade da nossa personagem para escapar dos inimigos, mas rain parecia estar pronto para se juntar a Ico como um dos grandes jogos do género em exclusivo para a consola da Sony.

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As suas falhas não diminuem a sua beleza inerente e rain é um título importante para o PlayStation Network em 2013, juntando-se a Journey, lançado em 2012, como um dos jogos mais inovadores no serviço online da PlayStation 3. É evidente o apoio que a Sony tem proporcionado às editoras e à elaboração de novas experiências num mercado que peca por insistir sempre nas mesmas ideias vezes e vezes sem conta, e rain é um produto desse apoio. É um jogo especial, ainda que longe de ser perfeito, que demonstra que há muito para explorar. Até a nível sonoro, rain emana uma beleza transcendental ao utilizar a composição de Claude Debussy (1862-1918), Clair de Lune.

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Como um todo, rain é uma aventura que merece ser experienciada por todos os fãs do género. Mesmo com a sua falta de inovação, o novo exclusivo da PlayStation 3 tem alguns dos momentos mais enternecedores que encontrarão este ano. Com uma jogabilidade simples, mas extremamente refinada, e um novo modo desbloqueável após o final da campanha (que vos levará a recuperar pedaços da memória do rapaz), rain quase que atinge o patamar de imperdível.

Autor: Joao Canelo Pesquise todos os artigos por

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