Ratchet & Clank: Nexus

8
Longevidade: 6/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 9/10
Som: 8/10

Uma jogabilidade viciante e uma animação exemplar

Curta duração | Remoção de alguns elementos que caracterizaram os jogos anteriores

Ratchet & Clank não é só um dos maiores exclusivos da PlayStation, como é um dos melhores jogos do género de plataformas. Com uma mistura perfeita entre exploração, humor e acção, a série criada pela Insomniac protagonizou alguns dos melhores momentos nas consolas da Sony. Depois dos lançamentos de All 4 One e Q-Force,  a série está de regresso à fórmula original com Nexus, o novo jogo que termina a história iniciada em Tools of Destructions e demonstra, uma vez mais, como é divertido aventurar-nos no mundo criado pela Insomniac.

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Após os acontecimentos de A Crack in Time, Ratchet e Clank regressaram à sua vida normal como protectores da galáxia. Procurando um pouco mais de descontracção e distância dos constantes actos de heroísmo, a dupla, juntamente com os robots Zephyr e Cronk, estão encarregues de um trabalho simples: transportar a infame Vendra para a prisão de Vartax Detention Center. Como nada é simples na vida do Lombax, a nave em que viajam é atacada e destruída por ladrões, colocando a dupla a lutar não só pela sua vida como pelo destino da Galáxia.

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A história de Nexus não tenta ser complicada ou atingir o nível de refinamento dos títulos anteriores, mas sim manter-se simples e coesa. A aventura de Ratchet e Clank continua repleta de momentos de humor que vos farão rir às gargalhadas, mas existe igualmente um tom muito mais descontraído ao longo do jogo. Mesmo que estejamos perante um novo inimigo, a Insomniac construiu uma narrativa que não se afasta do estilo da série e que não tenta inserir novos elementos numa fórmula que funciona. Nexus é um resumo do percurso da série na PlayStation 3 e apresenta-se como um final digno para a história da série Future.

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É incrível quando analisamos a jogabilidade de Nexus e nos apercebemos que pouco mudou desde Tools of Destructions. O foco mantém-se no equilíbrio entre secções de plataformas e combates frenéticos, com a aquisição e evolução das armas a terem posição central. É verdade que Nexus não procura mudar a fórmula da série, mas consegue refinar alguns dos seus elementos e simplificar a sua progressão ao construir uma das melhores aventuras da dupla. Os controlos estão mais fluidos e concentrados, o novo sistema de mira permite uma utilização mais proeminente das armas e a simplificação dos itens, como o mítico Slingshot e as Hoverboots, criam uma aventura mais frenética.

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A Crack in Time trouxe-nos uma jogabilidade baseada na manipulação do tempo para solucionarmos alguns dos seus puzzles. Nexus, por seu lado, coloca de parte a mecânica do jogo anterior e insere um elemento totalmente novo na jogabilidade da série através da utilização da gravidade e da exploração de dimensões alternativas. Após a fuga de Vendra, Ratchet e Clank encontram um novo item, denominado Rift Cracker, que lhes permite detectar falhas dimensionais e abrir novos caminhos nos cenários. Através do item, que apenas Clank pode usar, entramos na Nethervserse onde poderemos explorar os seus níveis através de secções de plataformas 2.5. A mecânica não é só divertida como fácil de utilizar, ainda que apresente um certo desafio para todos os que quiserem completar o jogo a 100%. A manipulação das dimensões não é forçada ao longo do jogo. Tal como todas as outras mecânicas presentes, a nova dimensão é simplificada e implementada estrategicamente na curta duração da campanha sem se tornar enjoativa. Nexus tem uma estrutura muito mais forte e concisa que alguns dos jogos anteriores, e todos os seus itens e novas armas demonstram esta aposta da Insomniac.

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Nexus é, no entanto, um jogo muito mais contido que os restantes, funcionando como um ponto de transição. A campanha é reduzida e não apresenta o mesmo número de missões secundárias ou as secções de exploração espacial que marcaram os títulos anteriores. O novo título foca-se na progressão da história e simplifica a sua estrutura ao disponibilizar apenas cinco planetas para explorarem. A jogabilidade não é minimamente afectada, mas poderá ser um ponto divergente para os fãs da série que procuravam um jogo com mais conteúdos. Nexus não é A Crack in Time e nem o tenta ser, é uma experiência que vive dentro do seu próprio universo, uma história paralela que continua a ser um prazer de jogar. Se a jogabilidade se foca na simplicidade e na progressão da história, os gráficos e direcção artística de Nexus continuam a demonstrar a força da Insomniac no que toca à criação de ambientes imaginativos e vivos. Ainda que o número de planetas seja mais reduzido, cada um deles tem uma forte componente visual e uma variedade de elementos que os tornam em ambientes vivos. As cores vivas, o tom lilás das sequências no Netherverse e os cenários abandonados transforma Nexus num dos jogos mais atraentes da série.

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Um dos pontos fortes da componente visual de Nexus é a sua animação, que surpreende uma vez mais pela sua fluidez. Longe vão os tempos em que Ratchet parecia um boneco sem vida e com o olhar mais assustador na indústria dos videojogos. Nexus poderá ser um prelúdio para o filme protagonizado pela dupla de heróis e para as suas novas aventuras na PlayStation 4, e como está, é também um bom exemplo daquilo que a consola actual é capaz de fazer no que toca à animação e à construção de personagens. Ratchet & Clank: Nexus é um excelente final para a série na PlayStation 3. Ainda que a campanha seja mais curta que o normal, a sua duração é justificada não só pelo seu preço reduzido como pelo seu foco na história e nas mecânicas mais simplistas. Nexus é uma aventura essencial para todos os fãs da série e do género, e um jogo que demonstra o quanto a dupla ainda tem para dar no que toca à diversão e ao humor.

Autor: Joao Canelo Pesquise todos os artigos por

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