Ratchet & Clank – Q Force

7
Longevidade : 4/10
Jogabilidade : 8/10
Gráficos : 9/10
Som : 8/10

Nova mecânica de jogo

Multiplayer às moscas…

Quando chegou à redacção mais um título Ratchet & Clank para análise, o meu entusiasmo foi inexistente. Não me interpretem mal, esta franchise tem uma qualidade acima da média, juntando elementos de humor, gráficos bem conseguidos, uma jogabilidade fantástica e armas originais. Mas após uma dezena de títulos, o factor uau desvanece-se e começamos apenas a contar com um bom jogo, e não com um jogo que faça a diferença no panorama dos videojogos.

Todavia o meu entusiasmo rapidamente mudou quando dei por mim na primeira missão e me foram apresentados conceitos bastante inspirados no género de Tower Defense. Mal aterramos no planeta é-nos apresentada a nossa base, e os seus geradores, que devem ser protegidos a todo o custo das invasões grungarianas. E como os protegemos? Bem, temos um leque de torres de defesa, armadilhas e barreiras por onde escolher… também podemos deixar as coisas nas nossas mãos e com o nosso herói preferido ir rechaçando ondas de inimigos. E se o jogo ficasse por aqui, teríamos em mãos algo bastante similar a um Orcs Must Die!, que jogado de forma moderada (para não se cair na armadilha de se tornar repetitivo), providencia diversão do mais alto nível, mas em adição a isto tudo, a vertente de plataformas exploratória característica de Ratchet não ficou esquecida.

Para concluirmos com sucesso uma missão, não basta garantir a sobrevivência da nossa base, pois este não é o tipo de jogo onde passadas X vagas de inimigos, ou quando sobrevivermos um dado período de tempo levamos o nível a bom termo. Em Q-Force temos que conciliar a defesa da base com o nosso objectivo principal. O de reactivar os sistemas de defesa interplanetários do planeta em questão, sendo necessário conquistar certos pontos-chave no mapa, nomeadamente geradores grungarianos que criam barreiras energéticas que nos impedem de nos deslocarmos directamente ao ponto onde podemos reactivar o sistema de defesa.

Mas a tarefa não é tão trivial como proteger a base e atacar os pontos-chave, sendo também necessário explorar devidamente o mapa para irmos juntando os célebres parafusos e roscas para comprarmos torres de defesa, e para desbloquearmos armas novas, pois as munições são escassas, já que lançar ataques com poucas armas pode traduzir-se em falhanços por falta de munições. E neste ponto o jogo não perdoa: se abandonarem um ataque a meio para irem recuperar vida ou munições, rapidamente chegam reforços inimigos ao local e terão que repetir todo o processo. Ironicamente, à medida que se avança no jogo, isto deixa de ser problemático, pois as zonas a conquistar começam a ser maiores e portanto temos bastantes pontos para restaurar vida e munições dentro da própria “base” inimiga.

Desta forma, os elementos-chave de Ratchet & Clank são de certa forma mantidos, introduzindo outros novos e alterando a jogabilidade de forma a trazer algo de novo aos jogadores. Os cenários estão bastante bem conseguidos, quer em termos de grafismo, como de desenho, pois conseguiram evitar, ou porventura seja melhor dizer minimizar, que estes ficassem muito lineares devido à existência de pontos de interesse bem definidos logo de início. Os personagens (Ratchet, Clank e Qwark) e as armas voltam em grande estilo, e por vezes damos por nós a usar armas selectas apenas para ver como se portam depois de evoluírem alguns níveis ao invés das mais efectivas para o inimigo em questão. O humor volta em grande nível, e em termos de história… bem é praticamente inexistente.

A campanha solo/co-op local tem uma longevidade bastante curta, sendo algo que se termina entre 4 a 6 horas, pelo que os jogadores que procurem uma experiência offline não terão aqui o seu título de eleição. Por outro lado creio que se a campanha fosse muito mais extensa rapidamente iria ser monótona e repetitiva.

É então, ou deveria ser, na vertente multiplayer que este jogo realmente brilha e nos providencia horas e horas de diversão. O jogo em formato multiplayer traduz-se numa luta entre jogadores ou equipas, sendo que cada lado tem a sua base e tem como objectivo a destruição da base inimiga. Apenas estão disponíveis 3 mapas, e dois modos de jogo: 1vs1 e 2vs2; o que não augura nada de bom para aumentar a curta longevidade mencionada do jogo.

Independentemente do modo de jogo, cada sessão de jogo de multiplayer consiste em 5 turnos de 3 fases diferentes cada: Recon, Squad e Assault. Na fase Recon a ideia principal é sermos os mais rápidos a conquistar pontos-chave no mapa, de forma a desbloquearmos novas armas e a garantirmos um fluxo contínuo de parafusos e roscas, visto que cada uma das estruturas a conquistar aumenta a “mesada”, que é crítica para investir em defesas e ataques. Na fase Squad devemos adquirir hordas de grungarianos, que serão teleportados em vagas de ataque para a base inimiga na próxima fase. Na fase Assault devemos fazer uma escolha, e ou nos juntamos às nossas forças de ataque ou ficamos a defender a nossa base do inimigo que se aproxima. Ao contrário das forças de ataque, as torres de defesa, minas e barreiras podem ser compradas em qualquer altura. Assim que ambas as bases estejam seguras, acaba o turno, começando imediatamente o próximo.

Se analisarem bem a descrição do jogo online, rapidamente concluem que existem tantos elementos a ter em consideração, que a quantidade de estratégias que podemos seguir são ilimitadas, especialmente se jogado no modo 2vs2, sendo necessário também a capacidade de uma mudança abrupta de estratégia para fazer face a um movimento mais inesperado do adversário. E isto seria realmente o ponto mais apelativo do jogo, mas esbarra em algo crítico: a falta de jogadores, pois infelizmente arranjar alguém com quem jogar é praticamente impossível… ou então sou eu que tenho muito azar e só tento jogar em horas estranhas.

Em suma Q-Force tenta revitalizar a franchise com uma jogabilidade inovadora, que foi capaz de me surpreender novamente pela positiva, mas acaba por falhar por não ser garantido o ponto onde o jogo devia vingar, o multiplayer.

Autor: Jorge Fernandes Pesquise todos os artigos por

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