Retro City Rampage

9
Longevidade: 10/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 9/10
Som: 9/10

Divertido, alucinante, viciante

Torna-se estupidamente difícil lá para o fim

“Este mundo em que vivemos é mesmo muito injusto.” Foi isto que pensei quando li no Twitter oficial do jogo Retro City Rampage que o mesmo iria dar um prejuízo considerável ao autor (Brian Provinciano), apenas porque foi pessoa de palavra e o lançou publicamente no canal de vendas oficial da Nintendo. O prejuízo anunciado pelo autor deve-se a vários factos: à política de publicação de produtos no canal oficial da Nintendo (o qual só começa a distribuir dividendos quando o número de vendas atinge um limiar inferior. Até aí, todo o dinheiro averbado pelas vendas vai direitinho para a Nintendo), ao momento histórico em que o jogo foi lançado (a Wii, oficialmente, está morta), às dificuldades em programar o jogo para esta versão (não foi um port directo como aconteceu nas outras plataformas – X360 para PC e PS3 para Vita, e vice-versa), porque o jogo foi prometido, inicialmente, que seria lançado apenas para a Wii (e curiosamente esta versão foi a última a sair). Antes de começar a análise ao jogo, relembro-vos a primeira frase.

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Retro City Rampage (RCR) é um jogo de acção ao estilo do GTA (1 e 2, nada de 3D), com um visual que lembra bastante os antigos jogos de Nintendo NES. A escolha por este ambiente retro foi a mais acertada pois é o que lhe traz todo o encanto que tem e, se se tentasse criar gráficos mais “modernos”, perderia metade do gozo ao jogá-lo. Um dos pormenores mais giros e que mais me chamou à atenção reside no facto de, nas opções visuais deste título, nos ser possível escolher o “modo gráfico” que queremos usar (monocromático – verde e preto ou laranja e preto; CGA – azul claro, preto branco e rosa; VGA; 8 cores – como num Spectrum; etc). Delicioso!

O argumento do jogo não poderia ser mais básico: controlamos uma personagem que se chama “The Player” (oh, a ironia 😉 ) que, ao participar num assalto a um banco (no ano de 1985 e de uma cidade chamada Theftropolis), todos os elementos do gangue são traídos pelo seu líder, uma personagem com um aspecto estranho e um sorriso constante e ameaçador. Durante a fuga ao assalto iremos controlar um autocarro escolar, mas primeiramente, teremos que atravessar uma rua cheia de trânsito constante. Após algumas peripécias terminamos no ano 20XX numa máquina do tempo, que se avaria. Por sorte, a nossa chegada ao futuro é esperada por um cientista chamado Doc Choc, que nos vê como o herói há muito ansiado e que se oferece para reconstruir a maquina do tempo (um carro com um aspecto bastante conhecido). E é assim que iniciamos a nossa cruzada de crime tanto no tempo como no espaço, completando missões que nos permitam ter o carro arranjado.

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Apesar de ser bastante simples, o argumento contém centenas de referências a filmes, jogos, programas de TV, personagens de BD, etc. Por vezes, as piscadelas de olho que o jogo nos oferece são um pouco difíceis de se perceber e só um verdadeiro nerd nestes assuntos é que apanha completamente o sentido da referência (como, por exemplo, quando misturam o Robocop com o Bionic Commando). As missões do jogo são bastantes e variadas e incluem, por exemplo, passear de bicicleta enquanto atiramos jornais para as caixas de correio, passar despercebido por inimigos (onde a caixa de cartão se torna imprescindível), matar um determinado boss sem armas (para o matar, só mesmo saltando para cima dele). Como as referências são tantas e passam por nós a uma velocidade alucinante, é normal que não as entendamos todas. Mas que dá um gozo quando as descobrimos, dá! E muito!

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Uma das principais características dos jogos indie é que os seus autores deixam o seu cunho sem qualquer tipo de complexos. RCR, por sua vez, está carregado de cunhos de produtos das décadas de 80 e 90 do século passado. Um produto com esta qualidade, carregado de humor, acção e aditividade não deveria ter o estatuto que tem, que é o de algo amador. Oferece mais de 60 missões, diversão, armas, carros aos montes, velocidade, um sentido de humor apuradíssimo e um preço, no mínimo, apelativo. 1000 pontos (10€) é quanto custa adquirir este jogo. Tendo em conta que as actualizações anuais dos jogos que mais se vendem (e são conhecidos por todos por variarem muito pouco) custam 6 ou 7 vezes mais, relembro-vos a primeira frase deste texto quando sabemos que o número de vendas deste jogo foi baixíssimo. O site oficial do jogo oferece, ainda, para quem quiser descarregar, a OST, um mapa completo da cidade e vários extras.

Autor: Daniel Martinho Pesquise todos os artigos por

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