Robinson: The Journey

A Crytek entra no mundo VR para a PS4 com um título que o mete directamente no pódio.

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The Journey conta a história de sobrevivência de um rapaz chamado Robin. A nave espacial onde viaja sofre um acidente e o jovem acaba por se despenhar num planeta desconhecido. Este novo mundo está, em termos de evolução, situado ao equivalente terráqueo do tempo dos dinossauros, algures entre o período Triásico e o Cretáceo. Com a companhia de uma sonda e de um dinossauro bebé, que Robin adopta como seu amigo, o jovem vai explorar o terreno em busca de sobreviventes e tentar perceber a razão pela qual a sua nave se despenhou. O género é de puzzle game na primeira pessoa com um pouco de walking simulator. A vista, como referi, é na primeira pessoa, com total liberdade para olhar a toda a volta. A direcção, tal como alguns títulos de VR, não é totalmente livre. São usados ângulos de 30º para virar (menos mau que os 90º de outros títulos).

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Robin tem uma ferramenta que lhe permite levitar e manipular objectos, bem como analisar o que o rodeia e é com esta que vai solucionar os problemas que lhe vão aparecendo. Estes puzzles são, regra geral, de baixa dificuldade, porém nem sempre óbvios. A sonda que nos acompanha, com personalidade de C-3PO, vai-nos oferecendo dicas, todavia, e por diversas vezes, estas são vagas obrigando-nos a puxar pela cabeça. A manipulação dos objectos é feita com este a levitar, sendo possível a aproximação ou afastamento, além de rodar em qualquer eixo.

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Quando me referi ao facto de ser um pouco de walking simulator é porque grande parte do jogo é feito de exploração. Sem ser open world, temos algumas bifurcações no caminho, que acabam por se encontrar mais à frente. Em muitas partes do cenário podemos fazer escalada, mas sempre com baixa dificuldade, um passeio no parque, portanto. Uma das vertentes do jogo é catalogar espécies de animais e insectos numa base de dados, sem que esta interfira com o desenrolar da aventura.

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A minha experiência foi muito positiva. Como fã de exploração adorei este título e fiquei encantado com os cenários. Temos grande variedade de fauna: insectos, répteis, pequenos roedores, mamíferos, além de… dinossauros! Dos pequenos aos gigantescos! Andar ao lado das maiores espécies (Brontossauros ou semelhantes) com VR é uma sensação fantástica. A dimensão é cativante e o 3D do VR capta esta noção bastante bem. A flora ainda está melhor. Um dos quadros que o jogo nos presenteia é a floresta, no qual escalamos árvores enormes. A vista é lindíssima, o ambiente muito bem elaborado e convincente, além de que os efeitos de luz entre a copa das árvores dão magia ao cenário. Sem dúvida um dos grafismos mais realistas que já encontrei em VR. Tem alguns detalhes menos bem conseguidos, como folhagens totalmente planas metidas no meio do 3D, mas nada que nos tire a enorme satisfação de passear por este mundo virtual. Dei por mim a contemplar o cenário de vários ângulos diversas vezes!

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Umas das particularidades que mais apreciei foi a possibilidade de ver o cenário pelos olhos da sonda. É possível, em certos locais, vermos a vista aérea da nossa área. E digo-vos: é absolutamente espectacular. O efeito não é de zoom out, mas sim de miniatura. Parece que estamos a ver uma maquete do quadro onde nos encontramos. O estilo gráfico aqui é brilhante, o mais fascinante que vi em VR até agora. De todos os jogos de VR que já testei, cerca de uma dúzia, este está no top 3 e, em termos de ambiente, talvez mesmo em primeiro lugar. Este é um título que faz com que valha a pena ter um VR em casa. Já não é um tech game para mostrar as capacidades do sistema, mas sim um jogo completo com corpo e alma. Todavia, atenção, continua a ser muito curto, sendo possível acabá-lo em cerca de duas ou três horas, se o for jogar novamente. Jogando a um ritmo descontraído, e pela primeira vez, temos aqui material para umas seis ou oito horas. Tirando o facto de ser curto, senti também falta de uma maior quantidade de cenários, além de mais alguma interacção com objectos ou personagens. Agora, que o VR está no bom caminho, isso está.

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No que diz respeito à questão da duração, infelizmente, começa a ser um factor comum nos títulos disponíveis, independentemente de serem demonstrações tecnológicas ou não. Ou é um jogo de desporto, tipo Rigs, ou um motorizado, tipo Drive Club VR, onde temos o factor de repetição, o qual, devido à sua natureza, permite um maior número de horas. Os restantes títulos são, geralmente, de curta duração. Por exemplo, em Batman Arkham VR, que apesar de bem feito, e onde fica a ideia de que poderia ter saído dali algo grandioso, ao fim de duas horas… simplesmente acaba. Em Loading Human passa-se exactamente a mesma situação.

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Não há dúvida de que estou rendido ao VR. É um sistema com toda a potencialidade, um que permite uma enorme imersão no ambiente, de tal forma que dá para sentir um aperto no estômago numa simulação de montanha russa. Porém, é preciso que comecem a surgir títulos com maior longevidade, para os quais o jogador sinta um maior retorno do investimento. E sim, isto é igualmente válido para este jogo. Robinson: The Journey parece-me um pouco caro para o número de horas que oferece. No fim, a satisfação é total, pois revelou-se uma experiência adorável, isto tendo em conta apenas o conteúdo. Todavia, acredito que, se o tivesse pago, a opinião seria ligeiramente diferente. Ainda assim, leva o meu thumbs up, sem qualquer dúvida!!!

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Veredicto
Um título de curta duração, mas bastante cativante. Fica-se a pedir mais. Uma boa prova que o VR está num bom caminho.
Plataforma
PS4 VR
Produtora
Crytek
Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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