Sebastian Frank: The Vienna Prologue

Bons adágios para Sebastian!

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Tenho por hábito, no mínimo, testar todos os videojogos portugueses com que me deparo. Nem sempre o faço com real interesse, na maioria das vezes é mesmo por forma a manter o hábito, como quem corre todos os dias, porque se falhar um depois nunca mais volta ao ritmo. Quando, pela primeira vez me deparei com Sebastian Frank: The Beer Hall Putch, por via da cobertura do nosso Mike Silva da Lisboa Games Week, fui tomado de surpresa pela arte. Num mundo de eterno pixel art em tudo, o que caía minimamente no universo indie (que, por mais bem-criada que seja, é horrivelmente repetitiva) tende a enamorar-me, por tudo o que se afaste também do realismo, em troca de um verdadeiro estilo artístico. Rotulem-me de superficial, mas abato de imediato uns bons 20%, da minha nota inexistente, por falta de originalidade gráfica.

SF1

The Beer Hall Punch não está disponível, ou completo sequer. Aliás, a Sebastian Frank Games (é terrivelmente confuso quando as produtoras se nomeiam pelos seus produtos), considera ainda possibilidades de financiamento, com uma campanha de crowdfunding no futuro. Já disponibilizaram, no entanto, um curto episódio, The Vienna Prologue, que se versa como demo e introdução às personagens, Sebastian Frank e uhm… Arnold Schwarzenegger.

SF4

O romance serve de pano de fundo ao episódio, enquanto o casal tenta obter entrada na academia de artes de Viena através de uma prova prática (a que chegam atrasados, porque não estão assim tão interessados quanto isso). Depois de uma dupla cutscene tomamos o controlo da personagem titular, tornando a aventura num point-and-click clássico. Os controlos exigem o uso exclusivo do rato, apesar de eu tender a procurar o wasd, por via da minha prolongada experiência com as narrativas da Telltale, o que me leva a lembrar que, existindo um mapa de controlos, opções de rebind são sempre bem-vindas, bem como as indicações destes ao iniciar o episódio.

SF8

A arte é, de facto, bela, da qual destaco a qualidade do modelo da Mulan Schwarzenegger. Porém, as animações são infelizmente algo fixas e excessivamente exageradas, em especial quando se movimentam através do, excelentemente colorido, cenário. Enquanto estas falhas são meros inconvenientes durante o decorrer do episódio, no seu final a escolha de representação da personagem antagónica (cuja identidade não revelarei, apesar de ser bastante óbvia a quem leia sobre o produto final) é deveras desconcertante. O desejo de um efeito cómico é claro, mas não me parece apropriado ao espírito criado durante o restante episódio, tirando até o impacto à revelação que o precede.

SF3

Sebastian não encara desafios excessivamente difíceis, caso não sejam incapazes como a minha pessoa, sendo que as pistas estão bem distribuídas pelo diálogo e cenário, não chegando a tornar-se frustrante e, mesmo assim, gerando um apropriado sentimento de vitória aquando da sua finalização. A presença de um journal (vulgo, bloco de notas) garante que se compreendam os objectivos, e a escolha de esconder o inventário (reforço a importância de informar propriamente o jogador do sistema de controlo) é realmente positiva, ao abrir espaço para a arte dos cenários, deixando-nos com a minha forma favorita de HUD, a inexistente.

SF5

O diálogo é uma estranha mistura, pouco natural em diversos momentos, fluído noutros, e realmente divertido em certas ocasiões, chegando a arrancar-me uma gargalhada. É raro ter tais extremos de qualidade num universo tão reduzido, deixando em dúvida o que se irá encarar na versão mais longa. Infelizmente, a locução não ajuda a esconder o diálogo menos inspirado, variando loucamente em qualidade de personagem para personagem e cena para cena. Acabei por sentir, também, a falta de uma opção de voice-over em português, sabendo que esta não é uma prioridade.

SF7

Com tudo isto, a minha parte favorita de toda a experiência terá sido, certamente, a música, que me deixou de olhos fechados a desfrutar do relaxante background do menu inicial durante largos minutos antes de premir New Game (depois fui ouvir Black Sabbath, para compensar). Completei o curto episódio por duas vezes, em cada intervalo do meu treino na guitarra (está a correr bastante bem, obrigado por perguntarem), e completei a minha incursão na indústria nacional lendo o website da SB Games, sinal de que ficara pelo menos curioso em relação à continuação do seu trabalho.

SF2

Fui deixado com uma expectativa controlada. Se, por um lado, me sinto imerso no mundo que me apresentam, por força da visão e audição, pequenas falhas magoam a experiência quando a tento completar. Sebastian Frank: The Beer Hall Putch poderá ser o primeiro real point-and-click que completo (sim, admito que nunca o fiz, sou terrível com puzzles), ou poderá cair na mediocridade, talvez até seja ambos, mas, se The Vienna Prologue é um bom exemplo do que podemos esperar, acredito que terá mais pontos fortes que fracos.

up
Veredicto
Uma introdução com altos e baixos, mas que deixa um bom travo e um desejo por mais aquando do seu fim prematuro.
Plataforma
PC
Produtora
Sebastian Frank Games
Autor: Nuno Viegas Pesquise todos os artigos por

One Comment on "Sebastian Frank: The Vienna Prologue"

  1. Sebastian Frank 26 January 2016 at 12:53 - Reply

    Obrigado pela review. 🙂
    Informamos que o jogo está de momento numa campanha de crowdfunding no Indiegogo.

    http://igg.me/at/sebastianfrank

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