Shadow of Memories

6
Longevidade: 7/10
Jogabilidade: 5/10
Gráficos: 6/10
Som: 6/10

Premissa inovadora | História interessante | Resolução satisfatória

Jogabilidade muito limitada | Curta duração de jogo | Problemas de localização

Em 2001, algumas das perguntas que fervilhavam nas cabeças dos developers passavam não apenas por perceber em que máquinas de nova geração apostar, como também pelas novas janelas que se abriam para dar largas à sua imaginação. A sexta geração de consolas trouxe consigo níveis de criatividade impressionantes, e sendo a PS2 a consola mais bem-sucedida da sua época, com mais de 3000 jogos editados, tem de tudo, para todos os gostos. Alguns géneros nasceram, outros deixaram-se ficar adormecidos. E, no meio de obras-primas e shovelware, ficaram perdidas algumas pérolas que parecem não pertencer a lado nenhum.

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Shadow of Memories foi editado em 2001 pela Konami. Inicialmente disponível apenas para a PS2, foi mais tarde adaptado à primeira XBox, ao PC e, oito anos depois, à PSP. Trata-se de uma aventura gráfica do mais peculiar que já encontrámos. A premissa é o seu ponto forte: O nosso protagonista, Eike Kusch, é morto nos primeiros momentos do jogo. Recupera os sentidos no “além”, onde é contactado por uma entidade misteriosa que lhe proporciona uma segunda oportunidade. Cabe-nos a nós conduzir o destino de Eike, ao longo dos oito capítulos de jogo, e tentar descobrir quem nos quer matar e porquê. Para isso, temos acesso a um dispositivo de viagem temporal. A estrutura do jogo é simples; em cada capítulo somos vítimas de um assassinato e temos que voltar atrás no tempo para tentar impedir a nossa morte, saltando entre fios temporais para adquirimos objectos fulcrais para a nossa sobrevivência.

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Shadow of Memories é um quebra-cabeças gigante, um enigma que se desvenda descobrindo pistas e conversando com as muitas personagens que povoam a pequena vila alemã onde se desenrola a acção. À medida que saltamos no tempo, temos a oportunidade de explorar a vila em várias fases da sua história, desde a idade média até ao presente (o presente de 2001, pois claro). Não há combate, não há barra de vida. Apenas temos que ter atenção às unidades de energia necessárias para viajar no tempo, apanhando-as ao longo do caminho, e aos diversos temporizadores, um por cada fio temporal, que nos obrigam a resolver os mistérios em tempo real antes de chegar “a nossa hora”.

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Saído no mesmo ano de GTA III, Shadow of Memories é um passo ambicioso na direcção dos jogos open world que viriam a dominar o panorama anos mais tarde. No entanto, embora possamos explorar a vila e conversar com os vários personagens ao nosso ritmo, a verdade é que não há muito para fazer. A jogabilidade resume-se a viajar de época em época reunindo pistas e objectos, assistindo ao desenrolar da história ao longo de longas cutscenes. Felizmente, a experiência é interessante o suficiente, especialmente para quem gosta de enredos de ficção científica. O tom da localização em língua inglesa nem sempre é o mais indicado para a intensidade dramática das cenas, mas lembremo-nos que em 2001, a noção de jogos para adultos ainda era algo alienígena. Em todo o caso, as vozes são competentes o suficiente para não se tornarem embaraçosas, e de um modo geral o jogo tem uma atmosfera sonora adequada. Os gráficos, se já não eram geniais na época em que o jogo foi lançado, hoje em dia ainda nos parecem menos impressionantes, mas cumprem a sua função. Num jogo em que na maior parte do tempo o jogador está parado a seguir a história, a parte gráfica é fundamental, e arriscamos dizer que Shadow of Memories tem o seu charme. Afinal, a Konami raramente nos desilude.

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O jogo é curto, muito curto. Da primeira vez em que se joga, quando é impossível saltar as cenas animadas, o tempo de jogo rondará entre as 3 e as 5 horas. Mas uma das características mais interessantes de Shadow of Memories é o facto de ter vários finais muito diferentes, dependendo das escolhas que fazemos ao longo da experiência. Se em alguns casos a promessa de finais diferentes é meramente cosmética, neste caso é bastante importante, visto que em cada um dos finais o nosso destino é realmente muito diferente.

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Tudo somado, Shadows of Memories é um jogo obrigatório para quem gosta das temáticas das viagens no tempo, sendo que não são muitos os exemplos que se podem encontrar de jogos com este tipo de mecânicas. À primeira vista, é um jogo que parece não ter originado grande descendência, mas do outro lado do mundo, David Cage haveria de continuar a tendência de novela interactiva em títulos como Fahrenheit (2005) ou Heavy Rain (2010). Há uma pequena parte de nós que não consegue deixar de pensar o que seria de Shadow of Memories se fosse produzido com a tecnologia dos dias de hoje… Remake, Konami?

Autor: Goncalo Neto Pesquise todos os artigos por

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