Shadow of the Colossus

10
Longevidade : 10/10
Jogabilidade : 10/10
Gráficos : 10/10
Som : 10/10

As paisagens, os colossos, a banda sonora e a envolvência que proporciona

Review 4×4

Review Principal

Às vezes a vida presenteia-nos com pessoas capazes de deixar uma marca indelével no nosso percurso, pois sentimos que a sua passagem nos moveu. Porque alterou a nossa forma de ver o mundo, de o perceber ou porque sentimos que avançámos um pouco mais.

Noutras ocasiões, essa dádiva materializa-se de forma um pouco diferente. Foi o que aconteceu em Shadow of the Colossus. O título de acção/aventura da Sony é uma verdadeira experiência multisensorial que nos envolve a partir do primeiro minuto.

O jogo inicia-se com o nosso personagem – Wander – a deambular no seu cavalo por uma vasta paisagem, acabando por entrar num território proibido. Transportando consigo o corpo da falecida Mono – uma figura feminina de quem pouco se sabe – Wander chega ao Shrine of Worship, onde reside Dormin, uma entidade superior capaz de ressuscitar os mortos. Após ouvir as intenções do viajante – e apercebendo-se de que este tem na sua posse uma espada antiga – Dormin dispõe-se a aceder ao seu pedido. Em troca, exige que este derrote os ídolos presentes no templo em que se encontram, encarnados em colossos espalhados pela terra proibida. Wander aceita o desafio, consciente de que, tal como sublinha Dormin, o preço a pagar poderá ser elevado.

Começa assim a nossa aventura. Munidos apenas de uma espada e de um arco, e tendo como única companhia o nosso fiel cavalo, Agro, a nossa missão é encontrar os colossos, descobrir os seus pontos vitais e derrotá-los. Para os encontrar, basta levantarmos a espada num local iluminado. O nosso destino será revelado quando os feixes de luz emitidos pela nossa arma se concentrarem num só ponto.

Geograficamente, o limite é a nossa imaginação. Apresentando um território vastíssimo, Shadow of the Colossus oferece-nos uma sensação de liberdade imensa. É precisamente o que sentimos quando atravessamos todo o tipo de paisagens, de montanhas a vales, passando por desertos, rios, cascatas, florestas, entre outros encantos naturais. Tal produz um jogo de luzes fantástico, que ora nos traz para uma colina verdejante e banhada pelo sol, como nos imerge nos mais soturnos vales, sombrios e cinzentos, num sítio onde a esperança parece não entrar. Na verdade, o cenário contribui em muito para a constante sensação de pequenez que nos invade ao longo do jogo.

Outra sensação que nunca nos abandona é a solidão. O diálogo é inexistente e a ausência de outros personagens é quase total. São diferenciais muito bem trabalhados, que realçam o peso do nosso fardo – como que um reminder constante da tarefa que nos compete só a nós, de uma responsabilidade que assumimos voluntariamente.

Quanto ao prato principal – os colossos – pode dizer-se que são verdadeiramente imponentes. Assim que vemos o primeiro, apercebemo-nos claramente do que Dormin queria dizer com “o preço a pagar poderá ser elevado”. Uma eventual sensação de poder que poderemos ter sentido é imediatamente reduzida a pó, quando nos colocamos frente a frente com as criaturas. Criaturas  cujos detalhes e movimentos são impressionantes, num espectáculo visual que retira o melhor do grafismo da PS2 (e cujo potencial foi maximizado na reedição do jogo em HD, para a PS3, num pack que inclui Ico, desenvolvido pela mesma produtora). Quer se movimentem na terra, sobrevoem os ares ou se escondam em lagos, todos os colossos, de forma mais ou menos evidente, impingem-nos uma sensação de respeito e deferência.

É em contexto de batalha que o melhor do jogo se conjuga, para proporcionar entretenimento na sua forma mais pura. Aos cenários – os  quais deveremos explorar para sobreviver – e à imponência dos colossos junta-se a banda sonora, de uma mestria cinematográfica. É esta que transmite o pulsar do confronto, alterando-se em função dos nossos progressos e retrocessos. Como uma sombra, acompanha o nosso pânico quando nos deparamos com um colosso violento mas também nos enche o ego quando atingimos uma zona vital do inimigo. Os sons ambientes são reduzidos ao essencial. Assim, muitas vezes, tudo o que se ouve é o cavalgar de Agro, a nossa respiração ofegante e o deambular do vento. Um realismo igualmente presente nos movimentos de Wander – visível em aspectos como as várias pausas necessárias para recuperar o fôlego ou os pés e braços que se movimentam debaixo de água, para que possamos manter-nos à superfície.

O minimalismo de Shadow of the Colossus, além de intrigante, é viciante. Sem fillers nem sidequests, o nosso objectivo prossegue, colosso após colosso. As cicatrizes psicológicas (leia-se, frustração e impaciência) que uma batalha pode deixar em nós são rapidamente substituídas pela grandeza que nos invade após mais uma vitória. Trata-se de um ritual aditivo que se repetirá, no mínimo, 16 vezes e que nos consumirá muita paciência e horas de jogo.

Não é, portanto, surpreendente que seja considerado um dos títulos mais marcantes de sempre na história dos videojogos e que a crítica especializada o tenha acolhido com cotações sempre superiores a 90%.

Às vezes a indústria presenteia-nos com jogos capazes de deixar uma marca indelével no nosso percurso de gamers, pois sentimos que a sua passagem nos moveu. Porque alterou a nossa forma de jogar videojogos, de os perceber ou porque sentimos que avançámos um pouco mais. Shadow of the Colossus é uma dessas dádivas. Soube tirar partido da fórmula less is more, focando-se primariamente na nossa missão e reservando os detalhes para aquilo que realmente requer a nossa atenção. Uma sensibilidade que poucos conseguem. Uma mestria que separa um videojogo de um verdadeiro colosso.

 

Visto por: João Sousa

 

Aqui está um épico até para quem não gosta de épicos (como é o meu caso). É um jogo solitário e silencioso com momentos simplesmente inesquecíveis. É diferente de tudo que foi feito até então e de todos os que foram criados depois dele. Por essa coragem, originalidade e valor estético este jogo é muito próximo de uma obra de arte.

Pontuação: 10

 

Visto por: Luís Filipe Teixeira

 

Este é um jogo que consegue ser simples e complexo ao mesmo tempo. Simples porque temos uma única finalidade ao longo da aventura: encontrar e destruir o próximo monstro. A complexidade surge quando nos apercebemos que cada monstro possui um ponto fraco diferente. E encontrá-lo? Não nos podemos esquecer também da característica que distingue esta obra arte de muitas outras: o ambiente. Vivemos num mundo isolado, sem vida e isso é perfeitamente recriado não apenas de forma visual, mas também sonoramente.

Pontuação: 9

 

Visto por: Diogo Cunha

 

Normalmente os momentos mais interessantes e mais memoráveis dos videojogos são as batalhas com os bosses no final dos níveis. Mas, até chegar a estes, o jogador percorre o chamado “conteúdo” do jogo, as dezenas de inimigos para derrotar, puzzles para resolver, histórias para ver, etc. Shadow of the Colossus destaca-se porque descarta todo este “conteúdo”: consiste apenas em 16 batalhas com bosses e no caminho solitário até chegar a estes. O encanto do jogo está na sua escala, tudo é épico e enorme. O mapa parece ter sido importado directamente de um livro de Tolkien e os colossos são gigantescos e aparentemente invencíveis à beira do pequeno personagem.

Pontuação: 10

 

 

Autor: Margarida Cunha Pesquise todos os artigos por

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