Shootmania Storm

9
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 8/10
Som: 8/10

Jogabilidade simples e fluida, de rápida aprendizagem

Ser simples demais poderá alienar alguns jogadores

O Trackmania e as suas várias iterações são um caso de sucesso inegável no seio da comunidade gamer. O que consistia num jogo simples de corridas é compensado por um sistema competente de world rankings, forçando a competição entre os jogadores de forma a obter os melhores tempos. Para além do mais, a inclusão de um simples “level creator” levou a que muitos utilizadores criassem os seus próprios circuitos e os partilhassem na internet para que todos os outros jogadores pudessem também competir nos mesmos. Esta funcionalidade não é propriamente incomum nos videojogos, mas o sucesso que teve no Trackmania é inegável. Há algum tempo atrás o estúdio Nadeo, responsável pela franchise, anunciou que estaria a desenvolver um outro jogo, neste caso este mesmo Shootmania. Num mundo povoado por imensos FPS, tanto single player, como MMO ou mesmo até alguns gratuitos, a comunidade aguardava com expectativa para ver em que este Shootmania se conseguia demarcar dos demais. Desde cedo foi prometido um jogo simples, viciante e altamente customizável por parte dos fãs e até ao momento, tudo indica que assim o seja.

Shootmania Storm é um jogo de habilidade e reflexos rápidos. Existem diversos modos de jogo, mas na sua maioria todos os jogadores estão equipados com a mesma arma, que é uma mistura entre lança rockets e uma “rail gun”. Dessa forma todos os jogadores estão ao mesmo nível, não é preciso jogar-se imensas vezes e obter “experiência” para se desbloquearem novas armas ou habilidades que confiram uma vantagem, como se faz em muitos outros FPS populares. Aqui um jogador é bom mesmo pela sua habilidade. Os tiros são um pouco lentos face à capacidade de movimentação que temos, e como apenas podemos disparar uns 4 ou 5 tiros seguidos inicialmente, obrigando o jogador a esperar um pouco até “recarregar” a arma, temos mesmo a ter uma pontaria exímia, sorte, ou ambos, para conseguirmos obter uma boa pontuação. Existem pois certos modos de jogo que permitem utilizar diferentes habilidades para além do básico, mas já lá vamos. Existe também uma certa “física” que envolve a movimentação do jogador. Para além de existirem espalhados pelas arenas vários “jumping pads” que não são nada estranhas a quem já tenha jogado um Quake III Arena, ou pistas de aceleração, os jogadores possuem também uma barra de “stamina”. Ao utilizar essa mesma stamina em conjunto com o terreno que estamos a atravessar, podemos controlar de certa forma a aceleração que temos, ou mesmo planar no ar. É um pouco complicado de descrever, mas é mais um elemento importante para os jogadores exímios.

Inicialmente Shootmania foi distribuído com os seguintes modos de jogo: Royal, Joust e Elite. Royal é possivelmente o modo de jogo mais básico que existe neste pacote inicial. É uma variante do velhinho deathmatch, onde todos os jogadores lutam entre si e podem aguentar com 2 tiros cada. Para além do mais, todas as arenas possuem uma coluna central que, quando activada, gera uma espécie de tornado em volta da arena que vai encolhendo com o tempo, matando todos os jogadores que por ele são apanhados. Os jogadores têm então de sobreviver o maior tempo possível, chegando ao cúmulo de lutar em espaços muito fechados, o que resulta numa experiência bastante competitiva. Joust apresenta um modo de jogo de 1 contra 1, onde dispomos inicialmente de 5 disparos e uma armadura capaz de aguentar com 7 tiros certeiros. O objectivo é naturalmente eliminar o adversário, mas para restabelecer as munições teremos de procurar alguns postes específicos para o efeito. Elite, como o próprio nome indica, é um modo de jogo reservado para jogadores mais experientes, onde os combates decorrem em equipas de 3 e alternadamente se joga 3 contra 1. Os 3 da equipa atacante possuem as habilidades e arma standard, enquanto o jogador defensor solitário está munido de uma arma laser bem mais rápida e precisa, bem como possui uma defesa maior, capaz de aguentar com 3 disparos certeiros. Quando um lado vencer, a equipa do jogador que defendeu passa a atacar com os 3 elementos da equipa, contra um da equipa anterior e assim sucessivamente. Existem também outros modos de jogo oficiais que podem ser descarregados, com mais variantes de deathmatch e capture/defend, cada um com as suas peculiaridades e sempre repletos de adrenalina.

Para além do mais, tal como o Trackmania, existe uma grande capacidade de customização por parte dos jogadores. Desde criar servidores de jogo com variadíssimas regras, até criar conteúdo inteiramente novo. O jogo promete ser uma espécie de LittleBigPlanet dos FPS, na medida em que para além de ser possível criar novas arenas, é também possível criar novas texturas ou skins para personagens, assim como importar novos objectos 3D para quem for mais experiente. As próprias ferramentas do jogo dão liberdade para se criarem novos modos de jogo, que até poderão ir contra a filosofia simplista por detrás do Shootmania se o criador assim o desejar. Para além do mais está também incluído com o jogo um editor de replays bastante completo, para quem quiser gravar e “embelezar” as suas façanhas.

Visualmente faz lembrar uma mescla entre o filme Tron e algo mais épico, quiçá um Indiana Jones. A parte de Tron é facilmente identificável com os jogadores com as suas vestimentas coloridas e luminosas, assim como os próprios disparos. A parte mais épica está claro nos cenários, que parecem todos passados em estranhas arenas antigas, mas ainda assim com algum equipamento futurista, como as pistas de aceleração ou as tais jump pads. Visualmente é então um jogo bastante agradável, em primeiro lugar por ser fluído, em segundo precisamente por essa dicotomia de elementos futuristas e “estranhos” se fundirem com paisagens naturais verdejantes e gigantes estruturas antigas. A música é também ela bastante agradável, tendo sempre uma toada electrónica e futurista, adequando-se igualmente perfeitamente ao ritmo frenético que o jogo incute. O interface dos menus, baseado em “tiles” como tão habitual é em alguns dispositivos touch-screen actuais é igualmente simples e atractivo, mas para quem procurar customizar as suas partidas, depara-se com imensos parâmetros que à partida não se sabe para que servem, forçando o jogador a ir procurar essa informação de outra maneira.

Posto isto, Shootmania é um jogo bastante divertido, pelos modos de jogo que já foram desenvolvidos assim o mostram. O seu design simplista aliado a uma estrutura de jogo que força a competitividade ao máximo, tornam este jogo numa experiência repleta de adrenalina, capaz de agradar tanto a quem está a jogar Shootmania pela primeira vez, como os jogadores mais experientes. Ainda assim a ideia de um jogo tão simplista poderá não agradar a toda a gente, especialmente no mercado dos jogadores hardcore de PC, pelo que se questiona se a Nadeo criará alguns outros modos de jogo mais “complexos” no futuro. As possibilidades que o jogo oferece para a comunidade contribuir com conteúdo inédito têm também um potencial enorme, aguardo com expectativa para ver os seus frutos. Independentemente do que o futuro reserva para este Shootmania, é um jogo divertido e viciante que recomendo.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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