Skillander

Quem quer ports compra uma Playstation, quem quer arcades vai à Playstore!

Skillander deixa-me dois pensamentos amargos: não possuo qualquer capacidade motora e nunca o jogaria se estivesse mesmo a pagar pelos créditos numa arcade. Felizmente, por não se verificar o segundo posso minimizar a tristeza do primeiro. A premissa é extraordinariamente simples: leva em segurança uma nave desde uma plataforma de lançamento até uma plataforma de aterragem. Para o fazer há quatro comandos possíveis: avança, recua, gira para a direita, gira para a esquerda. O truque aqui está em como se usam estes comandos, e como se usam depende largamente das regras do jogo. O inimigo é comum: o terreno, fixo ou móvel, mas o que o circunda varia: tanto pode ser terra como espaço.

Na terra tudo funciona como nos seria familiar: se não estamos a acelerar, caímos, se caímos rápido, morremos, numa explosão de frustração e estupidez própria. O grande esforço aqui é perceber como manter a nave a uma altura regular, a velocidades controladas, que dêem a margem para as correcções necessárias. É a gravidade que faz Skillander parecer injusto, por ocasião. Nunca se torna claro qual a velocidade exacta que levará à destruição do nosso lander. Num jogo que exige tanta precisão, é deveras irritante decidir que estamos a descer a aterrar a uma velocidade segura apenas para ser surpreendidos por um game over ao aterrar.

Pilotar uma nave no espaço apresenta a particularidade expectável: não existe atrito nem gravidade. Na prática, isto significa que qualquer aceleração implica um movimento contínuo e uniforme até existir uma aceleração no sentido contrário. Skillander é brutal na sua honestidade. Acelerar significa mesmo acelerar, e significa acelerar tanto quanto lhe dizemos para acelerar. Não há margem de erro nem correcção de rota. Nada guia a nossa mão, para o bem de quem sabe o que faz e para o mal de quem quer aprender. E aprender aqui não é fácil. A informação não é óbvia (e que falta fazia um velocímetro) e o tutorial ensina como usar os comandos sem ajudar realmente a compreendê-los. É preciso jogar mesmo, repetidamente, para perceber como jogar bem e desde o primeiro nível não há paninhos quentes.

Cada tentativa é um crédito, e os créditos podem ser comprados (as vidas ilimitadas não chegam a custar 3 euros) ou ganhos através de anúncios. Há umas dezenas de níveis, mas são precisos bem mais de umas dezenas de créditos para os ultrapassar. Até porque temos o constante lembrete do quão mau e ineficazes somos ao começar a reparar no tempo a bater para chegar às medalhas (o bronze já me deixava feliz) ou para subir lugares no ranking. Os raros momentos em que a nave fica irremediavelmente presa num canto, incapaz de se soltar, são por isso mesmo ainda mais frustrantes.

Skillander não é uma obra de arte, mas não o pretende ter. A estética é lisa, simples, e mostra bem o que está a acontecer, sem fazer por deslumbrar. Existe por existir, porque tem de existir, mas, sinceramente, para mim isso basta. É funcional, como precisa de ser. A música passa igualmente despercebida, nem incomoda nem faz por se notar.

O maior elogio que posso fazer a Skillander veio no início: se estivesse numa arcade nunca o jogaria, e bem que podia estar numa arcade. É por isso que existe: para me fazer achar que instalei um emulador para o jogar, para fazer com que me aperceba do quão incapaz sou de o jogar, para me mostrar o quão bom é poder jogá-lo agora, e não quando tinha mesmo de usar o cartão de crédito para passar o primeiro nível, e fazer com que alguém me desse crédito. Para quem quer nostalgia, há remakes, para quem quer mesmo ir às arcades, há Skillander.

 

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Veredicto
Para quem quer nostalgia, há remakes, para quem quer mesmo ir às arcades, há Skillander, não há melhor forma de o descrever!
Plataforma
Android
Produtora
Selective 509
Autor: Nuno Viegas Pesquise todos os artigos por

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