Sly Cooper Thieves in Time

7
Longevidade : 8/10
Jogabilidade : 7/10
Gráficos : 9/10
Som : 6/10

Antepassados do Sly como personagens jogáveis | Sentido de humor

Dificuldade demasiado reduzida | Tempos de loading sofríveis

Depois de um interregno de mais de 7 anos, a série Sly está de volta, e com ela a velha equipa, com Murray, Bentley e claro Sly Cooper. Após um aparente desinteresse da Sucker Punch Productions em continuar a desenvolver esta franchise, apostando claramente na do Infamous, esta volta à vida pelas mãos da Sanzaru Games, que a título de curiosidade começou a trabalhar nela sem a permissão explícita da Sony, sendo que esta apenas foi atribuída posteriormente, após terem ficado impressionados com o bom trabalho da Sanzaru Games a trazer o Sly de volta às consolas.

Os fãs da série estarão claramente familiarizados com o Thievius Raccoonus, uma espécie de “bíblia” do clã Cooper onde estão descritas várias histórias de todos os seus antepassados ninja e das suas habilidades.

Em Sly Cooper Thieves in Time, Bentley ao consultar o Thievius Raccoonus descobre que muitas das passagens deste estão a desaparecer, a serem limpas da história, e percebe que existe algo ou alguém por detrás deste estranho acontecimento, que estará a manipular acontecimentos passados de forma aos antepassados de Sly não atingirem a sua suposta glória. Para impedir que isto continue, e para remediar a situação, ele põe de imediato mãos ao trabalho, construindo uma máquina do tempo e reunindo a equipa para uma nova aventura, desta feita por múltiplos locais e períodos temporais diferentes.

Para os fãs mais cépticos pela mudança de produtora, não existem razões para alarme, sendo que este título é bastante fiel à mística de Sly Cooper. De facto essa é uma razão para potenciais críticas, visto não ter sido corrido qualquer tipo de risco para erguer esta saga a um nível ainda mais elevado de qualidade e diversão, embora tenham sido introduzidos novos elementos, mas nada de muito inovador face a outros títulos no mercado.

Existem 5 mundos diferentes para explorar: Japão Feudal, Faroeste, Idade do Gelo, Inglaterra Medieval e a antiga Arábia. 6, se considerarmos o breve prólogo que ocorre em Paris. Cada localização distinta vai-nos oferecer uma experiência única, mas sempre com o mesmo objectivo, ajudar o antepassado do Sly a sair de uma situação complicada, após a linha temporal ter sido manipulada por alguma força obscura ainda desconhecida. Em cada mundo, após termos progredido o suficiente na história, desbloqueamos um novo fato para o Sly, o qual lhe concede novas habilidades em troca de outras que já possui, nomeadamente agilidade.

Todas as personagens que já foram outrora jogáveis voltam a sê-lo neste título, pelo que para além de Sly Cooper podemos contar também com Murray, Bentley, Carmelita Fox e também com todos os antepassados de Sly. Isto permite introduzir vários estilos de jogo diferentes, variando de personagens mais orientadas a stealth (o suposto género do jogo) para outras mais orientadas a puro brawl, distribuindo pancada em tudo o que mexe. Cada um dos antepassados do Sly traz também consigo uma habilidade especial própria, o que concede ainda mais diversidade ao jogo.

Isto é bastante positivo na sua maior parte, uma vez que permite uma mudança de passo regular, impedindo que a jogabilidade se torne aborrecida a dada altura. Todavia é natural que algumas das personagens não sejam apropriadas para o vosso estilo de jogo, o que pode originar partes onde o sentimento será de as “despachar” para prosseguir com a história, como por exemplo os mini-jogos que o Bentley nos “oferece”.

A jogabilidade tem por isso os seus altos e baixos, mas estes últimos são mais raros, pelo que no conto geral a jogabilidade encontra-se a um nível bastante bom, tendo apenas uma falha fatal, a meu ver: a dificuldade bastante reduzida. Para alguém que se devia ter que deslocar pelas sombras, como Sly, não existe real necessidade de o fazer, pois entre os vários inimigos grande parte deles são derrotados sem grande esforço e a outra podemos passar à frente deles sem qualquer problema pois facilmente conseguimos fugir destes e evitar qualquer tipo de perigo real. Os elementos stealth e sneak esperados são portanto ignorados em grande escala, tirando as excepções onde certos segmentos obrigam efectivamente a não sermos vistos ou o facto do jogador optar por vontade própria deambular pela arte do roubo.

Os combates com os bosses são o único ponto do jogo onde dei por mim a perder vidas, sendo a única parte desafiante do jogo. Estes estão bastante bem trabalhados, e colocam-nos um sorriso na cara depois de os derrotarmos. Pecam apenas por usarem a tradicional mecânica de jogo à volta de padrões de ataque, sendo que, depois de os analisarmos em cada ronda, tudo se resume a uma questão de timing e da vossa destreza como jogadores.

Em adição às várias quests que terão de realizar para prosseguir com a história, cada mundo é uma caixinha de surpresas, contando com vários segredos que merecem ser explorados. Cada nível tem um cofre, o qual só poderá ser aberto após terem sido descobertas as 30 garrafas de pistas espalhadas pelo cenário. Existem também vários tesouros e máscaras perdidas, as quais apenas serão recuperadas com alguma ingenuidade da vossa parte.

Isto concede ao jogo uma longevidade relativamente grande, pois requer algum tempo a explorar o mapa. Algo que, devo dizer, é bastante apelativo, visto os cenários estarem bastante ricos e desta forma conseguirmos dar azo a todas as habilidades ao nosso dispor, uma vez que nem sempre o temos que fazer na história principal. Por outro lado, para quem apenas pretender fazer a história principal, o jogo consegue-se passar relativamente depressa, sendo que a dificuldade acessível muito contribui para tal.

Quanto ao som, devo admitir que estou um pouco dividido, pois reconheço que foi feito um trabalho exemplar, mas dou por mim a achar a música por vezes irritante. O genérico, por exemplo, é algo que já me custa ouvir, o que é algo estranho, visto tipicamente ser aquela música que nos fica sempre no ouvido.

Por fim, falta apenas referir que por vezes existem alguns problemas com a câmara do jogo, a qual é posicionada de uma maneira bizarra – o que se poderia tornar problemático, caso tivéssemos realmente que reagir de forma célere, o que apenas é necessário nas lutas com os bosses, e nas quais não tive este problema da câmara.

Os tempos de loading também são eles sofríveis, o que nos leva a querer cortar os pulsos sempre que temos que ir ao esconderijo, mas enfim, este já é um mal próprio de todas as portáteis da Sony, ao que parece. Ainda bem que usam cartões de memória próprios por motivos de desempenho… porque eles fazem realmente toda a diferença e justifica o seu preço alucinante… ou não.

Autor: Jorge Fernandes Pesquise todos os artigos por

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