SNK Heroines: Tag Team Frenzy

Girl Power?

Quando era mais miúdo era um aficionado em jogos de luta. Street Fighter II ainda é, para mim, um dos melhores de sempre, ainda que também tenha adorado outros, como Mortal Kombat, Fighters Megamix, Tekken, etc. Apesar disso, admito que já há bastante tempo que não pegava neste tipo de jogos. No entanto, ultimamente tenho sentido bastante vontade de voltar a andar à porrada (virtualmente falando claro!). Acho que esse desejo é proveniente sobretudo de estar ansioso por deitar as mãos a Dragon Ball FighterZ, mas, antes disso, chegou-me aqui à Switch o SNK Heroines: Tag Team Frenzy, um título divertido, e um que hoje arrisca ser considerado de mau gosto e ver o nome arrastado na lama pelos Social Justice Warriors.

Vamos ser sinceros, existe aqui um claro aproveitamento da figura feminina numa espécie de fetiche adolescente, num jogo que tem o mesmo tipo de sex appeal de um Dead or Alive (com o seu atrevido motor físico) ou de um Fighting Vipers (com as suas armaduras quebradiças). Basicamente, esta é mais uma ode a glândulas mamárias bem desenvolvidas, num conjunto de lutadoras de artes marciais maioritariamente voluptuosas… será algo assim tão parvo e ofensivo? Parvo é, um bocado, mas acho que este e os restantes jogos, que dentro do género são perfeitamente inofensivos, nada mais do que uma fantasia pateta, que serve de chamariz para o público mais jovem. E sim, confirmo que esse tipo de golpe de Marketing funcionou comigo, quando adolescente, como pretexto (secreto) para adquirir os jogos que referi anteriormente.

Tenho que admitir, porém, que não sou grande conhecedor das personagens da SNK, não me saltam à memória grandes nomes como as personagens da Capcom, das quais uma grande maioria do elenco é memorável. Neste SNK Heroines: Tag Team Frenzy senti-me um pouco perdido sobre quem era quem, até porque estas heroínas aparecem de origem com trajes alternativos aos seus originais. Só reconheci a Mai pela sua pose típica de quem, por alguma razão “desconhecida”, sofre das costas… é que o seu famoso kimono vermelho é aqui substituído por um disfarce de vaca em bikini… e estou mesmo a dizê-lo literalmente! Isto acontece porque o homem por trás da cortina, ou neste caso, por trás do capuz, raptou as lutadoras para uma dimensão à parte onde cada batalha é encarada com um espetáculo fetichista, daí a justificação de trajes que tentam ser ainda mais relevantes que o habitual. A opção por estes trajes alternativos não me parece a mais adequada, visto que assim se dificulta a empatia e reconhecimento das personagens. Todavia, pressupõe-se que desbloquear trajes adicionais (incluindo os originais) torna-se uma das principais motivações para continuar a jogar.

A jogabilidade em si é a que se esperaria neste género, contudo, com alguns twists. Os inputs de golpes são iguais para todas as personagens, independentemente do estilo de luta delas, e os ataques especiais são ativados com um simples toque num botão. Isto faz com que o jogo seja bastante acessível para qualquer jogador iniciante, ainda que a dificuldade dos combates em si até possa ser elevada.  Escolhemos uma lutadora principal, bem como uma ajudante no típico Tag Team que não é novidade em jogos de luta, algo que, sinceramente não é propriamente uma ideia que considere demasiado interessante, apesar dos combates em si serem dinâmicos e divertidos. É apresentada a ideia original de apenas podermos vencer se, num momento final de fraqueza das adversárias, conseguirmos despoletar um golpe especial (o que é simples, visto que basta carregar o botão “R”). Isto permite que os finais sejam sempre espectaculares, ainda que, por vezes, não tenhamos energia suficiente para os activar. A utilização de itens especiais, como por exemplo uma mola que permite saltar mais alto, é também menos comum e divertida, além de poder ser praticamente ignorada. Outro dos aspectos que parece ter sido esquecido, são os cenários de batalha cuja variação é mínima, o que denota muito pouca criatividade (ou, em alternativa, pensaram que com uma data de mulheres descascadas a lutar na lama, ninguém olharia para o fundo).

Rapidamente se termina o modo história, contudo, é possível prolongá-lo se tentarmos fazê-lo com todas as combinações de duplas de personagens, porém… qual é a motivação? Cada cutscene entre combates apresenta as heroínas que escolhemos e as suas linhas de diálogo tentam retratar diferentes personalidades, que reagem a uma ameaça comum. No entanto, no fim de contas, a história e planos são sempre exactamente os mesmos, sendo que o único aspecto que altera são as falas das heroínas em si, que não são, de todo, assim tão fantásticas, ao ponto de valer a pena jogar para ler todas. Só resta poder desbloquear novos fatos e costumizar as personagens, algo que pode ser feito a partir do dinheiro ganho no jogo.

Claro que um título de luta vive essencialmente de o podemos jogar com amigos e aqui, logicamente, temos essa hipótese. Seja online ou com os amigos no sofá, esta é uma experiência muito árcade, a qual, sem dúvida, entretém e diverte. Por outro lado, não pensem isto como um claro exemplo “de primeira linha”, mas sim apenas como um spin-off disparatado e um pouco preguiçoso. Certamente, que nos próximos tempos todas as atenções relativas ao género em questão na Switch, estarão focadas em Dragon Ball FighterZ, no entanto, para “desenjoar”, temos SNK Heroines: Tag Team Frenzy que é um jogo divertido, mas um que, provavelmente, não interessará a mais do que aos fãs veteranos da SNK e a jovens com as hormonas aos saltos.

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Veredicto
Um jogo de luta divertido e acessível, mas que, infelizmente, não vai muito além disso.
Plataforma
Nintendo Switch
Produtora
SNK
Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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