Sonic the Hedgehog

Review 4×4

Review Principal

Se existiu jogo que tivesse colocado a Sega no topo do mercado dos videojogos, pelo menos durante um certo período, não é nada difícil de adivinhar que o responsável por tal façanha seja um certo ouriço azul que corre que se farta. Contudo, Sonic the Hedgehog não foi a primeira mascote da Sega. Num mundo onde Super Mario era rei e senhor, a empresa nipónica já nos tinha tentado convencer com Alex Kidd ou até certo ponto Wonderboy, cujas séries, apesar de terem alguns títulos muito fortes, nunca foram propriamente sucessos comerciais. Tal também se deve ao facto da Master System, na década de 80, ter tido muita dificuldade em se afirmar no mercado. No entanto, no final dessa mesma década, a Sega lança a sua Mega Drive, com a qual vai com tudo para cima da Nintendo, começando por procurar uma nova mascote que se adequasse à imagem que tentava transparecer – a de uma consola fixe, repleta de adrenalina e títulos cheios de acção. Embora nessa altura tivessem surgido mais candidatos, tal como a dupla ToeJam & Earl, que mais tarde também vieram a receber os seus jogos, a escolha acaba mesmo por recair no trabalho que Yuji Naka e sua equipa estavam a desenvolver. O resto meus amigos, é história!

O conceito deste Sonic the Hedgehog era simples. Dr. Ivo Robotnik (ou Eggman, como mais tarde também veio a ser conhecido por cá) era um daqueles cientistas com planos maquiavélicos para conquistar o mundo. No caso de Robotnik, com o seu exército de robôs. Porém, para os construir precisava de usar os pobres animais da South Island, sendo que é aí que nós entramos com Sonic, com o objectivo de o impedir, o que resulta sempre que derrotamos um robô de Robotnik, na libertação de um animalzinho, um detalhe que sempre apreciei.

Nas primeiras vezes que o joguei, era sem dúvida a velocidade, aliada aos níveis bastante coloridos, que mais me chamavam à atenção. Contudo, com o passar do tempo, fui-me apercebendo que tanto Sonic the Hedhgehog, como as suas sequelas directas na era 8/16-bit, têm algo que, infelizmente, nunca chegou a ser replicado da mesma forma nos seus videojogos mais recentes, embora alguns tenham chegado perto. Aqui é mesmo no balanço entre a velocidade e o platforming tradicional que este título ganha força. Tanto podemos estar a percorrer áreas com uma velocidade estonteante, que quase parece que estamos a andar numa montanha russa com loops e tudo, bem como, logo a seguir, temos de ter cuidado com abismos, espinhos, plataformas que se movem e nos levam para armadilhas, ou outros como a Labyrinth Zone e toda a sua água. Nestes níveis infames, teremos de percorrer várias zonas completamente submersas, onde os nossos movimentos são muito mais lentos e nos quais teremos de ter muito cuidado, não só com as armadilhas e obstáculos, mas também com o oxigénio. Quem nunca ficou com o coração aos pulos, de cada vez que aquela música irritante começava a tocar, juntamente com uma contagem decrescentemente sádica, que nos avisava que dentro de segundos iríamos ficar sem oxigénio e consequente perda a vida?

A própria diversidade de níveis também sempre me agradou particularmente. Começamos pela icónica e verdejante Green Hill Zone, com o seu solo num padrão quadriculado, loops e molas que nos deixam saltar mais alto. São níveis que foram escolhidos a dedo para demonstrar todas as potencialidades da Mega Drive e das mecânicas de jogo de Sonic em particular, pois há aqui um grande foco na velocidade. Como também há anéis com fartura, podemos jogar de uma forma mais despreocupada, até porque, como bem deverão saber, para além de ganharmos uma vida por cada 100 anéis coleccionados, basta termos um na nossa posse que impede a perda de uma vida, no caso de sofrermos dano. Por outro lado, se formos atingidos quando tivermos muitos anéis e nenhum escudo protector (um dos power ups!), perdemos a maioria dos que tínhamos em nossa posse.

Na zona seguinte (Marble Zone), lá parecem ter decidido meter um pouco o pé no travão, sendo que é aqui que realmente nos começamos a aperceber que Sonic não é só velocidade, mas também plataformas, já que, nesta zona repleta de lava, não faltam armadilhas a evitar. Em Spring Yard surgem algumas mecânicas de pinball, que também se tornariam tradicionais na série ao longo dos anos e, por fim, as últimas zonas, com uma temática mais industrial, mais exigentes nos segmentos de plataformas e com inimigos igualmente mais complexos, o que obriga mesmo a uma moderação na velocidade. E sim, apesar de existirem bosses no final de cada zona, no fim do jogo teremos um embate ainda mais épico.

Todavia, afirmar que gostei de tudo neste jogo não seria mais do que mentir. Na verdade, há algo que sempre me fez confusão, enquanto criança, pois apesar de ter jogado primeiro a versão para a Mega Drive, foi com a versão Master System, que tive em primeiro lugar, aquela com que mais tempo passei nos meus primórdios como gamer. Em ambas as versões existia algo que éramos encorajados a coleccionar, as esmeraldas caóticas. O seu papel ainda não era muito claro (situação que ficou resolvida na sequela), mas estas pedras preciosas eram necessárias para se obter o melhor final possível. E, enquanto na versão 8-bit nós as conseguíamos encontrar apenas a partir da exploração cuidadosa dos níveis, nas versões Mega Drive de todos os Sonics clássicos, as mesmas são coleccionadas após a chegada ao fim de um nível de bónus. Sempre achei que fazia sentido as esmeraldas serem procuradas e encontradas naturalmente, não sendo necessário sermos transportados para uma outra dimensão, jogar algo completamente diferente, sendo que apenas no caso de sermos bem-sucedidos, nos ser atribuído uma. Lógica dos videojogos! Até porque, na versão 8-bit, os níveis de bónus serviam unicamente para ganhar mais pontos e vidas, tal como seria de esperar.

Aqui, esses mesmos níveis de bónus são algo estranhos, mais uma vez com alguns conceitos de pinball e com o fundo sempre a rodar. O nosso objectivo é coleccionar o maior número de anéis, abrir caminho por entre vários blocos coloridos, que vão desaparecendo com o nosso contacto, até que consigamos finalmente “furar” até à esmeralda. Contudo, com o fundo em constante movimento, um relógio que teima em não parar e vários blocos que nos mandam dali para fora, vai ser realmente necessária alguma prática e, acima de tudo, paciência. Felizmente, temos várias hipóteses para os tentar passar, pois, para aceder a esses níveis de bónus, basta terminar um normal com mais de 50 anéis.

No fim, Sonic the Hedgehog é um excelente título de plataformas e uma autêntica pedrada no charco, quando decorria o ano de 1991, tornando-se num grande sucesso, apenas suplantado pelas suas sequelas directas. Os excelentes gráficos, bem coloridos e detalhados, a sua sensação de velocidade e músicas tão sonantes, que só de pensar nelas já as começo a assobiar, tornam este jogo num clássico absoluto que sinceramente não me canso de jogar.

 

Artigo publicado originalmente na Edição Física Nº57.

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 Veredicto                                                  
Sonic the Hedgehog é um excelente título de plataformas e uma autêntica pedrada no charco, quando decorria o ano de 1991.
 Plataforma        
MEGA DRIVE
 Produtora         
 SONIC TEAM

Visto por: Gonçalo Cardoso

Falar de um jogo tão icónico e importante como este, de uma forma minimamente original, acaba por ser tarefa difícil. Foi umas das minhas primeiras experiências no mundo dos videojogos e, mal sabia eu, que iria ser o início de uma longa jornada neste universo. Não é por acaso que este ouriço é, hoje, um símbolo dos videojogos, mesmo para os que não estão dentro deste mundo. Para mim, o que mais me marcou foi a música. Frenética e electrizante, dava ao jogo uma grande vivacidade. Ainda hoje, sei de cor, para a frente e para trás, todas as faixas de praticamente todos os níveis. Claro que os gráficos coloridos e detalhados, os níveis com uma variedade extraordinária, para altura, e a velocidade do nosso amigo, também foram bastante importantes para o que viria a ser o início de um dos maiores franchises de sempre. Este jogo está para os videojogos como o “O Padrinho” está para o cinema. Se não viste ou, neste caso, não jogaste, então pára de ler isto e vai experimentar arte no seu estado mais puro.

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Visto por: João Sousa

A Mega Drive foi a minha primeira consola. Veio num bundle com o espectacular Mega Games II (que continha Streets of Rage, Revenge of Shinobi e Golden Axe) e, como não podia deixar de ser, Sonic! Na altura, não se tinha, em casa, tanta variedade de jogos como agora, por isso cada jogo tinha que ser bem apreciado. Por tal, joguei bastante Sonic, com o qual me diverti, além de ter também entrado em stress com a música dos níveis aquáticos, porém, sou sincero, nunca fui um grande fã! Era colorido e rápido, mas, por vezes, tanta velocidade fazia-me achar o jogo um pouco automático demais. Por outro lado, as travagens forçadas, pelo embate em obstáculos, tornavam o novo arranque entediante. Ainda assim, joguei-o do início ao fim, diversas vezes, onde apreciei, sobretudo, os níveis de maior perícia, no que diz respeito aos saltos entre plataformas. Tenho, também, boas memórias dos níveis de bónus, que foram certamente originários de algum sonho psicadélico. Na verdade, naquela altura, o que eu queria mesmo jogar era algo menos rápido e colorido…algo com um certo canalizador… e só acabei por fazê-lo anos mais tarde!

 

Visto por: Sérgio Barros Cardoso

“És feliz, Sonic! Nota-se em ti uma vitalidade invejável.” Digo eu, olhando para o icónico ecrã inicial da série. “Consigo ver em ti uma confiança desmesurada com uma pitada de desdém!” Continuo, “és especial e canalizador algum pode nunca competir contigo”. Logo a seguir, confirmo: correria por prados verdes, saltava sobre a lava, máquinas infernais obliteradas e cenários futuristas navegados a uma velocidade tal, que quase nos tornam epilépticos, de tanto blast processing. Isto ao som de uma banda sonora que, ainda nos dias de hoje, me assola a qualquer hora, de tão “cantarolável” que é. “És o futuro, Sonic! A Mega Drive é o corolário da humanidade!”. Sonic era Mega Drive e vice-versa. Uma rockstar que teve aqui o seu excelente debut. Depois melhorou, reciclou, inovou e assinou por uma multinacional (neste caso a “3D records”), clamando-se constantemente pelo seu “regresso às raízes”. Mas este momento, este momento aqui, a sua primeira aparição na Mega Drive, esse… perdurará!

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Autor: Equipa PUSHSTART Pesquise todos os artigos por

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