Spice World

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Longevidade: 1/10
Jogabilidade: 2/10
Gráficos: 3/10
Som: 3/10

Spice Girls!

Um jogo simplista e curto, onde o desafio e a dificuldade são praticamente nulos

Lembram-se das Spice Girls? Claro que se lembram. Podem torcer o nariz, tecer um comentário sarcástico ou atá abanar a cabeça. Mas a verdade é que, algures no tempo, houve um momento em que ficaram hipnotizados pelas pernas de Victoria; ou pela frontalidade de Mel B; ou pela ousadia de Geri; ou pela doçura de Emma; ou pelas acrobacias de Mel C.

Depois de expandirem a sua marca por todas as áreas possíveis, a chegada de um videojogo era uma inevitabilidade que a Psygnosis tornou real. Muito bem, então o que tem para oferecer-nos Spice World? Muito pouco. No início, como seria de esperar, é-nos dada a possibilidade de escolher uma Spice Girl. Entramos então no menu principal – que consiste no planeta Spice, sobre o qual andamos para percorrer as (poucas) opções, iluminado por luzes azuis e marcado pelo ritmo de um remix do single Move Over, do álbum Spice World (lançado no mesmo ano). A primeira etapa consiste no Mixing Room, onde um DJ cool com queda para as rimas nos encoraja a escolher uma entre 5 faixas possíveis: Wannabe, Say You’ll Be There, Who do You Think You Are?, Spice Up Your Life e Move Over. Essa faixa é consequentemente dividida em 9 trechos pré-definidos, os quais podemos misturar à nossa maneira. Cada trecho é marcado por um quadrado no chão, sendo que a mistura se processa com a nossa Spice Girl a saltar de quadrado em quadrado, batendo com o pé (ou melhor, o salto alto) para escolher o pretendido. Sendo este o jogo de uma girls band, e concluída a mistura, segue-se a próxima etapa: a Dance Practice. Tal como o nome indica, nesta fase temos de entrar em estúdio e praticar uma coreografia toda zig-a-zig-ah que acompanhe a faixa anteriormente produzida. Para tal, podemos contar com algumas observações de um coreógrafo com um penteado afro à anos 70. E em que consiste a coreografia? Basicamente, em reproduzir as sequências de comandos que nos são dadas. Que é como quem diz, premir entre xis, quadrado, círculo e triângulo pela ordem que nos é apresentada.

O grau de dificuldade é praticamente nulo. Quem jogou PSX muitos anos, e já conhece os cantos à casa, ultrapassa esta etapa quase de olhos fechados. Até porque os movimentos não são assim tantos, esgotando-se nos 11. Mas a dança não fica por aqui. Depois do treino, the real thing: na fase seguinte, Dance Record, e já com os restantes membros em estúdio, é posta à prova a nossa capacidade de memória. Isto porque temos de recriar de cabeça sequências propostas na fase anterior. Mas porque é preciso fazer boa figura no próximo passo, temos de treinar individualmente as outras girls também. Felizmente é-nos dada a opção de atribuir-lhes os movimentos que gravámos para a primeira girl, o que nos poupa a cefaleia de ouvir outra e outra vez a música maluca que compusemos no Mixing Room. Finalmente – e porque, na altura, a cereja no topo do bolo consistia em… aparecer na televisão – estamos prontas para o Television Studio. É aqui que podemos armar-nos em realizadores e escolher diversos ângulos de filmagem, enquanto as Spice dançam ao som do nosso mix maluco e ao ritmo da coreografia que “criámos”. Tudo o que temos de fazer é premir os botões. Vale tudo menos carregar no Start e no Select. E já está! Em cerca de 15 minutos está o jogo acabado. Mas, esperem, há mais! Como se de um DVD se tratasse, temos ainda Spice Network, uma espécie de bonus material, que consiste em excertos de uma entrevista real, onde as raparigas picantes falam sobre diversos tópicos. Desde as actuações ao vivo (algo que parece ter morrido nos anos 90) até às perguntas mais estranhas que já lhes foram colocadas, passando por momentos embaraçosos e impressões sobre o filme (com o mesmo nome, Spice World), havia aqui material promocional que chegasse para, na altura, manter a febre Spice a circular.

Goste-se ou não de Spice Girls, a verdade é que um fenómeno musical à escala global como este merecia mais. Os gráficos estão dentro do expectável para a altura, as vozes são as das verdadeiras Spice, mas fica-se por aí. Não há dificuldade, a progressão e o desafio são nulos, sendo que a jogabilidade consiste em… andar para a frente.

Em 1998, pagar cerca de 6 contos por isto era um acto de insanidade que só podia mesmo caber na cabeça (e na conta bancária) da Sony, da Virgin ou da Psygnosis. Com um jogo destes, até ficamos com a impressão de que criar uma girls band é muito fácil e rápido, sendo que tudo o que há a fazer é misturar uns sons e coreografar uns movimentos. Enfim, se era para criar algo ridículo, mais valia ter incluído battles contra os Backstreet Boys, N’Sync e por aí fora, culminando no boss final: as All Saints.

Para quem foi ou é fã, como eu, mais vale focar-se no resto do merchandising Spice porque, este jogo, really really really do not want.

Autor: Margarida Cunha Pesquise todos os artigos por

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