Spirit Camera – The Cursed Memoir

6
Longevidade : 3/10
Jogabilidade : 8/10
Gráficos : 5/10
Som : 9/10

Ideia original | Usa as potencialidades da consola ao máximo

Curta duração | É necessário jogar com a luz da sala acesa

Um mundo cinzento-azulado, rituais anciães, fantasmas, crianças assustadoras no chão, olhares mortos, bocas abertas, cabelos pretos, vozes vindas de um local desconhecido. O terror asiático chegou à Nintendo 3DS num jogo a pensar única e exclusivamente na Realidade Aumentada e giroscópio da consola.

É-nos dada a oportunidade de escolher entre 3 modos de jogo. Os modos Spirit Camera e Cursed Pages não passam de simples mini-jogos facilmente esquecíveis como o de tirar fotografias à nossa própria sala de forma a encontrarmos espíritos antes invisíveis ao olho humano. Temos, portanto, o modo principal, Project Zero: The Purple Diary que nos revela que Spirit Camera: The Cursed Memoir é um spin-off da série Project Zero (Fatal Frame).

A jovem Maya perdeu a memória e ficou presa no chamado Purple Diary. Aqueles que abrirem esse diário irão ser amaldiçoados pela Mulher de Negro, correndo o risco de lhes ser removido o rosto. Acontece que o Purple Diary é um livrinho físico de Realidade Aumentada que vem juntamente com o habitual manual de instruções na compra do jogo. Diário este que irá ser a nossa bíblia pois iremos precisar dele constantemente de forma a avançarmos na história e, quem o perder, bem, felizmente tem sempre a possibilidade de tornar a fazer o download no site oficial para assim o imprimir. Juntamente com Maya, temos então de descobrir quais são as verdadeiras intenções da Mulher de Negro.

O conceito deste jogo, dando uso às características da Nintendo 3DS, está interessantíssimo. O cenário deste é a nossa própria sala, portanto vamos passar o tempo todo de pé às voltas com a consola na mão e derrotar fantasmas que podem ser avistados no nosso ecrã, tirando-lhes fotografias. É necessário dizer que quanto mais nos aproximamos dos fantasmas, mais hipóteses temos em os derrotar… e eles a nós. Alguns fantasmas só conseguem ser detectados usando lentes específicas que vamos encontrando durante o nosso percurso. Pormenor engraçado que pisca o olho às várias munições de uma arma nos First-Person-Shooters.

Obviamente, este não é um jogo que pode ser jogado durante uma viagem, mas isso não é necessariamente negativo. O único problema que encontrei na jogabilidade é o facto de termos de jogar com a luz acesa senão o conceito da Realidade Aumentada deixa de funcionar. Isto num jogo de terror não faz grande sentido, pois queremos é ter um bom ambiente. Felizmente esse ansiado ambiente é compensado através da excelente vertente sonora.

Passo a dar alguns exemplos daquilo que podemos encontrar em Spirit Camera: The Cursed Memoir. A certa altura aparece-nos no diário uma dica com as letras B-HI-ND. Sabemos que se dermos uma volta de 180° vamos encontrar algo, mas o quê? Relembro que isto é tudo jogado usando o giroscópio da Nintendo 3DS. Outra ideia interessante é quando encontramos desenhos no lado direito de uma das páginas do diário. À primeira vista não nos parece ser nada de especial, até que nos apercebemos que a imagem do lado esquerdo se encontra bastante vazia. Depois de pensarmos um pouco, descobrimos que se levantarmos a página, os objectos da direita caem para o lado oposto revelando algo que se encontrava escondido por detrás destes. São efeitos como estes que nos incentivam a progredir no jogo e desmistificar o mistério à volta da Mulher de Negro. Como último exemplo deixo aqui um por resolver. De repente somos presenteados com gotas de sangue a cair do tecto para cima do livro. Já descobriram o que é necessário fazer, não?

Mas a nossa sala não é o único cenário do jogo. Apesar de poucos, os próprios cenários integrados no jogo em si são também percorridos na primeira pessoa através do giroscópio. É claro que aproveitei esses breves momentos para apagar a luz da sala e jogar às escuras. Ideia que não correu bem. Como para avançar temos de fazer rotações e dar passos reais, houve uma altura em que quase que ia batendo com o nariz na parede. Isso realmente assustou-me. Mas também aqui podemos encontrar pormenores engraçados (e algo assustadores). Existe uma parte logo no início em que ouvimos algo a partir-se atrás de nós. Damos uma volta de 180° e deparamo-nos com um vaso partido no chão. Tornamos a dar outra volta até à posição inicial e encontramos um fantasma que antes não estava lá.

Como já referi, o conceito de Spirit Camera: The Cursed Memoir é muito interessante. Graças às características da consola, o terror é-nos trazido à nossa própria casa, local onde sempre nos sentimos seguros. Agora que sabemos que a nossa sala está repleta de fantasmas, nunca mais a iremos olhar da mesma forma. Infelizmente parece que voltamos aos tempos da NES, pois consegui terminar o jogo apenas em 3 horas, o que é inadmissível, visto estar à venda a um preço equivalente aos jogos de 20 horas. Existem jogos independentes que apresentam uma maior duração, por exemplo. Resta-nos esperar que esta ou outras companhias se inspirem neste conceito e construam algo mais duradouro e, já agora, com puzzles mais difíceis de resolver também, pois não é todos os dias que jogamos algo que usa as potencialidades de uma consola de forma tão completa.

Apesar de tudo, este é um jogo único que agradará a pessoas que gostam de ideias originais e que não se importam com a sua curta duração, mas que não deixará satisfeito quem preferir pegar na Nintendo 3DS enquanto estiver a viajar ou sentado comodamente no sofá.

Autor: Luis Teixeira Pesquise todos os artigos por

Deixe aqui o seu comentário