StarBlood Arena

Um shooter com mobilidade interessantíssima!

Numa altura que os jogos para a PS4 VR saem a conta-gotas, qualquer novidade é vista com enorme curiosidade. O consumidor não tem, pelo menos para já, muita escolha e, tendo em conta o preço do equipamento, é necessário que a cadência e qualidade de lançamentos aumentem, sob o risco de uma criarem uma desilusão geral. Olhando para o catálogo disponível no início do segundo trimestre de 2017, fico com a ideia que ninguém sabe bem o que fazer com a tecnologia. A grande maioria dos poucos jogos que saem, parece que levam com um rótulo de Tech-Demo. Estes títulos são completamente jogáveis, fazem uso da tecnologia, mas são, na generalidade, curtos em conteúdo. Fico com a sensação que se está a tentar mostrar que o VR tem pernas para andar, ainda que sem se saber muito bem para onde. Gostava, sim, de ficar com a ideia que vamos ter no mercado grandes títulos para VR e que é tudo uma questão de tempo. Um bom jogo não se faz em três ou quatro meses, é certo, no entanto, vamos ver o que o futuro nos reserva.

Assim, foi sem grande expectativa que recebi StarBlood Arena. Sem saber praticamente nada sobre este, coloquei imediatamente as questões; Mais uma Tech-Demo? Mais um jogo de poucas horas? Contudo, parece que não foi de todo o caso. Vamos, assim, falar um pouco sobre ele. StartBlood Arena é um shooter na primeira pessoa no qual o jogador se encontra a bordo de pequenas naves espaciais e que me fez imediatamente lembrar Quake III Arena. É um jogo rápido, com tiros em todas as direcções, movimentação constante para matar e não ser morto. Em resumo, muita acção e pouca técnica, um FPS shooter com elementos mais arcade do que simulação, embora os controlos da nave tenham pontuação alta.

Dissecando o nome, “Star” pode até estar bem aplicado, “Arena” assenta que nem uma luva, é um facto, todavia “Blood” está ali apenas para lhe dar um certo tom de agressividade. Sendo um tiro-neles, dentro de uma nave, StartBlood Arena proporciona uma dinâmica diferente do tradicional first person shooter “a pé”. A movimentação é obviamente diferente, mas o resto nem por isso, sendo que para quem está habituado ao género, e às suas características básicas, as opções são semelhantes, até mesmo nos modos com que somos confrontados, com Deathmatch, capture the flag/defende the base, co-op, multiplayer, etc. presentes.

A característica que mais me agradou, e desagradou simultaneamente, foi o espaço da acção. Isto porque, as chamadas arenas de combate, que temos à disposição, até apresentam um tamanho razoável, se este fosse um jogo de combate “a pé”, todavia, e tratando-se de um cenário para naves, o espaço disponível não é assim tão grande, sendo sim, aliás, extremamente curtos! E isto é bom e é mau ao mesmo tempo. É bom porque o espaço é pequeno e com muitos obstáculos, obrigando sempre a manobras rápidas para contornar esquinas, pilares, patamares, etc. e onde perseguir um inimigo, em espaços tão delimitados é difícil, porém, igualmente desafiante! O lado mau, é que é muito difícil, oferecendo uma longa curva de aprendizagem até o dominarmos. Para além da dificuldade, as arenas não são assim tantas, o que somado ao facto de serem pequenas, faz com que rapidamente as decoremos. Quando o tema retrata naves (ou espaço), o normal é termos diversas áreas abertas, nas quais existe margem de erro a manobrá-las. Aqui não há espaço para erros e qualquer distracção resulta em embates nos mais variados objectos. Apesar da muito elevada dificuldade, aqueles que gostam do género vão achar o desafio interessante.

Um dos aspectos que mais me agradou e um que não posso deixar de referir, é a manobrabilidade das naves. É fantástica! Se o Valkyrie já tinha uma agradável implementação VR com os controlos, este StarBlood está brilhante. A nave é pilotada com o stick da direita, enquanto que o da esquerda dá a velocidade (frente/trás), e igualmente o strafe (esquerda/direita). Mas não é tudo, os botões dianteiros fazem a nave subir ou descer (vertical), e combinando três botões conseguimos ainda fazer roll. Ora contando eixos: 2 de direcção + 1 velocidade + 1 strafe + 1 roll + 1 cima/baixo), são 6 eixos independentes. Tudo isto, sem esquecer que o capacete também faz o seu papel. Podemos olhar para qualquer lado, além de o usar como mira. É por todos estes aspectos, quando combinados, que vos garanto que vai ser necessário demorar o seu tempo até os dominarmos. As combinações são muitas, porém a mobilidade é surpreendente. Em termos de controlo de veículo é do melhor e mais completo que tenho visto.

Fazendo uma referência ao grafismo, que em VR é sempre diferente, está bem conseguido, principalmente nos menus e apresentação. O combate em si, por sua vez, já não me surpreendeu, nem na qualidade gráfica, nem na sensação de 3D. Não é mau, mas não tem nada de refrescante. Para os amantes de FPS e de naves, mas principalmente para quem gosta de um bom desafio, sim é um título interessante!

Por fim, gostaria ainda de acrescentar a existência de dois títulos para a PS4 VR, que, de certo modo, são semelhantes: Valkyrie e Rigs. Este último é bastante parecido em conceito, sendo, na minha opinião, melhor a nível gráfico e 3D. No combate já é mais equilibrado, todavia StarBlood tem mais potencial devido à excelente manobrabilidade.

up
Veredicto
Desafiante, permite um controlo do veículo fora do vulgar. Curva de aprendizagem algo difícil, facilmente compensada, principalmente para os mais entusiastas do género.
Plataforma
PS4 (VR)
Produtora
WhiteMoon Dreams
Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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