Stick it to the Man

8
Longevidade: 7/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 9/10
Som: 9/10

Óptimos valores de produção, da imagem, às músicas, textos e vozes dos personagens

Não é muito longo nem incentiva a ser repetido

É a segunda vez em menos de ano que jogo num mundo virtual de papel. A primeira foi o excelente Tearaway para a PS VITA e agora chega-me às mãos Stick it to the Man que, por sinal, também é muito bom! Aqui o papel não é o tema principal mas apenas o suporte para personagens e cenários que parecem saídos dum filme de animação de Tim Burton ou, se procurarmos uma referência no campo dos videojogos, talvez da mente tresloucada de Tim Schafer. Este mundo espalmado (mas ainda assim com profundidade) traz-nos um misto de plataformas e aventuras desencadeadas por um acontecimento insólito: o nosso protagonista, Ray, é atingido na cabeça por um objecto misterioso que cai do céu. Após este incidente acorda com esparguete cor-de-rosa a sair-lhe da cabeça e, como se isso já não fosse estranho suficiente, esse esparguete permite uma espécie de ligação directa à mente das outras pessoas.

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Temos assim acesso aos pensamentos mais profundos de personagens que não precisam de ser exclusivamente humanas (espíritos, cães, pássaros e jacarés também têm sentimentos e necessidades). Na versão Wii U esta mecânica torna-se particularmente interessante, pois ao erguermos o gamepad fazemos zoom às personagens mirando os seus cérebros que ouvimos através do som que sai do comando. É um pormenor que parece simples mas que resulta muito bem o que faz com que esta versão do jogo seja, na minha opinião, superior às restantes. E porque queremos ler mentes? É necessário fazê-lo para perceber os desejos de cada personagem e assim resolver os seus problemas. As soluções surgem na forma de stickers que arrancamos de algum lugar ou pensamento e colamos no sítio certo, (tudo através da nossa mão de esparguete mental).

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Em cada sequência temos imediatamente acesso ao espaço total do cenário representado por um mapa maravilhosamente ilustrado e, dessa forma, acabar cada nível não é uma questão de ir o máximo para a direita possível como é típico nos jogos de plataformas mas sim descobrir as partes da história necessárias para avançar. Logo no início do jogo brinca-se com essas convenções quando Ray diz que a sua casa é toda do lado esquerdo e que necessita de uma série exagerada de saltos para lá chegar. A parte dos saltinhos não é definitivamente o mais importante aqui mas apenas um meio para chegar a cada personagem e ouvir o que ele tem para dizer (ou pensar). Nessas alturas é frequente ter um grupo de gangsters a perseguir-nos, o que dá alguma tensão e urgência ao que seria de resto um jogo muito a seu ritmo, como é típico nas aventuras point ‘n click.

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As mais-valias do jogo encontram-se sobretudo na sua excelente direcção artística e principalmente na qualidade do texto cheio de humor negro que nos apresentam algumas das personagens e situações mais absurdas que já poderão ter vivenciado (seja em jogos ou fora deles). Apesar de tudo ser bastante alucinado, os puzzles mostram-se lógicos dentro deste mundo o que evita a malfadada tentativa/erro típica de alguns jogos de aventuras antigos (sim Toonstruck estou a falar especialmente de ti). Assim se anda, para a frente e para trás, de episódio em episódio, na estranha vida de Ray. Seja dentro da sua cabeça ou fora dela Stick it to the Man é um excelente jogo para quem quer algo que fuja um pouco à norma.

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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