Super Mario Odyssey

Super Mario Parallel Universes

Os criadores de videojogos na Nintendo não têm vida fácil, pois a cada novo título de Super Mario ou The Legend of Zelda espera-se que superem o insuperável, que sejam melhores do que as pontuações perfeitas dos títulos anteriores. Para mim, Super Mario Galaxy é uma verdadeira obra prima, um pináculo de genialidade que me maravilhou desde o primeiro momento até ao fim da aventura. Como seria possível ir mais longe do que nas fabulosas aventuras intergalácticas do famoso ex-canalizador? Super Mario 3D World, na Wii U, certamente não teve a ambição de o fazer já que até o próprio nome parece apresentar um retrocesso, ora vamos lá a passar da galáxia unicamente para um mundo. Apesar de ter, como sempre, um excelente level design e jogabilidade, simplesmente não me deslumbrou como o seu antecessor.

Quando nos chegou o primeiro trailer de Odyssey, a primeira reacção foi logo de surpresa, Mario a vaguear por uma cidade com personagens humanas realistas? O que vem a ser isto? Mario GTA? Sonic Adventures Mario? E não só vislumbramos, também, uma selva obscura dentro duma cúpula e um mundo culinário low poly, ambientes todos eles bastante desconexos entre si que me despertaram a curiosidade sobre o que se passaria ali. Será que a Nintendo iria dar, de facto, um passo mais longe do que as viagens espaciais? Talvez uma aventura baseada em universos paralelos em que cada nível adoptaria um estilo gráfico totalmente distinto, como se visitássemos realidades alternativas? Mais ou menos. Na verdade, como viemos a descobrir posteriormente, o jogo trata de uma odisseia apenas à volta do Mundo, mas, pessoalmente, continuo na minha de que esta amálgama de ideias só pode ser fruto de pedaços de universos paralelos.

Num trailer mais recente percebemos ainda outro traço distintivo de Odyssey, a presença de Cappy, um chapéu vivo para Mario que, aparentemente, lhe permitiria possuir qualquer coisa, dum humano a um Gumba, dum poste a um Táxi. O resultado é tão surpreendente, como disparatado, já que passamos a controlar, por exemplo, um T-Rex com chapéu e bigode. De repente, parece que nos tiraram o tapete debaixo dos pés. O que é isto? Um jogo do Mario em que podemos ser qualquer coisa além dele?

Mas deixemo-nos apenas de falar nos trailers. Tive o privilégio de poder experimentar Super Mario Odyssey até à sua conclusão, no qual pude comprovar o que já se adivinhava e que os produtores revelaram ser a principal intenção na criação deste novo título, provocar constantemente a sensação de surpresa. O jogo vive assim na linha ténue entre a genialidade e a loucura e, enquanto que para mim Super Mario Galaxy pende mais para o lado da genialidade, Odyssey pende mais para a loucura, para o disparate nonsense e para os momentos “WTF? Isto não acabou de acontecer…”. Não que isso seja necessariamente uma crítica negativa, é apenas uma constatação de que é um jogo que não se leva tanto a sério e que nos quer surpreender ao mesmo tempo que faz rir. Procura ainda introduzir novas ideias e mecânicas (a possessão) e, simultaneamente, beber inspiração aos títulos passados trazendo elementos de todos desde o primeiro (e principalmente do primeiro).

Não estamos frente a um Everything, um jogo em que podemos ser qualquer coisa, mas que, simultaneamente, não somos nada concreto, pois todos as criaturas e elementos comportam-se da mesma forma, seja um cavalo ou uma pedra, todos eles andam aos rebolões e nada mais que isso. Ainda bem que não é assim! Em Odyssey, a possessão é apenas possível relativamente a determinados tipos de criaturas e, ocasionalmente, alguns objectos. Isso é bom, pois funciona basicamente como uma forma alternativa de accionar um power-up. Assim, cada possessão é significativa e permite a Mario fazer algo que não conseguiria normalmente, como saltar mais longe, destruir paredes ou viajar pela corrente eléctrica. Algumas são verdadeiramente úteis, enquanto outras são principalmente usadas como piada. Quando possuí o famoso T-Rex, uma das primeiras criaturas que teremos a possibilidade de comandar, fiquei por momentos preocupado, pois o seu controlo é bastante mau. Não queria acreditar que a Nintendo tivesse sido tão desleixada nesse aspecto… e não foi, o T-Rex é intensionalmente pouco flexível já que tudo o resto funciona na perfeição.

O jogo está dividido em vários reinos que percorreremos de forma praticamente linear, ainda que tenhamos a liberdade de explorar mais ou menos tempo cada um deles, já que o mínimo exigido para avançar é fácil de alcançar: um determinado número de luas para fazer a nossa nave-chapéu levantar voo. Cada um deles não é propriamente gigantesco, mas funcionam como uma espécie de mini-mundos abertos que exploraremos em busca de desafios, sub-níveis e luas, muitas luas. É um jogo que, nesse aspecto, se assemelha à estratégia seguida em Super Mario 64 e Super Mario Sunshine, ainda que, desta vez, a abundância de luas que iremos apanhar seja mais próxima ao que acontece em The Legend of Zelda: Breath of the Wild na busca pelas korok seeds. Ainda comparando com o título recente de Zelda, o incentivo ao coleccionismo de itens e roupas é também evidente e, alguns dos fatos que Mario envergará, são verdadeiros mimos que nos trazem finalmente um pretexto para o porquê de apanhar moedas neste tipo de jogos.

Já se sabe que em termos narrativos a ideia é sempre a mesma; Bowser rapta a Peach e Mario tem que salvá-la, porém, desta vez, e apesar de partir da mesma base temos algumas surpresas, além de um final bastante inesperado e divertido, que vai mais além do que a simples e típica batalha final com o Bowser.

Num jogo que prima tanto por querer surpreender, tive apenas pena de já ter visto tanto do que tinha para oferecer nos seus trailers. Penso que foram revelados Reinos demais e, assim, a maioria de momentos inesperados surge apenas dos pormenores e não tanto de zonas que não fazíamos ideia que existissem. Como é costume em Mario, terminar o jogo é relativamente fácil, mas o facto de vermos os créditos relativamente rápido não significa que a aventura tenha terminado. Para mim, a segunda parte da odisseia (pós créditos) ainda está longe de acabar e, apesar de estar completamente satisfeito com a viagem até aqui, espero e quero continuar a ser surpreendido.

 

up
Veredicto
Um novo e imaginativo Mario com tanto de nostálgico como original numa homenagem ao passado com olhos no futuro.
Plataforma
Switch
Produtora
Nintendo
Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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