Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars

Quando, há uns meses, foi lançada a Super Nintendo Mini, apressei-me a adquiri-la, logo no dia de lançamento, pelas 10 da manhã. O meu entusiamo por esta gracinha deveu-se não apenas ao factor nostálgico (a Super Nintendo foi a consola responsável por esta paixão pelos videojogos), mas muito devido a determinados títulos que, provavelmente, só iria poder jogar via emulação. É do conhecimento geral, que um dos maiores handicaps da emulação é a falta de comodidade, que o factor plug’n’play oferece, obrigando a instalações, downloads, setups e tudo o resto que tenha que vir por acréscimo. Com a idade, vai-se perdendo alguma da paciência para esses detalhes, pelo que o aparecimento destas consolas da Nintendo são, de todo, do meu interesse.

Ainda assim, e deixando-me de rodeios, o artigo que vos trago é sobre um desses títulos presentes na consola. Super Mario RPG nunca teve uma presença física na região PAL, aliás, como nenhum dos excelentes RPGs por turnos lançados na Super Nintendo (shame on you Nintendo of Europe!), pelo que, com o lançamento da versão Mini da consola, este acaba por ser um título de estreia no nosso mercado (se excluirmos, claro, as versões digitais).

Super Mario RPG surge numa parceria única entre a Nintendo e a Squaresoft, que na altura gozavam de uma excelente relação (relembro que, por esta época, a Squaresoft tinha lançado excelentes títulos na Super Nintendo, como Chrono Trigger, Secret of Mana e Final Fantasy VI). Se, do lado da Nintendo havia o desejo de expandir a marca Super Mario a outros géneros, como já havia feito com Super Mario Kart ou Mario Golf, do lado da Square existia a necessidade de marcar o género RPG, sobretudo no mercado Americano. Portando, foi literalmente juntar o útil ao agradável.

Mas as boas decisões não ficaram por aqui. Com a carta branca na mão, a Squaresoft aproveitou-se do sucesso de Donkey Kong Country, apostando na implementação da modelagem 3D, de forma a demarcar ainda mais este título. Pela primeira vez, seria possível jogar com Mario em três dimensões num plano isométrico (ainda que fossem sprites tridimensionais e não um “verdadeiro” 3D).

Power Rangers to the rescue…?? Talvez não.

Todavia, no meio de tanta novidade e inovação, se há um ponto a destacar neste título é a surpreendente linha narrativa que ele trouxe. A Square sabia como ninguém que o foco narrativo era das mais importantes valências num RPG e, com Mario, existia esta “complicação”, pois era do conhecimento geral que a sua história era bastante limitada no que toca à exploração de um argumento. Num arriscado toque de génio, a Square tirou proveito destas limitações e decidiu criar quase como que uma sátira ao próprio Mario, utilizando todo o seu lore. Curiosamente, esta estratégia acabaria por resultar às mil maravilhas!

Os Easter Eggs também são uma constante neste jogo. Nesta cena, Mario transforma-se na sua versão de Mario Bros., fazendo denotar as diferenças gráficas da sprite.

Muito resumidamente, em Super Mario RPG começamos numa rotineira missão de salvamento da Princesa Peach que (mais uma vez) foi raptada pelo Bowser. Durante o confronto final, o castelo de Bowser é tomado de assalto por uma terceira entidade desconhecida de todos, que leva os três intervenientes a serem expelidos do castelo. Se Mario retoma a sua procura pela princesa, Bowser tem agora a preocupação de reconquistar o seu adorado castelo. Mais tarde, teremos na equipa as três personagens a lutarem lado a lado.

Alguma vez chegaram a pensar que o Bowser era um tipo ciumento, com sentido de justiça?

Tratando-se de uma sátira, o humor está constantemente presente. O jogo apresenta facetas nunca antes vistas nestas personagens: o espírito aventureiro de Peach, que está farta de fazer o papel de mulher frágil a precisar de ser salva constantemente; o dilema de Bowser, que não se conforma com a situação contra-natura, a fim de recuperar o seu castelo; e Mario, uma espécie de estrela de Rock conhecido mundialmente pelos seus saltos, ainda que todos apontem ser tão pequeno. A juntar a estas três, ainda existem duas novas personagens criadas para o jogo: Gene, um boneco humanóide que nasceu de um desejo de uma criança; e Mallow, que pensa ser um girino criado por sapos, mas que, na verdade, veio de outro reino em bebé. No fim, toda esta sinergia de novas experiências e ideias malucas da Square e da Nintendo levou-me a constantes sorrisos, com inúmeras situações caricatas e engraçadas, carregadíssimas de bom humor.

A razão pela qual comecei pela criatividade narrativa do jogo, foi pela importância desta na cobertura de todas as lacunas, no que à jogabilidade diz respeito. Depois de o finalizar, achei curioso este ser considerado um dos melhores RPGs da Super Nintendo, quando, na minha opinião, o considerei mecanicamente limitado. Temos ao dispor todas as funcionalidades básicas comuns à maior parte dos JRPGs: sistema de level up por pontos, magias e ataques especiais, equipamentos das personagens… portanto, o essencial que nos permite evoluir uma personagem. Depois, algumas diferenciações que distinguem um pouco Super Mario RPG: a adição de um botão de salto, não fosse este um jogo de Mario, a possibilidade de aumentar o poder de ataque e defesa nos combates, usando o botão certo no timing certo, e a possibilidade de escolher a melhoria extra de um atributo, sempre que a nossa personagem sobe de nível.
Ainda que tenha algumas características únicas, estas não me marcaram assim tanto pela positiva, visto que considero não terem acrescentado muito ao género RPG, embutido neste Mario. Contudo, é óbvio perceber o porquê das mesmas, sendo que este tinha como objectivo ser um jogo de introdução ao estilo RPG. É preciso não esquecer que é mais um título da série Mario, do que propriamente um RPG da Square.
Tendo isto em mente, há também que referir que Super Mario RPG é razoavelmente fácil, com uma linearidade bastante simples de seguir, logo, o desafio para os mais experientes é mais escasso no que toca aos combates.

Este não é o… Donkey Kong?

Talvez devido a ter-se apercebido da ausência de dificuldade para os jogadores mais experientes, a Nintendo tentou equilibrá-lo no seu todo. Para tal efeito, acabou por adicionar vários puzzles como obstáculos, de forma a conseguir agradar a todos, sobretudo baseados em música e mini-jogos, sendo aqui que Super Mario RPG volta a ganhar pontos, pela criatividade dos desafios e por aproveitá-los para colocar mais um pouco do seu charme humorístico que nos acompanha ao longo de todo jogo.

 

up
Veredicto
Consegue cativar um novo leque de jogadores mais novos, equilibrando o mundo Super Mario e o mundo RPG.
Plataforma
SNES/SNES Mini
Produtora
Squaresoft
Autor: Nuno Silva Pesquise todos os artigos por

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