Super Metroid

9
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 9/10
Som: 9/10

ND

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Durante os anos 90 eu era um fã Sega. Depois da minha passagem muitíssimo feliz pela Nintendo, a SEGA era onde os adolescentes com aspirações a bad boys queriam estar. Velocidade, jogos violentos como o franchise Mortal Kombat, Streets Of Rage ou mesmo até Michael Jackson Moonwalker. Portanto eu estava seguro que ter uma Mega Drive em casa era a escolha certa e o mais espectacular que nos podia acontecer, só suplantada pela inatingível NEOGEO. Até ao dia em que visitei a casa de uma amiga e na sua Super Nintendo, (a qual eu tanto critiquei em detrimento da sempre espectacular e para a eternidade Mega Drive) estava um cartucho chamado Super Metroid. A minha “ignorância” clubística levou-me a ignorar muito dos títulos que tinham saído para a SNES. Mas mais ainda do que o ZeldaSuper Metroid levou-me aos céus.

metroid boss numero 6

Eu tinha de comprar a consola mesmo que já perto do final do seu ciclo, o qual eu também ignorava. Enquanto não dispunha de tempo para a adquirir, inventei milhares de desculpas para voltar ao meu save file em casa dela. Em termos de história, rapidamente percebemos caso não tenhamos jogado o Metroid II (Gameboy), que Samus poupou o último Metroid e que o entregou a uma estação espacial para ser estudado ”The Last Metroid is in captivity, the galaxy is at peace” . Mais tarde Samus volta à estação através de um pedido de ajuda, onde Ridley e os piratas espaciais raptam o último Metroid.

super metroi_imagem alternativa

Metroid na Nintendo Entertainment System era um jogo que criava muitos mitos entre amigos. Sem mapas nem indicações, o jogo tornava-se em tenras idades quase impossível, e sem os famosos Nintendo guides em Portugal, e internet, foi um que não consegui terminar. Super Metroid deu-nos uma solução para o problema tendo um mini mapa da região que facilitava bastante a navegação do gigante planeta.
Mas o que tornou Super Metroid para mim um clássico não foram só sprites geniais ou level design. A atenção ao detalhe em pequenos pormenores foi o que para mim tornou os jogos da geração 16 bits tão icónicos. Desde a saliva de Mother Brain, à chuva logo no início do jogo, ao detalhe dos próprios níveis, invocaram um sentimento de solidão e empatia com o jogo. Tal como o Alien de Ridley Scott o tinha feito, Metroid cheio de influências desse franchise soube fazê-lo mas com a sua própria imagem transmitindo emoção ao jogo.

super_metroid com ripley

Em termos de gameplay a evolução pode-se dizer que passou a ser Super. Os powerups além de tornarem o jogo interessante, rápido e fiável, foram bem implementados utilizando as melhores capacidades da consola, como por exemplo a física do jogo em determinados áreas ou o wall jumping. Voltar atrás depois de descobrir um novo powerup através do novo mapa torna-se mais apetecível. Como estava habituado ao som do Sintetizador FM da Mega Drive é claro que a banda sonora de Super Metroid composta por Kenji Yamamoto e Minako Hamano me parecia muito mais realista. Ao longo do tempo identifiquei músicas do primeiro jogo mas agora com samples bem mais realistas, produto da capacidade do chip de som da SNES. As músicas transmitem o que para mim é exactamente o jogo, um ambiente de mistério e solidão. Jogar Metroid com luzes apagadas e o som bem alto, é para mim talvez, a forma mais imersiva de jogar e compreender este título. Com isto, hoje ainda penso que gosto mais do som orgânico do sintetizador FM. Ser melhor ou pior tem a ver apenas com a sensibilidade que temos em relação às consolas e ao estilo de som que era produzido para cada sistema.

super metroi_imagem alternativa

Super Metroid é um jogo que hoje aos olhos de uma pessoa que não viveu naquela época é bom mas que com certeza não traz nada de novo. Tal como uma pessoa pode ouvir um disco de Nirvana e pensar que, antes deles a distorção já se fazia daquele modo, a verdade é que definiu um género. É um jogo que eu gosto de revisitar de tempo a tempos e tal como Castlevania: Symphony of the Night penso que não sofreu com a idade.  Após 20 anos, posso dizer que ainda hoje me sinto mal quando penso que visitei a casa de uma pessoa imensas vezes apenas porque queria jogar Super Metroid, (que vergonha…) mas é caso para dizer que a consola da minha vizinha era sempre melhor que a minha.

Autor: Francisco Pereira Pesquise todos os artigos por

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