Test Drive Le Mans

8
Longevidade: 8/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 9/10
S: 7/10

Gráficos deslumbrantes, sensação de velocidade realista.

Falta de variedade.

Antes de iniciar a análise do jogo, permitam-me uma pequena e útil introdução. Le Mans é uma das mais conhecidas e carismáticas corridas de carros anuais, que ocorre na França, e tem como principal característica a sua duração: 24 horas. Exacto! Um dia inteiro! Cada equipa é constituída por 3 pilotos, que vão rodando entre si, de modo a evitar um desgaste (que já é considerável) físico e mental fatal. No final das 24 horas, a equipa que tiver feito mais voltas completas é a vencedora. São 24 horas de pura adrenalina, velocidade e resistência. Esta corrida é tão famosa e competitiva que a sua inscrição tem de ser feita com ano e meio de antecedência e será inserida no meio das outras 400 candidaturas concorrentes. Além disso, convém não esquecer o carro milionário necessário para a correr, assim como o resto da equipa de mecânicos, técnicos e médicos necessários. Porém, quem for possuidor de uma Dreamcast, pode usufruir da experiência de participar nesta maratona num modo muito mais barato.

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O modo principal de Test Drive Le Mans (ou, se preferirem, 24 Hours Le Mans, como é conhecido aqui na Europa, apesar de preferir o nome com que foi comercializado na América) é a recriação desta corrida. Podemos escolher um carro das principais marcas participantes como a Mercedes, Jaguar, Audi, ou Porsche.
A dinâmica deste jogo é diferente dos jogos habituais de corridas de rua. Aqui, o que conta principalmente é a simulação. Algumas curvas jamais poderão ser efectuadas à velocidade máxima, ao contrário do que o jogador arcade está habituado, o que torna a curva de aprendizagem um pouco mais íngreme. Felizmente, nos modos mais fáceis de dificuldade, o travão automático está disponível, o que torna o número de vezes que saímos da pista consideravelmente menor. Mesmo assim, antes de cada corrida podemos configurar a quantidade de combustível que iremos encher o depósito do carro, o tipo de pneus e a aerodinâmica do carro. Menos combustível e menos peso tornarão o carro mais leve, o que o tornará mais rápido e mais realista. Por falar nisso, a I.A. dos nossos adversários, infelizmente, apesar de ser bastante eficiente não é das mais realistas, o que não quer dizer que os carros circulem sempre pelo “melhor caminho”. Simplesmente, por vezes, passamos por eles, sem darem por isso. Outras vezes barram-nos o caminho, tal e qual como fazemos com eles (sim, neste tipo de corridas temos de jogar “à porco” senão, a derrota é inevitável, principalmente, no modo mais realista e difícil).

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Eventualmente, aventurar-nos-emos a participar nas 24 horas completas. Não sei quantos já tentaram, mas acredito que poucos e tenho a sensação que ainda menos tentaram fazer a corrida completa sem interrupções. O que vale é que podemos sempre gravar a nossa corrida a cada paragem nas boxes (perdemos tempo, é certo, mas pelo menos podemos ir comer, dormir, trabalhar, estudar… enfim, fazer a nossa vida habitual). Claro que o jogo permite-nos fazer as 24 horas em 10 minutos de corrida. Aí, o tempo passa muito mais depressa, mas mesmo assim, podemos apreciar, durante a mesma, o ciclo de um dia inteiro a passar por nós.

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Quando nos fartarmos de correr na mesma pista, o jogo fornece-nos o modo de campeonato. Aí, entraremos numa dezena de torneios em várias pistas onde, a cada vitória, um ou mais modelos de carros é desbloqueado. Apesar de tudo, é notória a diferença de tratamento entre as pistas. Sem dúvida que a pista que contém mais detalhes e está melhor construída é a de Le Mans. Mesmo assim, todas as pistas estão cheias de detalhe e vida para além da corrida. A roda gigante, imortalizada no Virtua Racer está presente em várias pistas, por exemplo. Não há dúvida que este jogo foi buscar muita inspiração aos jogos de corridas criados pela AM2 e AM3 (Virtua Racer, Daytona, Sega Rally, etc.) e muito menos de estranhar que esteja disponível na última consola da Sega, apesar de ter uma versão para a PS2 (francamente pior, na minha opinião).

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Como Le Mans passa-se durante 24 horas, cada diferente momento do dia teve de ser capturado e tratado graficamente, tal como tinha dito atrás. E, de facto, assim acontece. E esplendorosamente! O Sol brilha no céu e produz efeitos fantásticos de luz e cor, desde os tons laranja e vermelho, enquanto se põe, até os roxos, azuis e brancos que podem ser vistos de madrugada. Durante a noite, as luzes dos faróis e dos focos luminosos brilham realisticamente no meio da escuridão e a sua intensidade varia conforme a distância a que nos encontramos delas. Quando começa a chover (se tivermos sorte, apanhamos a corrida completa com tempo) o efeito das gotas a cair no nosso capacete e da água que os pneus dos carros atiram para trás está espectacular (o que não é tão espectacular é o cuidado extra que temos de ter para conduzir e o ter de ir às boxes trocar de pneus, obviamente). Mas o mais giro, mesmo, é ver este tipo de transições: de dia para a noite ou o chove/não chove a acontecer. Está mesmo muito bem feito e vale a pena jogá-lo só por isso.

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O detalhe no jogo é notório. As marcas dos pneus, quando são criadas, ficam lá, efectivamente, para sempre; o nosso carro produz uma sombra realista que varia conforme a altura do dia em que nos encontramos. Apesar de tudo, algumas texturas da pista são um pouco pobres e a resolução do fundo podia ser um pouco maior. Mas estes detalhes só se notam se estivermos com atenção a eles. Se não, passam completamente despercebidos e, quando jogamos este jogo, a sensação que temos é que é mesmo muito bonito.

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O som do jogo é também realista, mas a música de fundo é mesmo o pior que tenho a apontar. É aquela música electrónica de fundo comum neste tipo de jogos, com aqueles samples que todos conhecemos e que mais cedo ou mais tarde começa a irritar.

Le Mans, repito, é uma das mais conhecidas corridas que ocorre na Europa e este jogo captura toda a sua essência. Se gostam de ver as corridas do campeonato de Turismo este jogo é fundamental. Sempre é mais variado que as corridas de Nascar, onde a constante é a curva para a esquerda…

Autor: Daniel Martinho Pesquise todos os artigos por

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