The Last Of Us

10
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 10/10
Gráficos: 10/10
Som: 10/10

Algumas das melhores personagens de sempre a aparecer num videojogo

Ausência de vida social enquanto não acabamos o jogo

Depois de não ter ficado completamente convencido com a beta de The Last of Us a que tivemos acesso, e depois de ver o impacto que o jogo teve na indústria, estava imensamente curioso para ver o produto final. Após um loading inicial grande o suficiente para tirar a paciência aos mais novos e fazer rir quem viveu os tempos do velhinho Spectrum, começa finalmente o jogo. Para aqueles que não tiverem sono, nem mais nada para fazer, preparem-se, porque não vão passar pelo loading gigantesco muito mais vezes. Isto porque simplesmente não vão conseguir pousar o comando a não ser que algo realmente importante precise de ser feito.

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Tal como na série Uncharted, a história desenrola-se sem pausas e com um andamento perfeito, misturando uma belíssima narrativa e um voice acting incrível com secções de acção frenéticas e brutais dignas de um mundo pós-apocalíptico. O ponto onde The Last of Us brilha mais é sem dúvida no desenvolvimento das personagens e da relação entre as mesmas. Além dos nossos personagens principais, Joel e Ellie, vamos encontrando personagens pelo caminho que são igualmente interessantes e que afectam os personagens principais. Se jogaram The Walking Dead da Telltale a comparação neste aspecto é inevitável, isto porque The Last of Us consegue o mesmo nível neste campo que foi um dos principais motivos pelo qual The Walking Dead foi tão aclamado. A principal luta em The Last of Us prende-se com os próprios personagens e as decisões morais que são levados a fazer num mundo muito diferente do nosso, a dificuldade de ser um ser humano, com consciência dos seus actos, mas também um ser humano que ama e que se preocupa com os seus é o principal problema dos nossos personagens.

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A Naughty Dog conseguiu o magnífico resultado de passar esta luta interna com excelência para o jogador, levando-nos a pensar o que faríamos se fossemos nós naquelas situações. Os momentos de acção são excelentes, e, para além de podermos ter várias maneiras de passar pelos inimigos, estes são ainda bastante variados. Para além dos vários Infected, temos ainda inimigos humanos pertencentes a certas facções que vivem fora das zonas de quarentena. Isto oferece uma variedade soberba ao combate, sendo necessário aprender a lidar com vários inimigos e julgar se é melhor termos uma abordagem mais agressiva ou mais stealth. Ambas as abordagens funcionam bem, embora a escassez de recursos por vezes obrigue o jogador a poupar as munições que tem, pois nunca se sabe quando essas serão ainda mais necessárias. A variedade de inimigos controla também um pouco os recursos que temos, quando a combater os infected, temos quatro tipos diferentes, os runners por exemplo ainda conseguem ver, já os clickers, perderam a sua visão devido às mutações avançadas. No entanto, têm um sentido auditivo extremamente apurado, o que nos leva a ter bastante mais cuidado com o barulho que fazemos quando estamos perto de clickers e bastante mais cuidado com o ângulo de visão quando perto de runners.

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Esta variedade de Infected associada aos humanos, e o intercalar de partes de acção envolvendo uns e outros, oferece uma grande dinâmica à jogabilidade, fazendo com que esta nunca fique aborrecida ao longo de todo o jogo, com o jogador a descobrir a cada encontro uma maneira mais eficaz de passar por certo inimigo, e muitas vezes a improvisar tácticas novas dependendo dos recursos que possui no momento e dos inimigos que tem pela frente. A capacidade de melhorar as armas, ou o próprio Joel com mais vida etc., fazer as nossas próprias bombas e health packs, leva um twist interessante ao jogador. Por exemplo um health pack requer exactamente o mesmo material que um cocktail molotov, cabe ao jogador decidir aquilo que lhe é mais útil nas diversas situações. Aliado à excelente jogabilidade está o grafismo de topo a que a Naughty Dog nos habituou nos últimos anos, este é sem dúvida um dos melhores jogos até ao momento no que toca aos gráficos. O excelente design dos personagens, os belos cenários de florestas e cidades reclamadas pela natureza e a atenção ao mais ínfimo pormenor são tudo aspectos que fazem de The Last of Us uma experiência ainda melhor e mais refinada. Mas não é só o grafismo que complementa o jogo com excelência, é também a banda sonora, simples, eficaz, a cair que nem uma luva no ambiente pesado e de desespero que se sente ao longo do jogo, e uma Main Theme digna de menção, ao mesmo nível de clássicos como o tema da vila Tristram em Diablo.

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The Last of Us é um daqueles raríssimos casos em que é dificílimo dizer algo de mal, e que para encontrar algo para criticar negativamente tínhamos de ser extremamente picuinhas, como referir talvez uma textura no meio da floresta com uma resolução menor do que o geral ou qualquer coisa desse género. É um jogo que embora não seja propriamente uma grande inovação, faz coisas diferentes e mostra que o género de acção consegue ser mais do que simples cover shooters com armas diferentes, incorporando elementos de outros estilos como survival horror para criar uma tensão constante no jogador, ou elementos de stealth que encontramos nos Metal Gear Solid para oferecer ao jogador opção e forçar uma gestão de recursos, gestão essa feita nos outros jogos apenas a partir de menus para evoluir uma arma ou uma habilidade.

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Aqui vai para além disso. Mesmo não sendo uma grande inovação, traz algo de novo ao género e aquilo que faz igual aos outros faz melhor, faz com uma excelência raríssima e um nível de polimento raramente visto. The Last of Us criou algo muito importante, um novo standard pelo qual os jogos de acção se devem reger num futuro e é mais um excelente exemplo de que a indústria dos videojogos consegue contar histórias tão bem e provavelmente melhor, devido ao envolvimento da pessoa no desenrolar da acção, do que qualquer outra indústria.

Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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