The LEGO Movie Videogame

7
Longevidade: 5/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 7/10
Som: 7/10

Construções LEGO! | Agradável a 2 jogadores | Divertido

Tempo de jogo curto

A minha relação com os blocos de plástico já data de 1980, quando recebi o primeiro conjunto LEGO. Hoje, com idade para ter juízo na cabeça, compro peças com regularidade em lojas online para pequenos projectos de robótica. LEGO e Arduino combinam fantasticamente bem. Na hora de jogar LEGO, continuo a parecer uma criança. Existe algo mágico nestas pequenas peças que faz dele um brinquedo intemporal. Seja com as peças reais ou em videojogo a magia está lá bem presente.

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The LEGO Movie Videogame tal como o nome indica, segue as linhas gerais do filme. A linha geral da história está presente, bem como uma boa parte das sequências nele presentes. Em linhas gerais o jogo não se afasta do conceito-base dos jogos anteriores da LEGO. Temos múltiplas personagens que podemos alternar, podemos usar vários tipos de veículos, construir e destruir estruturas. Ao contrário de muitos jogadores não vejo a uma necessidade imperativa de a cada título da série ter de se implementar novos conceitos. Um jogo pode ter o mesmo ADN e continuar a dar um bom retorno ao jogador. Este LEGO faz precisamente isso. Não trazendo nada de propriamente novo, consegue uma vez mais proporcionar umas quantas horas de bom divertimento aos amantes de LEGO e não só. Vou pegar nesta última frase e explicar melhor:

– “…umas quantas horas de bom divertimento…” – digo quantas, mas são realmente poucas. Talvez entre 8 a 12 horas se jogarmos descontraidamente absorvendo todo este universo. Umas 6 a 8 horas se o fizermos a um ritmo mais elevado. Parece-me que ficou curtinho e que merecia uma maior longevidade.

– “…amantes de LEGO e não só…”, e atenção aqui, queria deixar bem claro que este não é um jogo típico de crianças nem de adultos que continuam a gostar de brinquedos. O jogo está mesmo bem feito e pode ser apreciado por qualquer idade. Dado o tema ser infantil, o trabalho de fazer um jogo para várias faixas etárias é notável.

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A história não nos presenteia também com nada de novo, mas não me queixo. Temos um vilão mauzão, um sábio ancião e um comum dos mortais que vai salvar o mundo. Algo tipo Senhor do Anéis versão de plástico. E sim tem um Gandalf, e ainda uma personagem feminina cheia de rectas, ou não fossem peças de LEGO… e tem também um… Batman! O jogo pode ser apreciado melhor a dois jogadores com o tradicional splitscreen. Temos o ecrã dividido em dois, um para cada jogador, mas não é estático. Em vez de uma divisão vertical ou horizontal temos uma linha que vai rodando conforme a disposição dos bonecos no ecrã. Se estiverem lado a lado a divisão estará vertical, mas se um se deslocar para baixo, a linha começa a rodar, fazendo a passagem de vertical para horizontal. Este sistema funciona muito bem.

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Jogar a dois tem um contra, é que se o jogo já é curto, com duas pessoas a resolver puzzles e não trocar tantas vezes de personagem, o jogo acaba ainda mais rápido. Fica ainda a nota que o ângulo da câmara não é livre. A escolha do plano e ângulo é geralmente orientada para o espaço onde decorre a acção ou então para a área mais ampla. Várias vezes quis ver o cenário nas costas do boneco e tive de o posicionar de outra maneira para o conseguir. A dois jogadores o efeito ainda pode ser pior.

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O grafismo é muito bonzito, muito colorido, por vezes com peças a saltar por todo o lado cheias de cor, faz quase lembrar o grafismo RPG Japonês. As construções são bem elaboradas e quem está familiarizado com os sets LEGO, vai ser um regalo para a vista. O trabalho de criação deste título foi grande, em vez de terem de criar cenários e aplicar texturas, tiveram o trabalho de criar todas as peças LEGO e depois um desenvolvimento arquitectónico de se tirar o chapéu. O jogo flui muito bem apesar dos milhares de peças presentes em todos os quadros. Impressionante o cálculo matemático gerado. Um bom exemplo de como um jogo sem grandes texturas pode ser tão interessante. Cada peça tem a sua cor e combinadas temos belos cenários, mas não abundam texturas ou efeitos especiais. Tudo gira em torno do uso massivo de simples peças unicolores LEGO, cada uma até com poucas arestas. A composição geral é que cria o impacto, tal como no real.

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A jogabilidade é boa, com as tradicionais tarefas que só determinado personagem pode executar, mas a dificuldade poderia ter sido pensada de maneira diferente. Não possui um grau de escolha e alguns puzzles são bastante simples, e mesmo para uma criança de tenra idade não serão grande obstáculo. Muitas vezes basta dar pancada em tudo e empurrar objectos para resolvermos determinada situação. No entanto, estão presentes outros desafios para os quais já necessitamos de puxar um pouco pela cabeça mas sem atingir níveis de dificuldade significativos. Ao nível do áudio nada a apontar no jogo, mas também nada a sublinhar. Falas fluídas e vocabulário adequado, tudo cumpre dentro do espectável. As cut-scenes, estas sim estão brilhantemente sonorizadas. Um conselho: se possível vejam primeiro o filme, pois muitas sequências do jogo são tiradas directamente do cinema, e se jogarem primeiro vai tirar muito impacto ao filme.

Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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