The Longest Journey

9
Longevidade : 9/10
Jogabilidade : 9/10
Gráficos : 9/10
Som : 9/10

Excelente audiovisual | História bem contada

Pouca dificuldade em progredir

Sou um fã de jogos de aventura e tenho jogado de tudo ao longo dos anos.

Desde os primeiros jogos sem gráficos apenas com texto (sim, isso mesmo), há muitos, muitos anos, no tempo que se programava em Cobol… esperem lá, eu ainda programo em Cobol… Continuando, nessa altura existiam jogos apenas em modo texto. Desde essa altura até aos actuais jogos com gráficos a saber a caramelo, apareceram todo o tipo de jogos de aventuras.

Nos anos 80/90 dávamos muita importância aos gráficos e som, mas hoje em dia para este género isso não chega. A história é cada vez mais importante para manter o jogador a clicar em frente ao ecrã, mas também a jogabilidade. Esta é um dos factores com que me preocupo mais neste estilo de jogo.

Detesto jogos de aventura com sistema de tentativa-erro. Clicar em tudo à toa, na esperança de que algo aconteça, é algo completamente idiota. Tirando algumas excepções, arrumo o jogo de imediato. O Monkey Island, por exemplo, se não fossem os gráficos, a comédia e outros factores, tinha sido simplesmente horrível. Usar um macaco (animal) como chave de fendas é algo que nunca na vida alguém se ia lembrar de fazer, mesmo num jogo de computador. É um caso típico de tentativa-erro, pois estamos “encravados” algures no jogo e tentamos tudo até ao ponto de: “pronto desisto, vou usar o macaco como chave de fendas por descargo de consciência pois já não me restam combinações possíveis. Olha, funcionou…”. Isto é muito mau, para não dizer pior. Felizmente, neste caso tudo o resto compensa a dificuldade deste jogo mítico. Serve esta abordagem para dizer que o jogo de que vou falar não entra neste esquema de tentativa-erro.

Longest Journey é um jogo lógico, com acções “normais” mesmo tendo em conta o tema sub-natural. É um jogo diferente de tudo, a história solda-nos à cadeira e não é com solda do chinês daquela que borbulha, é com solda da boa. A narrativa flui e quando damos por nós estamos a viver o jogo com cumplicidade, envolvemo-nos com as personagens de uma maneira familiar, bebemos e ficamos embriagados com o visual do jogo. É arrebatador.

Descobri esta pérola por acaso na internet enquanto googlava. Nunca tinha ouvido falar dele. Saiu em 1999, como é que pude deixar escapar este tema durante tanto tempo, como? É que não é um jogo qualquer, é na minha opinião o melhor jogo de aventura de todos os tempos. Tem tudo o que um amante de histórias por computador possa desejar. Belíssima história, bons gráficos e sons, boa jogabilidade, um ambiente do melhor que já vi. E não é só a minha opinião, é muito frequente encontrar em sites da especialidade (dedicados a aventuras) o jogo entre os 3 primeiros de sempre.

 

O jogo decorre em 2 universos paralelos: Stark e Arcadia. Stark é o mundo real em que vivemos, um mundo que se rege pelas leis da natureza, pela ciência e tecnologia. O outro mundo, Arcadia, é um mundo de magia e fantasia. Ambos decorrem em simultâneo mas em espaços físicos diferentes. Originalmente o planeta Terra estava em perigo de destruição e foi dividido em dois, ficando com um elo de ligação entre eles, um equilíbrio. Este elo é vigiado por um guardião que já devia ter sido substituído por outro mais novo, o que começa a provocar perturbações no equilíbrio entre os dois mundos.

A jovem April Ryan, a personagem principal, começa a ter pesadelos e mais tarde visões causadas pelas perturbações no equilíbrio. April conhece Cortez, um enigmático personagem que sabe que ela tem pesadelos e visões. Cortez conta a April que o mundo que ela conhece (Stark) tem um outro lado, um mundo paralelo (Arcadia) que existe em simultâneo com aquele em que ela vive. Conta-lhe também que é possível passar de um para o outro. Apenas algumas pessoas chamadas “Shifters” têm essa capacidade, e ela é uma delas, apenas ainda não sabe usar esse dom. Cortez abre um portal “Shift” e April passa para o mundo de Arcadia, onde conhece Tobias Grensret – que lhe descreve o equilíbrio e lhe conta que este está ameaçado e que ela é a nova guardiã do equilíbrio e que vai ter que o restaurar. Num dos seus primeiros pesadelos, April conhece um dragão branco fêmea, que a trata por “sua filha”. (Supostamente é filha de um dragão e adoptada pelos “pais” em “Start“) e que o futuro depende dela. Este sonho acaba por fazer sentido com o que aprende com Tobias Grensret.

O jogo vai decorrendo entre os dois mundos e muita história se vai contando. O ambiente é sempre muito bom: em Stark tem um toque futurista e cyber punk bem desenhado, e em Arcádia temos um ambiente medieval, fazendo um contraste bem forte entre os dois. A jogabilidade é feita pelo tradicional point and click de objectos e selecção de diálogo. O nível sonoro e musical é muito bom, combinando excelentemente com o grafismo. O audiovisual desde jogo é fantástico, tendo sido altamente elogiado pela crítica da altura. Não é um jogo difícil e a história é brilhantemente contada, levando sempre o jogador a avançar para ver o acontece a seguir. Embora a história vá fluindo bem, no fim ficamos sem respostas para muitas dúvidas que fomos formulando. Foi feita uma sequela, Dreamfall, que responde a muitas dessas questões e é outro jogo que vale muitíssimo a pena jogar.

Para os amantes do género aventura, é um must have, é completamente obrigatório!

Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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