The Ratchet & Clank Trilogy

8
Longevidade: 8/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 7/10
Som: 8/10

Mecânicas simples | Jogabilidade intuitiva | Excelente forma de reviver as aventuras de Ratchet & Clank na portabilidade da Vita

Grafismos datados | Câmara com perspectivas incómodas e pouco funcionais

No seguimento dos recentes God Of War Collection e The Sly Trilogy surgem as aventuras do mais famoso duo de exploradores de galáxias Ratchet e Clank, com um port dos três episódios disponibilizados para a Playstation 2, Ratchet & Clank, Ratchet & Clank: Locked & Loaded e Ratchet & Clank: Up Your Arsenal em 2002, 2003 e 2004 respectivamente. Os três capítulos seguem narrativamente e de forma sequencial, as aventuras destes dois amigos, Ratchet um mecânico desenrascado e o seu fiel robot Clank. Todos os títulos foram no passado bem recebidos pela comunidade, e pelo que se pode constatar nesta nova versão contemporânea para a Vita, o mesmo irá acontecer. Só a possibilidade de podermos repetir a experiência deste clássico de outros tempos, com todas as mais-valias de uma consola portátil, já seria suficiente para nos pôr a sorrir. Mas esse mesmo sorriso tende a aumentar consideravelmente quando o começamos a jogar propriamente dito.

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As mecânicas são simples, intuitivas e agarram o jogador desde o primeiro momento, e permitem a escolha de qualquer dos episódios sem a necessidade de termos que obrigatoriamente completar o anterior. Apesar de tal não ser propriamente estranho neste tipo de lançamentos, há que realçar a vantagem de não obrigar o jogador a completar nenhum episódio em específico para poder avançar a partir de um ponto à sua escolha. Por outro lado, é uma forma de reinventar este título e de dar a possibilidade a quem não o jogou nas plataformas anteriores, prolongando assim a sua longevidade.

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Todavia, esta mesma longevidade faz-se acompanhar, por vezes, de um custo demasiado elevado. Isto porque, apesar de The Ratchet & Clank Trilogy se apresentar num formato HD, evidencia nalguns casos um óbvio e carregado passar dos tempos, no que ao grafismo diz respeito, o que resulta em cutscenes de fraca qualidade visual, com gráficos que aparentemente remontam há dez anos. Por outro lado, existe uma fluidez notável in-game, além de uma igual perfeição na inexistência de glitches, bugs ou até crashes que tantas dores de cabeça deram, por exemplo, em Jack and Daxter. Mas um jogo não é só grafismo ou qualidade visual, e no que concerne à jogabilidade e ao que esta transmite, é excelente. A começar pela história, pelos diálogos – alguns bastante bem conseguidos – até ao pleno entretenimento que sentimos enquanto jogamos The Ratchet & Clank Trilogy, vale bem a pena voltar a experimentar estas tresloucadas aventuras. Para quem esta oportunidade for a primeira, não se preocupem, já que fácil e rapidamente se vão deixar levar, tanto pelas personagens, como pela jogabilidade em si e pela aventura que representa.

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Para isto também ajudam os comandos, que se revelam bastante sólidos. Apesar de não recorrer em grande escala às capacidades da Vita – por exemplo o touch screen traseiro é apenas utilizado para objectivos secundários – os analógicos resultam bem, para aquilo que é pedido, e os tempos de resposta são igualmente satisfatórios. A meu ver, persiste o “problema” recorrente neste tipo de títulos, já que o posicionamento da câmara em determinadas situações não é efectivamente o melhor. Mesmo com o reposicionamento manual da parte do jogador, não se evitarão quedas um tanto patetas e por demais frustrantes. Quando isto acontece o mais certo é morrermos, o que irá por sua vez obrigar a recomeçar desde o início do nível (ou checkpoint se preferirem), que na sua grande maioria se encontram demasiado afastados entre si. No entanto, The Ratchet & Clank Trilogy apresenta uma jogabilidade divertida e relativamente simples, recheada de aventura e diversão, que consiste em viajarmos por vários planetas, cumprirmos os objectivos previstos, conhecermos uma série de personagens sui generis e que reúne muitas batalhas com os mais variados seres.

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Para tal temos à disposição uma vasta lista de armas, as quais podermos ir adquirindo ou melhorando ao longo do jogo, utilizando como moeda de troca os parafusos que podemos recolher ao longo do caminho traçado, ou sempre que destruímos algum objecto presente no cenário, ou até sempre que aniquilamos um inimigo. Para além disto temos ainda uma série de itens para coleccionar e lista de troféus que poderemos ir recebendo, dependendo do nosso desempenho. Sonoramente é um título equilibrado e agradável. Apesar de melodias algo repetitivas, há uma certa variedade de sons e música que acabam por nunca saturar. O trabalho vocal é igualmente convincente. No campo visual há uma grande riqueza ao nível dos cenários, cada um com a sua palete de cores, o que é de enaltecer, já que cada um apresenta a sua própria caracterização.

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Em suma, The Ratchet & Clank Trilogy é uma boa aposta. Três jogos num, e ainda com a possibilidade de cross play com a Playstation 3, que garantem várias horas de bom entretenimento, e que de forma alguma é diminuído por algumas falhas que possa aparentar. Esta aposta nos ports para a Vita, tem sido uma claramente ganha, mas também é preciso não esquecer, que é fundamental reforçar e apostar na oferta de jogos exclusivos e de importância relevante. The Ratchet & Clank Trilogy é uma óptima forma de reviver este clássico, mas principalmente uma excelente maneira, para aqueles que não são dessa geração, de se iniciarem nos meandros das aventuras de Ratchet & Clank a qual, garanto, que não se vão arrepender.

Autor: Andre Santos Pesquise todos os artigos por

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