The Secret Of Monkey Island

8
Longevidade : 6/10
Jogabilidade : 8/10
Gráficos : 8/10
Som : 8/10

“Hi! My name’s Guybrush Threepwood, and I want to be a pirate!…”. É assim que começa uma das mais incríveis aventuras da história dos videojogos. Foi o primeiro diálogo que nos apareceu e foi com ele que a Lucasfilms Games introduziu o jogo em 1990 no mercado. Fantástico, bombástico e hilariante, são alguns adjectivos com que avanço já, não consigo esperar pelo fim da review

No início da década de 90, já vários jogos de aventura faziam as delícias de pequenos e graúdos, com a LucasArts e Sierra a fazerem de protagonistas editoriais principais. Se a LucasArts já tinha Manic Mansion, Zack McKracken, Indiana Jones  e Loom, a Sierra por seu lado tinha Kings Quest, Space Quest e Leisure Suit Larry. Grandes jogos de ambos os lados, mas em 1990 A LucasArts lançou o Monkey Island que eclipsou tudo o resto.

Gráficos bons, músicas que ainda hoje parecem estar gravadas nos tímpanos, um humor 5 estrelas, muito boa disposição e personagens fantásticas levaram este título ao super estrelato. Ainda hoje, para muitos apreciadores do género aventura, Monkey Island é o jogo que define o género. Foi lançado inicialmente para o Atari ST, Macintosh e PC e mais tarde viria a ser portado para o Commodore Amiga, e PC/VGA.

O grande obreiro desta obra foi Ron Gilbert que tinha um enorme fascínio por piratas e já tinha tentado lançar o jogo dois anos antes, mas na altura a prioridade era o Indiana Jones And The Last Crusade. Gilbert teve tempo para refinar o conceito e planear melhor o que viria a ser considerado uma obra-prima. Para a produção do jogo foi usado mais uma vez o sistema SCUMM, já usado por 4 vezes e continuava a dar cartas.

O tema do jogo são os piratas e a temática é abordada na perfeição ao longo da aventura através de cenários paradisíacos, o típico bar, as personagens vestidas a rigor, e os diálogos cheios de humor. Gilbert foi fortemente inspirado por uma das atracções

da Disneyland e pelo livro Stranger Tides. O autor criou um mundo de ilhas com um ambiente muito simpático, atenuando a violência da pirataria e adaptando-a para um nível cómico e muito aceitável.

Uns dos aspectos mais emblemáticos deste jogo são os diálogos entre as personagens, em que reina o humor negro e o disparate de grande nível. Numa das partes do jogo Guybrush tem uma luta de espadas e a maneira de vencer o adversário é através de insultos. Num sistema de resposta múltipla, temos de escolher o melhor insulto a aplicar contra o oponente e, conforme insultamos melhor ou pior, começamos a ganhar ou perder o combate. É fantástico poder chamar nomes ao adversário (sem conter asneiras), insultar é o mais original sistema de combate visto num jogo… Depois de vencer o combate sentimos um grau de realização diferente de qualquer outro. É reconfortante –  algo tipo ir ao estádio chamar nomes ao árbitro até perder a voz. No fim sabe bem.

 

Reza a lenda que, antes do espaço temporal desta aventura, um pirata chamado Lechuck estava apaixonado por uma bela moça de seu nome Elaine Marley. Depois de várias tentativas de conquistar o amor da sua amada, numa tentativa de a impressionar parte numa viagem em buscar de um tesouro, durante a qual morre. De regresso da viagem Lechuck aparece sobre a forma de um pirata fantasma.

No tempo presente do jogo, a narrativa começa com um rapaz que quer ser um pirata e certo dia chega à ilha Mêlée onde procura alcançar o seu sonho. Para tal tem de ultrapassar três provas que lhe foram incumbidas pelos piratas líderes locais. Guybrush tem de executar as tarefas para poder ganhar o estatuto de pirata. As provas são: derrotar o mestre da espada, roubar uma estátua na casa do governador e encontrar um tesouro. Durante as suas provas, conhece entre outras personagens: a governadora da ilha, a bombástica Elaine Marley, que é raptada por piratas a mando de Lechuck, levando-a para a ilha de Monkey island. Guybrush reúne uma equipa para a salvar e rumam atrás dela. Já na ilha, o nosso herói dá de caras com um bando de canibais no qual tem de ajudar a encontrar uma raíz mágica. Em troca os canibais dão-lhe uma poção mágica feita com a raíz com o objectivo de destruir fantasmas.

Já com a arma certa para lidar com Lechuck, fica a saber que o pirata fantasma rumou à ilha de Mêlée para um casamento à força com Elaine.

De regresso à ilha para evitar o casamento, perde o poção e no final é com a bebida Grog que o consegue derrotar.

Da aventura original ainda sobre a alçada de Gilbert saiu o Monkey Island 2 e mais outras tantas aventuras em forma de sequela mas já sem o autor original.

Em resumo, temos aqui um dos principais pilares do género aventura. Um jogo brilhante, com um enredo muito bom e diálogos fantásticos.

Os gráficos são bons, em estilo a puxar ao desenho não realista. A jogabilidade é a típica interacção por ícone via rato, simples de usar e eficaz. A dificuldade, embora não seja das mais elevadas, não pode ser considerada moderada, com puzzles que não lembram ao diabo, somos tentados a recorrer ao “tentativa-erro” a torto e a direito para obter resultados quando estamos encalhados. O jogo nem sempre é completamente lógico e várias vezes temos que usar objectos de maneiras que não fariam sentido nenhum na vida real, mas esta lógica ilógica encaixa na perfeição no humor dos diálogos, e que aceitamos naturalmente. Fora este “pequeno pormenor”, o jogo é perfeito e são garantidas horas de boa disposição.

Uma das magias deste titulo é que não fica revelado qual o segredo de Monkey Island, nem neste nem em nenhum dos jogos seguintes… ou será que fica?

Para os interessados em jogar o jogo, existem versões a correr em Atari, Amiga, DOS, Windows XP/Vista etc… e até podem correr em emulação via ScummVM.

O jogo corre perfeitamente por exemplo em Android (ScummVM) e é uma boa alternativa aos jogos nativos do Android.

Mais informação sobre Atari ST no Museu PUSHSTART.

Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

Deixe aqui o seu comentário