The Talos Principle

Sai um Portal filosofico para a mesa do fundo!

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Pegando nos genes do Portal (I e II), e injetando-lhe dozes de filosofia, herdamos um super-puzzle, brilhante e viciante. Na primeira hora de jogo, o que veio à cabeça foi a jogabilidade do Portal e o ambiente solitário do Myst. Numa segunda fase, adquire identidade própria, ganha ainda mais vida. O jogo é apresentado sob a forma de FPS e as semelhanças com Portal são mais que muitas. O objectivo em fase de resumo e em termos práticos, é em cada quadro ir de um ponto até outro e obter determinada peça para debloquear acessos a outros quadros e níveis. Nada mais simples em termos directos e objectivos. Não é difícil de adivinhar que vai complicando, é óbvio. Os obstáculos ao longo da aventura vão do muito fácil ao “torra-me o cérebro todo”.

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Ao contrário de Portal, não temos os famosos portais, mas sim vários dispositivos de abertura de portas, repetidores de luz entre outros. Estas portas que falo são portas de luz, ou laser (whatever), feitas de qualquer material que não nos deixa passar. Para as abrir temos de apontar um dispositivo para elas. Algo tipo, foco de luz montado num tripé. Podemos apontar de qualquer um dos lados da porta. Existem também passagens de luz/laser que podemos atravessar, mas onde não podemos transportar qualquer objecto. Passamos nós mas o objecto não. Estas também podem ser abertas pelo mesmo dispositivo que falei em cima, permitindo assim transpor para o outro lado qualquer objecto. Podemos ainda fazer parar sondas que andam no terreno que disparam sobre nós e potentes ninhos de metralhadoras que não são nada meiguinhas. Outro objecto que temos à disposição é o repetidor/reflector de luz. Montando também em tripé, temos de apontar para um emissor de luz e depois para um receptor, fazendo uma espécie de tabela, como se fosse um espelho. A luz reflecte em qualquer ângulo que seja necessário. Muitas vezes é necessário mais que um repetidor até a luz chegar ao destino.

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O complicado não é a utilização destes dispositivos, mas sim onde os colocamos para transpor os obstáculos. O seu escasso número é sempre o maior problema. Por exemplo, para transpor uma porta de luz, apontamos o dispositivo para a abrir, mas depois de aberta, não conseguimos o levar para o outro lado, pois assim que pegamos nele, deixa de funcionar e a porta fecha. Temos de ter dois, um primeiro para abrir e um segundo para já do outro lado apontar também para o sítio da porta, ficamos assim com um de cada lado apontando ambos para o mesmo sítio. Assim, quando retiramos o primeiro o outro vai manter a porta aberta, podendo assim transpor a porta levando o primeiro dispositivo. Uma das tácticas que vamos adotando desde o início é mesmo esta, de tentar levar o material que temos à disposição sempre cada vez mais para a frente. Com o tempo tudo complica, será necessário utilizar e reutilizar tudo o que temos ao dispor.

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Os quadros são de desenho simples, apresentados um pouco sobe a forma de labirinto, rapidamente os decoramos. A quantidade de objetos para usar ou interagir são poucos. O que agrada imenso no jogo e que o torna fantástico, são os puzzles terem vários passos para fazer, nem sempre uns a seguir aos outros, mas muitas vezes, uns por cima dos outros. Então e onde entra a filosofia? Ao longo do desenrolar do jogo, vamos tendo acesso a mensagens deixadas por um sistema informático que se apresenta sobre uma forma de entidade consciente. Todo o discurso é carregado de filosofia, e cabe a nós tirar ilações. Esta entidade aparenta nos queres ajudar. E quem somos nós, jogador? Supostamente somos um robot humanoide com consciência própria, mas que não sabe o que está ali a fazer. As eternas questões de quem sou eu e o que faço no mundo são abordadas nos diálogos, mas fica sempre uma separação entre a acção e o pensamento numa primeira abordagem e etapa do jogo. Mais tarde, tudo se começa a juntar.

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Não aconselhável a jogadores com pouca calma, nem tão pouco a quem prefere movimentação e acção. O jogo é parado e calmo. Os gráficos sinceramente nem interessam, podiam ser só vectores ou wireframe, e até podia ser a preto e branco. O jogo vale pelos puzzles, e estes são, excelentes.

up
 Veredicto                                                        
Sensacional puzzle. Do melhor que se tem visto nos últimos anos. Excelente para meter a cabeça a funcionar intelectual e espiritualmente.
 Plataforma        
 PC
 Produtora         
 Croteam
Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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