The Walking Dead: S02E03 – In Harm´s Way

7
Longevidade: 6/10
Jogabilidade: 6/10
Gráficos: 8/10
Som: 7/10

Uma narrativa densa; Algumas sequências intensas e marcantes

Uma certa monotonia de acontecimentos e uma jogabilidade com pouco que fazer

O terceiro episódio da segunda temporada, que relata a jornada de sobrevivência num mundo destruído por um surto de zombies, segue, em larga escala, o seu antecessor. Seja no conteúdo, ou no ritmo ao longo das cerca de duas horas que irão demorar a terminá-lo. Por um lado, há sem dúvida, e mais uma vez, a sensação de dever cumprido pela entrega de mais um capítulo competente, capaz de entreter, mas por outro lado, creio que talvez tenham ido um bocadinho longe de mais, naquilo que considero ser mais uma preparação para o que se advinha.

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In Harm´s Way é assim um capítulo que vive da introspecção, e que marca, sem qualquer sombra de dúvida, o crescimento da personagem principal. Clementine deixa definitivamente o registo de criança, para pela primeira vez ter que tomar (complexas) decisões, até então apenas tomadas por graúdos. Esta é também a primeira vez em que se pode dizer que Clementine tem alguém debaixo da sua alçada, por quem é responsável, e por quem vai ter que tomar algumas opções bastante complicadas de gerir.

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O episódio arranca precisamente onde o anterior foi terminado. Clementine, juntamente com o seu grupo, foi retida por Carver, que a meu ver não mereceu a profundidade de caracterização que gostaria de ter visto, tornando-o numa pessoa facilmente odiável, asquerosa mesmo, ficando prisoneiros num espaço devidamente protegido. Com o desenrolar da história vamos perceber que a segurança, mais uma vez, não é mais do que um exercício de utopia, o que acaba por motivar a tentativa de fuga por parte dos nossos heróis.

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O problema é que além de se encontrarem altamente vigiados, também um grupo consideravelmente grande de walkers se aproxima do espaço. Tal como já aconteceu na série de televisão, neste episódio o truque para escapar passa mesmo por estes, já que pretendem aproveitá-los para a camuflagem na fuga. Ideias perfeitas todos temos, mas como será expectável, algo não corre como o esperado, o que acaba por conduzir o grupo a algumas decisões in extremis, principalmente por parte de Clementine.

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Em In Harm´s Way há um claro apostar na narrativa e desenvolvimento de personagens, principalmente na nossa protagonista. E ao contrário dos anteriores títulos, não há puzzles, não há desafios paralelos, mas há sim uma relevância extrema na história, com enfoque nas decisões que temos de tomar. Estas vão definindo ao longo do episódio a personalidade de Clementine e o que esta sente, mas mais importante que isso, a posição que esta assume perante determinada problemática. Este enfoque resulta igualmente num aumento bastante considerável da violência, sendo que uma das cenas chega mesmo a roçar o visceral (quase a lembrar o clássico de Gaspar Noé, Irreversível e a famosa cena do extintor).

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Todavia, e mesmo com todos estes pontos positivos, não deixei de sentir que este, provavelmente, se trata do episódio mais fraco de ambas as temporadas. Não é que seja mau, porque não é, mas é difícil não disfarçar alguma falta de ideias (apesar de contrastar com uma narrativa tremendamente densa), alguma falta de objectivos a cumprir, e uma não muito normal falta de ritmo na história. Das quase duas horas, temos apenas uma sequência de luta e a cena final, que como deverão imaginar é obviamente marcante, intensa e propositadamente deixada em aberto para o próximo capítulo.

Ou seja, ao nível da jogabilidade há pouco para fazer, além de termos que seleccionar as opções de resposta. Contudo, e como referi anteriormente, são de facto muito bem pensadas, deixando por vezes, o jogador a pensar no que fazer. Por exemplo, Clementine é uma criança, mas quer (caso nós o permitamos, claro) assistir a uma cena de espancamento. Deixamos? Impedimos? E quem diz estas, diz outras situações. Ainda assim, e percebendo que se trata claramente de (mais um) preparar para os capítulos finais – que neste caso espero que sejam absolutamente brilhantes – senti falta de uma entrega por parte do jogador ao nível da jogabilidade.

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The Walking Dead: In Harm´s Way é, tal como o episódio anterior, uma continuação e preparação para o fecho desta segunda temporada. No seu todo, há de facto algo a suportar este episódio em concreto que lhe permite arriscar desta forma, dando tamanho enfâse à narrativa que praticamente coloca de lado a jogabilidade. Tal torna-o, por vezes, monótono, algo que anteriormente nunca aconteceu. Já se se tratasse de um título isolado, a verdade é que não haveria grande coisa a dizer sobre o mesmo. Pessoalmente, e como já deixei transparecer, não deixei de sentir uma ligeira desilusão, apesar de compreender as posições tomadas. Contudo, não deixo de esperar e desejar que o que se aproxima seja realmente marcante, até porque é essa (ou costuma ser essa) a linha condutora da série The Walking Dead.

Autor: Andre Santos Pesquise todos os artigos por

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