The Walking Dead S2E1: All That Remains

9
Longevidade: 8/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 10/10
Som: 10/10

A mesma áurea e qualidade do “original”

Curta duração e as típicas paredes invisíveis

Bem ao jeito televisivo, temos o regresso daquele que foi considerado o melhor título de 2012. Não é consensual, bem sei, mas como tudo o que nos rodeia há sempre excepções que fazem a regra! Quem jogou os cinco capítulos da primeira temporada, recorda-se de forma dolorosa dos últimos dez minutos, nos quais pressentimos um corte brutal e visceral de tudo o que prevíamos (agora bem sabemos que erradamente) que fosse acontecer em capítulos futuros.

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Este primeiro episódio da segunda temporada de The Walking Dead traça uma nova linha de acontecimentos e assume pela primeira vez a perspectiva de uma “nova” personagem. A pequena Clementine tem agora os nossos olhos e consequentemente é o jogador que detém a grande maioria das escolhas que a mesma faz durante a narrativa. Clementine cresceu, e muito, e torna-se nesta segunda temporada numa ainda melhor protagonista, já que traz consigo um passado imensamente pesado para uma criança de tão tenra idade.

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No entanto, denota-se alguma dificuldade em impressionar o jogador quando se compara com o primeiro episódio da primeira temporada. Por um lado, perdeu-se completamente o efeito surpresa – e todos sabemos o quão difícil é superar o mesmo – mas por outro lado é evidente a qualidade do trabalho que a Telltale continua a apresentar-nos. Talvez por saber e conhecer as referidas dificuldades, tenham optado por entregar um dos episódios mais viscerais de sempre, aquele que mais é explorado graficamente e provavelmente aquele que mais ambiguidade vai provocar ao jogador. Principalmente se tivermos em conta uma das sequências mais emotivas com um ser de quatro patas, que confesso e reconheço, me deixou completamente estarrecido.

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E só por ser capaz de transmitir algo tão intenso e verosímil como aquilo que vivi nesta pequena sequência, era razão para dar um redondo e directo sim, no caso de me perguntarem se vale a pena voltar a pegar em The Walking Dead. O jogo mantém a magia, o negrume, toda a ambiência de terror, ponteada aqui e ali com momentos de introspecção e serenidade. A Telltale continua assim a saber manipular o jogador a seu belo prazer, e fá-lo de forma eficaz e envolvente. Estes momentos intensos, em parte, disfarçam algumas das fraquezas deste episódio em concreto. O factor surpresa já há muito acabou e, a somar a isso, temos um reiniciar de histórias e personagens. Apesar das escolhas que fizemos no passado se repercutirem aqui (outra das grandes mais-valias desta saga), estamos perante cenários novos para explorar, personagens para conhecer e factos para recordar. Tudo isto faz com que The Walking Dead S2E1: All That Remains seja morno no seu todo, o que acaba por deixar uma certa sensação de água na boca.

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E por falar em acabar, mais uma vez há que referir que a duração do episódio não é propriamente simpática, ou talvez por culpa do conhecido ditado “tudo o que é bom dura pouco” ou diria eu, dura o tempo necessário para ser inesquecível, aparenta de facto ser demasiado curto para aquilo que esperaria ou desejaria. Não demorará em média mais de duas horas para terminar, sendo que está ainda assim garantida intensidade em toda a sua extensão.

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No meu entender continuam a existir as irritantes paredes invisíveis (que começo a acreditar que sejam mais imagem da série do que qualquer outra coisa), mas que não me agradam nem engrandecem o jogo. O grafismo, felizmente, mantém-se e está para durar. O aspecto cartoonish continua a brilhar e, a meu ver, a ser um dos protagonistas nesta demanda. A junção com componentes mais violentas ou gore a que por vezes somos sujeitos é trabalhada com mestria, o que resulta numa combinação de visuais que encaixam simplesmente na perfeição. O mesmo acontece com expressões das personagens bem como os cenários.

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A aventura de The Walking Dead continua bem ao estilo point & click e genericamente a jogabilidade manteve-se. Contudo, foram introduzidas algumas alterações na selecção dos objectos e na definição dos mesmos, já que agora são mais detalhados. Também senti uma ligeira melhoria no tempo de resposta do rato, principalmente nas alturas em que temos que decidir rápido, e ao nível da narrativa considero igualmente que houve uma evolução nas respostas. Isto porque no passado denotava-se por vezes respostas que não iriam trazer nada de novo à história, pelo que depressa eram descartadas. Todavia, no actual episódio, além de ser cada vez mais necessário respondermos com uma rapidez atroz, também todas as respostas parecem adequadas na conversa, o que acaba por nos dificultar bastante a selecção do que pretendemos.

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The Walking Dead S2E1: All That Remains continua igualmente bom nos aspectos técnicos. A componente gráfica, como já foi referido anteriormente, é excelente, mas o som não fica nada atrás. A musicalidade adequa-se na perfeição, os efeitos sonoros pareceram-me ainda mais trabalhados, o que só intensifica a experiência, e por último, as vozes estão perfeitas. Nomeadamente a de Clementine (Melissa Hutchison), que apresenta uma vocalidade extraordinária que joga entre o ser inocente (afinal é uma criança) e por tal teoricamente frágil, e uma pessoa em crescimento no seio de circunstâncias absolutamente impossíveis e violentas.

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Apesar de curto e algo morno, não há grandes dúvidas que a Telltale continua no caminho certo. Electrizante o quanto baste, marca o início de uma segunda temporada que se antevê recheada de bons e intensos momentos. Mesmo sem Lee presente, temos Clementine em toda a extensão, o que, parecendo que não, muda toda a abordagem da série, que ainda sim continua a agradar. Como história narrativa continua, no meu entender, a não haver melhor. Por fim, e já depois de termos concluído este primeiro episódio, somos presenteados com o que ainda está para vir… e aquilo que se pode adivinhar… é que emoções fortes e muitas surpresas… ainda agora estão a começar! The Walking Dead S2E1: All That Remains é por tudo isto… simplesmente obrigatório!

Autor: Andre Santos Pesquise todos os artigos por

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