The Witcher 2: Assassin’s of Kings

Trama, intriga, monstros, magia – Geralt vs The World

The Witcher 2 - AoK (banner600x150)

Vou simplificar as coisas: The Witcher 2: Assassin’s of Kings é sublime!

Editado em 2011, dá sequência ao primeiro esforço da produtora polaca CD Project RED, The Witcher. Geralt of Rivia é um mutante de personalidade vincada, gostos mundanos e vida complexa que dá gosto explorar. Entra numa série de contos fantásticos da autoria de Andrej Sapkowski mas aqui o protagonismo vai todo para os jogos e intrigas político-sociais, preconceitos raciais e conflitos morais que povoam e enriquecem o mundo onde se baseia o jogo. A estória com as suas ramificações e camadas é um dos pontos fortes do jogo.

The Witcher 2 - AoK  (1)

Tudo no mundo de Geralt é acinzentado. Este facto tem um peso importante na jogabilidade, sendo que iremos ter de fazer escolhas difíceis de consequências incertas. É raro um videojogo conseguir ir além da escolha dicotómica entre o bem e o mal, mas senti dúvidas e arrependimento, o que me envolveu ainda mais na estória e no mundo de jogo. Esta é outra das suas grandes virtudes: não se deixa esquecer facilmente e a motivação para progredir ou jogar novamente é constante.

The Witcher 2 teve, desde logo, um grande mérito: apresentar-se como a killer app de uma plataforma que andava a ser “atrasada” pelas conversões de consolas caseiras: o PC. Ao ser desenvolvido exclusivamente para este, The Witcher 2 teve a responsabilidade de o trazer de volta à ribalta. E conseguiu: o jogo é deslumbrante em todos os sentidos. Os efeitos de luz, fluidez, animações, efeitos de partículas: tudo é bonito neste jogo – apenas algumas texturas aqui e ali nos relembram que já lá vão 3 anos desde o seu lançamento. A experiência gráfica é de facto deslumbrante. Mas então não foi editado também para Xbox 360? Na consola, o jogo mostra-se bastante mais limitado graficamente (mesmo com um ano a mais de desenvolvimento dedicado) mas não deixa de ser, sem dúvida, um dos mais impressionantes da consola da Microsoft (o que não é dizer pouco). Nada disto seria relevante se não tivesse uma excelente direcção artística. Curiosamente, apesar de se desenrolar num mundo fantástico, o jogo é estranhamente mundano, terra-a-terra, afastando-se dos arquétipos do género e mantendo uma aura única. Sem dúvida um ambiente que potencia o foco nos personagens e nas suas interacções.

The Witcher 2 - AoK  (2)

The Witcher 2 tem uma estrutura de RPG, com 5 capítulos. O primeiro e últimos são relativamente lineares mas os 3 intermédios são locais abertos à exploração onde temos tanto que fazer entre as missões principais e as secundárias, mini-jogos e segredos que facilmente nos perdemos em cada um deles. Lembram-se da importância das decisões? Alguns dos locais ou personagens vão-nos passar completamente ao lado de acordo com as nossas escolhas, pois poderão nem sequer se aperceber enquanto jogam. Facilmente se passam 40-50 horas em cada playthrough e duas são o mínimo…

Nestes capítulos a forma como as missões primárias e secundárias se interligam é espectacular. Por vezes é difícil de perceber onde terminam umas e começam outras. A exploração em busca de itens é fundamental para a progressão e as tarefas das missões secundárias oferecem recompensas satisfatórias e raramente indiferentes. Teremos de colher ingredientes para uma poção que facilita uma missão, pedaços de uma armadilha que ajuda a desafiar um boss, poderemos receber ajuda de um personagem que nos deve um favor ou acabar por matá-lo, tudo parece ter um fim que nos vai, de uma ou de outra, ser útil ou relevante. Isto dá uma coesão ao mundo de The WIcther 2 que é fundamental para a experiência.

The Witcher 2 - AoK  (3)

O que pode deixar algo a desejar é a sonoplastia, em alguns momentos. Enquanto o som e banda sonora orquestral acompanham de forma magnânima e opulenta os grandes momentos, na exploração e algumas missões mais alongadas as músicas e sons repetem-se e cansam. A sensação é em alguns momentos agridoce. No entanto, um excelente trabalho de vozes ajuda a que isto não chegue a importunar o nexo de toda a experiência.

Quanto à jogabilidade em si, Geralt é um tipo com caparro mas que se mexe bem. Alterna entre duas espadas, de ferro ou prata, cada uma com um ataque fraco e rápido e um forte e lento. Estas espadas podem ser enriquecidas com runas e óleos que modificam o seu efeito. Além disso, Geralt faz uso de poções que conferem efeitos temporários que se reflectem em si e nos ataques aos inimigos. A Magia não é o seu forte, mas uns feitiços simples podem ser combinados de forma eficaz, sendo fundamentais nos momentos e modos mais difíceis de jogo (a preparação antes de cada batalha é imperativa). Acima de tudo, é um tipo que gosta de andar na moda, vestindo luvas, botas, calças e armaduras que, além de efeitos estéticos lhe conferem alterações das suas habilidades defensivas e ofensivas. Podemos obter tudo isto de forma variada, forjando armas e peças de roupa em lojas nas cidades e criando poções e óleos através da combinação e junção de vários itens encontrados no mundo. Claro que tudo o que fazemos nos dá experiência que poderá ser usada para progredir numa árvore de talentos que podem, por sua vez, ser “mutados”. Também aqui teremos de tomar decisões, já que nem os itens nem o dinheirinho chegam para tudo. Apesar do jogo estar optimizado para um controlador (utilizei o da 360), o sistema de menus requer algum tempo de habituação e, mesmo utilizando o rato, são frequentes as acções não desejadas, especialmente numa fase inicial, notando-se a falta de algo básico como comparar equipamento em tempo real.

The Witcher 2 - AoK  (5)

Originalmente, o jogo padecia da falta de um tutorial. Presumia que o jogador estava familiarizado com o primeiro título da série criando um pico de dificuldade inicial. A introdução posterior desse tutorial e uma Arena (que funciona também como modo de jogo independente, limitado mas divertido) facilitam a entrada de novos jogadores. De todas as formas os inimigos podem ser impiedosos, o que, com os picos de dificuldade apresentados, aliados a um sistema de gravação errático, nos podem levar a situações embaraçosas e a repetir secções prolongadas do jogo. Gravar manualmente é imperativo se quiserem ter uma aventura sem sobressaltos além dos provocados pelo enredo.

The Witcher 2 - AoK  (6)

The Witcher 2 é todo um feito. Uma história de amor e uma ascensão meteórica com honras de referências estaduais por parte do Presidente dos E.U.A. e capa da Playboy polaca. E não é para menos: desde o rejuvenescimento do gaming no PC (que parece cíclico), passando por uma adaptação fantástica para uma das consolas caseiras, não há desculpa para não experimentarem uma das melhores aventuras “videojogáveis” dos últimos 10 anos com uma jogabilidade diversa, desafiante e sempre interessante com várias camadas estratégicas. Ah… E o terceiro capítulo assume que terão jogado este também! Ainda aqui estão?

up
Veredicto
Uma das melhores aventuras que tive oportunidade de experimentar nos últimos tempos! Grafismo, jogabilidade, humor e diversidade – joguem já!
Plataforma
PC
Produtora
CD Projekt RED

 

Autor: Sérgio Cardoso Pesquise todos os artigos por

Deixe aqui o seu comentário