Quando peguei no The Wonderful 101 pela primeira vez senti-me imediatamente num mundo parecido ao do famoso filme da Pixar: The Incredibles. O estilo gráfico e o tom cómico vão ao encontro desse universo, só que em vez de sermos um simples espectador, podemos agora mesmo armar-nos em heróis. E daí vem também o título The Wonderful 101. Esse 1 depois do 100 somos nós, o jogador. Nós juntamente com outros 100 super-heróis, vamos tentar salvar o mundo em várias ocasiões. Mas se somos super-heróis, também devemos possuir super-armas ou super-poderes. Bem, as nossas armas são os nossos poderes. A particularidade em The Wonderful 101 é que como controlamos uma centena de personagens, podemos fazer com que todos eles se juntem para criar uma gigantesca espada ou pistola ou um chicote ou um martelo ou… Uma das formas de conseguir essa ideia deveras original é desenhar a arma que desejamos no ecrã do Gamepad. Se preferirmos, podemos optar também pelo botão analógico direito.
Existem várias formas de derrotar os inimigos espalhados pelo mapa. Uma delas é o uso das armas, claro, e a outra é o velho soco na cara. Sejam murros, sejam pontapés, este é um jogo que faz lembrar os típicos “hack-n-slash” e ainda bem que sim, pois é deveras satisfatório arrumar com uns tantos de um lado para o outro. E não interessa se estes chegam às dezenas ao mesmo tempo, o jogo nunca deixa de ser fluido. Mas a porrada e as armas não são a única coisa possível de se fazer graças ao poder dos Wonderful. Através desse ajuntamento de heróis, podemos chegar a sítios outrora inalcançáveis construindo, por exemplo, uma ponte “humana” e é aí que o jogo reina. Na variedade. Se nos cansarmos de uma missão em que tivemos de estourar a boca a uns tantos mauzões, não nos preocupemos, pois o mais certo é a próxima ser mais focada na resolução de puzzles. Só de relembrar a introdução épica (e jogável) em que tive de desviar um gigantesco autocarro de escola com crianças lá dentro, de forma impedir uma catástrofe ainda maior, me faz repetir a adrenalina que senti no momento. É de facto uma óptima forma de nos inserir neste mundo incrível.
Como dito, cada missão faz lembrar os filmes de animação de super heróis que vamos ver ao cinema com os nossos sobrinhos e os bosses finais de cada missão ajudam a ter essa sensação, sendo também estes bastante cinematográficos. O que diferencia estes inimigos dos restantes é a forma de os derrotar. Esta acaba por ser menos “porrada até dizer chega”, pedindo um maior uso da nossa massa cerebral. Serviços secretos, homens e mulheres mascarados, lasers, diálogos cómicos (e deixem-me salientar o excelente trabalho que foi feito aqui na dobragem, ajudando a tornar esta aventura mais épica)… Tudo isso pode dar a entender que este é um jogo para miúdos. O.K., e é! Mas não só… As conversas vão ganhando um tom mais sério ao longo do jogo, graças também à excelente caracterização dos vários personagens que apesar de serem muitos, conseguem-se destacar bem uns dos outros. Conversas que se destacam graças à narrativa trabalhada.
O que torna esta experiência heróica é também a banda sonora a puxar pelos tambores, pelos instrumentos de sopro e pelo coro. Isto nas partes frenéticas, pois nas cutscenes mais sentimentais, tempos os violinos a ganhar vida. Quanto ao nível de dificuldade do jogo, devo admitir que este nem sempre é justo. De repente deparamo-nos numa situação menos fácil de resolver, seja em forma de puzzle ou seja à frente de um inimigo que não nos dá hipótese. Mas isso apenas às vezes. No entanto, são momentos que nos podem aparecer sem aviso prévio, ou seja, a seguir a outros de fácil resolução. Nunca sabemos o que nos espera no próximo passo. Existe também um modo multiplayer, mas confesso que deixa um pouco a desejar por vários motivos. O primeiro é o facto de parecer mesmo algo secundário. Usando o Gamepad, o Pro Controler, Classic Controler, etc. são 5 os jogadores que podem entrar nessa aventura ao mesmo tempo. E o que temos de fazer? Despachar inimigos numa espécie de arena, ganhando a equipa mais forte. E essa é a minha maior crítica. Acho uma pena não termos a possibilidade de entrar no modo história juntamente com outra pessoa. Seja de forma local ou online. Com tantos personagens como protagonistas, com tantos personagens juntos no mesmo ecrã, a tarefa de implementar um modo multiplayer nas missões principais parece-me óbvia.
Tirando isso, The Wonderful 101 é verdadeiramente maravilhoso. Possui um tom único que faz com que este se destaque facilmente na colecção da Wii U. Fartos de jogar o mesmo estilo de jogo vezes sem conta? Então não precisam de procurar mais. Existem 101 razões para pegar neste jogo de qualidade.







