Time of Exploration

6
Longevidade : 8/10
Jogabilidade : 10/10
Gráficos : 3/10
Som : 1/10

Bons elementos de estratégia e planeamento

Um jogo altamente recomendável para dar uma espreitadela nos tempos mortos

Este foi um dos jogos que mais me despertou a curiosidade este ano para o Android. Aparentemente diferente de tudo o que tem saído, uma frase de promoção do jogo me saltou logo à vista. “É um jogo sem gráficos e sem som, totalmente focado em planeamento e estratégia”. A vontade de testar este título disparou de imediato. E esta frase é totalmente verdade. Time of Exploration não tem um único som, nem um bipzito. Os gráficos também não existem, são apenas ícones desenhados à mão, nada mais. Sem cálculo gráfico ou sonoro, com um fundo sempre preto e pouco texto no ecrã, é excelente para a bateria. A questão é que não é um jogo para jogar horas seguidas, este trunfo da bateria nem se aplica.

O primeiro jogo que me fez lembrar foi o MMO “O game”, semelhante na fase inicial, em que se constrói e depois se fica à espera sem hipótese de acelerar o tempo. Time of Exploration não é online, mas o factor tempo é também a chave de todo o jogo. O objectivo é desenvolver uma civilização no mais curto espaço de tempo. Para construir certo edifício necessito de N recursos, e ao fim deste tempo posso construí-lo de imediato que fica logo feito. O tempo que demora não é o tempo de construção mas sim o tempo para obter os recursos. Por exemplo: necessito de duas horas para obter madeira e pedra suficiente para construir uma casa, se tiver o dobro das pessoas a cortar madeira e a extrair pedra o tempo é reduzido para metade, mas por sua vez, mais pessoas leva a uma necessidade de reforçar a produção alimentar, o que por sua vez me consome mais recursos. Temos de ter uma boa gestão de unidade por hora, planeando bem o que irá ser feito a seguir. Rapidamente caímos em excessos de produção que levam a uma ineficácia da economia; o ideal é produzir a quantia exacta para consumo, o que nem sempre é fácil.

Sem ter um história por trás ou referências a épocas, o jogo começa de imediato, com a possibilidade de cortar árvores e partir pedra que serão as bases da construção; depois podemos construir quintas, moinhos, minas, e por aí fora. O factor viciante é o simples facto de com o decorrer do tempo vamos desbloqueando novos edifícios e tarefas, e ficamos sempre expectantes do que virá a seguir.

Ao contrário da maioria dos jogos de estratégia onde ganhamos recursos para construir um edifício em minutos, aqui vamos ter de esperar em muitos casos horas. O que faz deste título uma espécie de Tamagotchi da civilização. Dei por mim a ir várias vezes por dia ao tablet para ver como estava o meu stock de madeira e se já conseguia construir mais uma quinta. É maior o tempo de espera que o tempo de jogo e o segredo é planear bem as horas que se seguem, para mais à frente ter os recursos pretendidos, sempre tendo em conta a proporção ideal procura/oferta.

O jogo é simples, super simples, parece que podia ter sido feito no Excel. Mas é esta simplicidade que espanta e vicia. O jogo dependendo do tempo que lhe damos vai acabar ao fim de 10-15 dias, não mais. O desafio que os editores lançam é acabar o mais rapidamente possível. Nem se mete a questão de não conseguir acabar, pois não é nada difícil, não dá para “morrer”, e é tão lógico que é necessário fazer de propósito para a nossa civilização não evoluir.

Um jogo altamente recomendável para dar uma espreitadela nos tempos mortos.
O ideal aqui são 2 minutos a cada 1 hora. Não esperem estar 1 hora seguida a jogar, pois não dá. O planeamento pode vos tomar alguns minutos, mas depois de tomar as decisões a acções, nada mais podemos fazer durante um valente par de minutos ou horas. Vejam este título como um tamagotchi e a experiência vai ser bem positiva. Já agora, o ideal é instalar no telemóvel e não num tablet, não tem qualquer vantagem este último, e a portabilidade vai ser importante pelo que o telemóvel é o ideal.

Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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