Toejam & Earl in Panic on Funkotron

8
Longevidade : 7/10
Jogabilidade : 7/10
Gráficos : 8/10
Som : 8/10

A originalidade do design | A banda sonora | O modo para 2 jogadores

A elevada curva de dificuldade | Alguma repetição de cenários

No início dos anos 90, os platformers dominavam o panorama das consolas de 16-bit. Saíram dezenas de jogos que tentavam recriar, com diferentes graus de sucesso, a fórmula mágica de um Super Mario Bros. ou de um Sonic The Hedgehog. A maioria apresentava uma experiência de jogo genérica e praticamente indistinguível da concorrência, mas houve alguns exemplos de como era possível agarrar num género saturado e injectar-lhe garra e personalidade.

Toejam & Earl in Panic on Funkotron foi desenvolvido por uma empresa chamada Johnson Voorsanger Productions, e publicado em 1993 pela Sega. A equipa que o desenvolveu tinha lançado em 1991 o jogo Toejam & Earl, uma aventura de perspectiva isométrica passada no planeta Terra, na qual os dois extraterrestres que dão o nome ao jogo percorriam cenários gerados aleatoriamente em busca das peças da sua nave, para que, no final, pudessem regressar a casa. Não tendo sido propriamente um êxito de vendas, esta primeira aventura gerou um culto, e tornou-se querida para todos aqueles que a jogaram. Diz a lenda que a Sega não aceitou os planos da equipa para a criação de uma nova aventura nos mesmos moldes, e a Johnson Voorsanger Productions lançou mãos à obra para criar algo diferente. O resultado foi um side-scroller platformer com ênfase na exploração dos cenários, uma mudança de estilo que desagradou a muitos dos fãs do jogo original. Mas se por um lado os fãs de longa data ficaram desiludidos, os jogadores habituados a uma receita de platformers pouco inspirados descobriram algo diferente, original e muito carismático.

Nesta nova aventura Toejam e Earl estão finalmente de regresso ao planeta Funkotron, mas descobrem que alguns terráqueos conseguiram infiltrar-se na sua nave e aterraram com eles, lançando o pânico com o pior que os seres humanos têm para mostrar. Ao longo do jogo os dois amigos têm de capturar os irritantes humanos e assegurar que o ecossistema de Funkotron é salvaguardado desta inusitada invasão.

Muita da originalidade deste jogo reside na opção da equipa de capitalizar ao máximo o universo criado para os personagens. Toejam e Earl são dois adolescentes extraterrestres loucos por hip-hop, e tudo neste jogo é funky, desde a palete de cores escolhida para os cenários, às roupas dos personagens principais, e particularmente a banda sonora original. Se no início dos anos 90 o hip-hop ainda era olhado como música para outsiders, Toejam e Earl foram criados para dar corpo a esta ideia. Sempre com uma grande dose de humor, foram o primeiro grande exemplo de representação da cultura hip-hop num videojogo.

O jogo desenrola-se ao longo de mais de 15 níveis, nos quais exploramos a geografia de Funkotron em caminhos menos lineares do que o habitual em platformers. Para apanhar todos os terráqueos é necessária uma grande dose de exploração dos cenários, na horizontal e também na vertical, bem como debaixo de água. Para nos ajudar nesta tarefa temos vários poderes à nossa disposição. O botão A permite-nos teletransportarmo-nos alguns passos para fugirmos às investidas dos inimigos ou alcançarmos áreas secretas. O botão B corresponde à função de disparar jarros para capturar os inimigos, e o botão C faz-nos saltar. Mas carregando no Start, além de pausar o jogo, temos acesso a funções secundárias para cada um dos botões.

Uma delas acciona o Funk Scan, para ver inimigos ou bónus escondidos no cenário; outra activa o Panic Button, uma solução de recurso que nos faz perder o controlo do personagem, enquanto ele corre desenfreado lançando jarros para todos os lados; e temos também o Funk Vacuum, uma máquina que captura de uma só vez todos os inimigos visíveis no ecrã. À medida que o jogo se desenrola vamos ganhando pontos para podermos comprar mais energia para gastarmos nestas habilidades, que se vão revelando imprescindíveis à medida que nos são apresentados adversários cada vez mais cómicos, mas também mais letais. Temos homens das obras, crianças histéricas, cantores semi-nús, vacas-fantasma voadoras, caniches raivosos e por aí fora, numa galeria de inimigos do mais inspirado que o meio dos videojogos já viu.

Este é um jogo que quer ser diferente, e para isso tenta também diversificar a sua jogabilidade. Temos níveis de bónus e vários mini-jogos que diversificam a experiência, mantendo o tom natural de comédia que pontua toda a experiência. Num desafio particularmente refrescante, os nossos personagens tentam imitar as habilidades rítmicas de um amigo breakdancer, e são julgados numa escala que vai de lame a awesome! Isto anos antes de PaRappa The Rapper!

Um dos aspectos mais interessantes de Toejam & Earl in Panic on Funkotron, e mais bem recebidos pela crítica, é o modo para dois jogadores em simultâneo. Por vezes o desafio é tão exigente, que mesmo com dois jogadores não é fácil progredir. Se a tudo isto juntarmos dezenas de segredos para descobrir, temos uma experiência de jogo bastante longa e recompensadora. Mesmo se por vezes o controlo dos personagens se torna pouco preciso e se, com o decorrer do jogo, os adversários vão abusando de “jogo sujo”, a frustração não se instala de modo duradouro, e há sempre algum comic relief para aligeirar a experiência.

Toejam & Earl in Panic on Funkotron foi tão influente na carreira dos seus criadores que, anos mais tarde, renomearam o seu estúdio para Toejam & Earl Productions, Inc. Um dos level designers, Evan Wells, começou aqui a sua carreira, e é actualmente vice-presidente de uma certa Naughty Dog. Os dois primeiros jogos da série foram um exclusivo Mega Drive, mas viria a ser desenvolvido pela mesma equipa um terceiro capítulo para a X-box. Porém, o resultado não agradou nem aos fãs nem à crítica, e acabou por ditar o fim da companhia à qual a série deu o nome. Um final menos risonho para uma história feita de muitas gargalhadas. O jogo viria a ser relançado na Virtual Console da Wii em 2007, levando este hip-hop alienígena a uma nova geração de jogadores.

Autor: Goncalo Neto Pesquise todos os artigos por

One Comment on "Toejam & Earl in Panic on Funkotron"

  1. Cecilia 3 November 2012 at 8:21 - Reply

    This game gave me chronic fears of sand, mlbeioxas, ice cream trucks, men with lawnmowers, sharks, nerd herds, moles, and that one present that kills you instantly without you being able to do anything about it (save for the glitch that was probably unknown at the time) but this game is one of my favourite games of all time. The soundtrack doesn’t get old, the gameplay never gets stale, and it’s probably the greatest co-op game of the past millenium.If only SEGA would make more like this. <3

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