Torchlight

9
Longevidade : 7/10
Jogabilidade : 9/10
Gráficos : 8/10
Som : 10/10

Espírito à la Diablo II bem presente

O TorchLight é um RPG de acção, um dungeon crawler, um hack’n’slash, e é sem dúvida muito bom.

O jogo oferece-nos uma jogabilidade alucinante, dotado de uma fluidez e acção impressionante, é capaz de nos prender por horas a fio sem dar-mos pelo tempo a passar.

O seu nome provém da cidade principal do jogo, TorchLight, que foi fundada após a descoberta de um grande depósito subterrâneo de Ember,  um metal precioso e imprescindível para a prática da alquimia. Devido ao Ember, a cidade depressa atrai muitos mineiros e aventureiros à sua procura, e a sua exploração massiva depressa desperta o seu lado sombrio. O Ember é capaz de encantar qualquer tipo de equipamento, mas também pode ser usado para corromper quem o usa. Quem entra na mina à procura de Ember depressa descobre os efeitos nefastos que o mesmo teve com as civilizações que os antecederam. Neste cenário surge Syl, uma aprendiz de feiticeira que chegou a TorchLight à procura do seu mestre, Alric, que desapareceu quando investigava os acontecimentos estranhos na mina de Ember. Compete-nos agora ajudar Syl a encontrar o seu mestre e descobrir os mistérios à volta desta mina…

A história é simplista, servindo apenas para contextualizar as diversas ruínas de civilizações com as quais nos deparamos ao explorarmos a mina de Ember, e para justificar a chacina que ainda está por vir. Contudo não é algo que tire valor ao jogo, pois não é de longe um dos principais atractivos  deste género.

A jogabilidade é bastante boa, fazendo lembrar bastantes RPG’s que o precederam. Em especial, as suas semelhanças com Diablo saltam claramente à vista, e facilmente reconhecem elementos como town portal scroll’s, identify scroll’s, armas socketed e runas, equipamento mágico, raro e agrupado em sets, etc. Aliás até a própria cidade de TorchLight têm elementos que nos fazem lembrar as cidades de Diablo, sendo que o elemento mais evidente é o vendedor de itens não identificados, onde podem tentar a vossa sorte na compra de itens valiosos… ou então lixo desnecessário… e tudo em troca de uma módica quantia é claro. Em termos de jogabilidade destaco ainda o facto de os nossos inimigos não ficarem estáticos à espera que os confrontemos, podendo aparecer de balcões, tendas e outros esconderijos quando menos se espera.

Os controlos são bastante simples, seguindo a tradição do clique de botão esquerdo do rato para nos movimentarmos e atacarmos, e o direito para usar magia e skills.

O jogo conta também com um sistema de fama, que vai subindo à medida que acabamos as quests e derrotamos os chamados “named enemies”, e desta forma passamos de ser um total desconhecido a um campeão reconhecido pela cidade de TorchLight. Pralém do sistema de fama, também existe o popular sistema de pets, havendo à escolha um cão, um gato, e em algumas edições um furão. Este sistema é sem dúvida uma grande mais valia para o jogo, pois permite não só termos uma mochila secundária carregada pelo nosso animal,  como enviá-lo de volta a cidade para vender os itens que carrega, evitando as terríveis viagens à cidade para vender “tralha”. Mas se pensam que o animal é apenas uma mula de carga estão enganados, pois ele auxilia-vos ferozmente na luta, e é até capaz de aprender alguns feitiços, como os populares curativos.

TorchLight apresenta uma grande diversidade de equipamento e armas, e que podem ser melhoradas através do uso de gemas ou então de encantamentos. O jogo também traz consigo um mini-jogo de pesca, que oferece recompensas como equipamento e peixes capazes de conferir poderes adicionais ao vosso animal, embora que apenas temporariamente.

Existem três classes de personagens por onde escolher: Alchemist, o mágico de serviço, Destroyer, a personagem melee,  e Vanquisher, a arqueira/rogue.

O desenvolvimento da nossa personagem também não traz nada de muito novo, sendo que quando acabamos quests e matamos monstros ganhamos experiência, e ao subir de nível ganhamos os típicos stat e skill points. Pode-se distinguir um pouco por haver bastantes skills transversais a todas as classes, o que permite o uso de magia na personagem melee, etc.

As quests e side-quests não trazem nada de novo ao jogo, sendo apenas A razão para andarmos a explorar todos os cantos da mina, mas para os exploradores mais intrépidos e para os que não deixam nada por espreitar, nem é preciso ler o conteúdo delas, pois mesmo sem se esforçarem irão concluí-las no decorrer normal do jogo.

Os gráficos são bastante apelativos, apresentando um estilo bastante cartoonesco, e oferecem-nos uma diversidade relativa, pois embora o jogo seja um dungeon crawler, o facto de nos deparamos com diversas civilizações ao explorar a mina acaba por conseguir mudar o seu aspecto várias vezes ao longo do jogo. Outro aspecto positivo é o facto da aparência do nosso personagem variar de acordo com o seu equipamento, o que se torna bastante interessante.

Embora os efeitos sonoros não sejam particularmente fora de série, a música é surpreendentemente boa, envolvendo-nos completamente no jogo, nos seus cenários arrebatadores e no ritmo efusivo do combate.

Em termos de cenários, monstros e armas, o jogo parece ter fundido o género medieval com o steampunk, e somos confrontados com uma mistura de goblins, espadas, espingardas, robôs, etc.

O único grande senão deste jogo é o facto de ele não oferecer a possibilidade de jogar em multiplayer, o que é uma pena, pois conseguiria elevar o jogo a um outro patamar de qualidade.

Resumindo, o jogo utiliza bastante bem os pontos fortes deste género, e embora não traga consigo grandes inovações, oferece-nos uma jogabilidade viciante,  repleta de acção e muita diversão. A simplicidade das quests, e o facto de estarmos sempre a explorar a mesma mina, pode tornar o jogo algo repetitivo para alguns, mas a grande parte acaba por não padecer deste mal, correndo de volta à mina sempre que podem à procura de um loot melhor. Os fãs de  RPG’s de longa data poderão achar o jogo algo fácil, e existem vários elementos como os encantamentos que propiciam esta situação, mas o jogo têm maneiras surpreendentes de nos cativar e minimizar este facto.  Mesmo sem a vertente multiplayer, este é sem dúvida um título imprescindível para os fãs do género, e garanto que é impossível arranjar melhor a um preço tão reduzido.

Autor: Jorge Fernandes Pesquise todos os artigos por

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