Trinta Anos de Tetris

10
Longevidade: 10/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 9/10
Som: 10/10

Review 4×4

Review Principal

Pode não ser tão secreta e famosa como a fórmula da Coca-Cola, mas a fórmula que Alexey Pajitnov criou em 1984 é um dos marcos mais importantes da história dos videojogos. Celebrou-se no mês de Junho os 30 anos daquele que é para muitos o melhor jogo de todos os tempos, para outros, um dos marcos mais importantes da indústria, o único que conseguiu juntar simplicidade, facilidade, e uma grande camada de vício, muito por culpa de uma jogabilidade que é infinita, ou quase infinita e plenamente eficaz.

Pajitnov criou o primeiro jogo de Tetris num computador russo: o Electronika 60, Gerasimov, que trabalhava com ele foi o responsável pelo port para IBM PC, que fez com que o jogo rapidamente se espalhasse e com que várias empresas começassem uma luta pelos direitos de reprodução deste título, tanto para máquinas de diversão, como para versões para computadores, micro-computadores e consolas. Empresas como a Spectrum HoloByte, Mirrorsoft e Andromeda iam lançando várias versões do jogo em diferentes plataformas sem sequer haver uma clara noção de quem tinha direitos para fazer o que quer que fosse. Apareciam assim, nos primeiros 4 anos de Tetris, versões aprimoradas para IBM PC, Commodore 64, Apple II, Atari ST e Amiga por exemplo. Depois de imensas versões e de muitas empresas tentarem, e até darem direitos que não tinham sob sua posse, a União Soviética, que detinha os direitos do jogo, decidiu finalmente firmar contractos mais rígidos. Entrava aqui a Nintendo em cena, que viria a lucrar a um nível planetário com os direitos que acabara de obter, para reproduzir o Tetris tanto para consolas caseiras como portáteis, assim como a Atari ganhava os direitos de comercializar o jogo em máquinas de diversão.

Em 1989 era então lançada a versão portátil de Tetris. Juntamente com a portátil da Nintendo, que já era um grande chamariz, vinha na caixa o famoso jogo russo, que tornava a consola duplamente amada e pretendida. Esta versão despida de cores fez vender as portáteis a um ritmo alucinante. Agora toda a gente podia jogar em qualquer lugar, e até competir através do cabo de ligação produzido para o efeito. Além disto, Tetris foi mesmo o primeiro jogo a utilizar essa capacidade competitiva. A aposta da Nintendo foi forte a todos os níveis. Olhando para trás no tempo, não há uma consola que não tenha tido uma versão deste jogo. Mas mesmo assim, e com os direitos sobre o jogo já bem patenteados, nem por isso outras empresas deixaram de tentar aproveitar a sua sorte. O caso do Tetris da Mega Drive é provavelmente o mais famoso. A SEGA não queria ficar para trás nesta luta, e acabou por lançar uma versão não licenciada para a sua 16bit. Devido a uma disputa legal, acabaram por ser obrigados a retirar todo o stock, deixando apenas, reza a lenda, dez cópias espalhadas algures pelo mundo derivado a compras feitas entre a exposição do jogo e a sua recolha. Uma destas cópias, já levou até uma assinatura de Pajitnov e consta-se que possa ser um dos itens mais raros e pretendidos pelos grandes tubarões do coleccionismo.

Em 1996 era criada (finalmente) a The Tetris Company. Alexey Pajitnov tinha novamente sob sua posse os direitos da franquia, e tudo aquilo que quisesse fazer com ela, já que o próprio, mesmo sendo o criador, pouco havia lucrado com o jogo e com qualquer lançamento do mesmo. Novamente, e durante largos anos, foram abertos mais disputas legais contra quem recriasse as regras, a forma de jogar, ou até as dimensões das peças em clones de Tetris. Obviamente que com o boom da Internet, os sites de jogos em flash e até os mercados móveis especializados em smartphones não havia sítio onde faltasse o Tetris, acompanhado com dezenas de réplicas. Após a criação desta companhia que regulava os direitos do jogo, foram muitas as consolas que começaram a receber a fama dos blocos, assim como novas variantes começaram a aparecer nas máquinas de diversão. Uma das minhas versões favoritas, Tetris Plus, mantinha o charme e a elegância que Pajitnov criara, com o twist de incluir uma pseudo-história de exploradores em busca de tesouros. Aqui, o objectivo era eliminar os blocos apresentados no ecrã, para que a personagem pudesse descer cada vez mais fundo e encontrar melhores tesouros. Tetris tem até, na Nintendo 64, uma parceria interessante. Magical Tetris Challenge junta o mundo mágico da Disney aos blocos em queda, apresentando também uma história interessante, com as personagens a desafiarem-se para consecutivos rounds de Tetris para provarem serem os melhores. “Queres passar por mim? Tens que me vencer no Tetris!” são as palavras de ordem do princípio ao fim. A SNK criou também o seu próprio título baseando-se inteiramente no jogo russo. Puzzled apresenta uma jogabilidade igualmente viciante e frenética, com um twist muito idêntico ao Tetris Plus, mas ao contrário. Aqui o objectivo é remover peças que aparecem bem altas no quadro de jogo, para que um balão de ar quente que nos transporta possa subir cada vez mais no céu.

Mas não foi só isto que as palavras “falling blocks” criaram. Não há dúvida que muitos outros jogos que apareceram ao longo do tempo se basearam no mesmo esquema estratégico. Franquias de luxo como Puyo Puyo, Columns, e jogos que deixaram a sua marca, como o já mencionado Puzzled ou Baku Baku da SEGA utilizam quadros idênticos, e a mesma forma, ou pelo menos, a mesma finalidade, de eliminar peças.

Por tudo isto, Tetris merece ser lembrado a cada ano que passa, e somos sempre recordados pelas constantes versões, quer físicas, quer digitais, que vão ficando disponíveis. Para este ano, para a celebração dos 30 anos, há até a confirmação que uma das músicas de Just Dance 2015 foi retirada do Tetris, e foram também confirmadas as versões PS4 e Xbox One, para que a loucura continue.

 

Visto por: Franciso Pereira

 

Tetris, para mim, está no lote dos jogos que nunca vão perder o seu modjo – a versão que eu mais joguei, é claro, a do Game Boy.
Durante 7 meses (o período entre o Natal e os meus anos) Tetris não parou no meu Game Boy. Arrumar as peças, de forma exemplar, enquanto queimava a retina no pequeno ecrã dot matrix, era o pão nosso de cada dia. E a verdade é que, ainda hoje, apesar dos muitos jogos que joguei, é quase sempre ao Tetris que volto com mais saudosismo.

Pontuação: 10
Visto por: Ivo Leitão

 

Poucos jogos conseguiram ser tão importantes na indústria dos videojogos como Tetris o foi. Para além de ser um sucesso de crítica e de vendas, revolucionou por completo todos os puzzle games existentes até então e influenciou muitos outros jogos que lhe seguiram. Apesar de todos os processos legais que o jogo sofreu por questões de copyright, é a versão da Nintendo Gameboy que atingiu um maior sucesso. E percebe-se o porquê, com um conceito tão simples e viciante de encaixar pecinhas que caiam numa caixa, foi um jogo que prendeu muita gente às suas portáteis durante longas tardes, e eu não fui excepção.

Pontuação: 10
Visto por: Luis Teixeira

 

Foi numa tenda qualquer da Rua Direita que pedi a minha primeira consola à minha mãe. Uma daquelas portáteis com o Tetris no seu interior. “O que os miúdos querem agora é isto”, dizia a vendedora. Na altura queriam isso e hoje, 30 anos depois, ainda o querem. Haverá jogo mais intemporal do que este? O próprio Pong teve de levar algumas modificações para se tornar entusiasmante nos dias de hoje. Apesar das também inúmeras variantes de Tetris que por aí há, a verdade é que mesmo o original sem qualquer extra consegue prender esta nova geração ao ecrã.

Pontuação: 10

 

Autor: Victor Moreira Pesquise todos os artigos por

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