Typoman

Um jogo com gralhas.

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Quando Typoman foi anunciado pela primeira vez, juntamente com outros Nindies, soube que tinha acabado de assistir a algo especial. Algum tempo depois, apareceu a demo jogável, na Eshop da Wii U, a qual fiz download e joguei a curta, mas satisfatória, versão de preview. Fantástico! Quando me chegou às mãos a versão final do jogo, e realmente pude jogá-lo de uma ponta à outra, a minha felicidade passou a ter um “in” como prefixo.

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Todo o meu entusiasmo por Typoman devia-se a dois aspectos que mais aprecio nos jogos indie de puzzle/plataformas: um estilo gráfico diferenciador e uma jogabilidade criativa. Nisso não desiludiu! Partir palavras e pegar, literalmente, nas suas letras, para criar novas em que, por algum tipo de magia tipográfica tornam-se realidade, é uma bela ideia. Sem uma grande dificuldade, mas com uma resolução sempre satisfatória, o nosso herói solitário, também ele feito de letras, vai saltando e puxando os caracteres para resolver puzzles através de anagramas. Junte-se um “D” a “Rain” e poderemos drenar a água da chuva. Junte-se um “O” com um “N” e ligue-se um elevador e mais não digo para não estragar as surpresas. É, certamente, necessário saber-se Inglês para jogar Typoman, mas as palavras escolhidas são bastante comuns e, na primeira parte do jogo, tudo tem uma lógica e resposta relativamente directas, mas entusiasmantes.

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Fiquei com um sorriso de orelha a orelha, e realmente fascinado, com a criatividade do estúdio alemão Brainseed Factory. O jogo começa muito bem, (fora os loadings que são lentos à brava, ainda que, existam poucos), o pior é que a qualidade não se mantém durante a sua curta vida… não mesmo! A experiência total dura pouco tempo, mas nota-se que, mesmo assim, a criatividade se esgotou a meio. Deparamo-nos, assim, com uma série de decisões que parecem apenas tentativas de tornar o jogo mais longo, algo que, porém, o torna demasiado artificial e aborrecido. Existem duas ou três sequências que exigem a nossa velocidade máxima, seja a saltar de plataforma em plataforma ou a reordenar texto. A rapidez e precisão exigidas para se ser bem-sucedido nesses momentos, não é apenas difícil, é, simplesmente, frustrante. Mas o pior nem é isso! No princípio temos sempre palavras já formadas à nossa disposição para alterar e transformá-las noutras diferentes, existindo, à partida, uma delimitação que nos ajuda a não nos sentirmos completamente perdidos. Ora, no último capítulo do jogo, isso não acontece. Encontramo-nos apenas com máquinas de escrever com poucas teclas, que regurgitam as letras que lhes pedimos. Como podemos pedir várias vezes as mesmas letras, as combinações possíveis aumentam exponencialmente, o que faz com que demos por nós a pensar, largos minutos, no que raio o jogo pretende que lhe seja dito, como se jogássemos palavras cruzadas com uma sopa de letras. Esta ideia não funciona, porque não existe a liberdade de Scribblenauts em que, de facto, quase tudo o que nos lembrarmos de escrever, tem reflexo na jogabilidade, permitindo diferentes formas de resolução dos puzzles.

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Em Typoman isso não acontece, mesmo que se consiga escrever uma palavra alternativa lógica, só existe uma solução para cada situação. O sistema de dicas que podemos activar livremente, parece reconhecer que nem toda a gente terá a capacidade, ou paciência de adivinhar tudo o que os seus criadores queriam que escrevêssemos, permitindo o avanço quando estamos bloqueados (ainda que se esteja a retirar a capacidade de descoberta, que é essencial no conceito). Admito que tive que usar as dicas mais que uma vez, visto estar a ficar extremamente entediado com esta parte do jogo, em que a tentativa-erro leva, uma vez mais, à frustração, além de que as soluções começam a deixar um bocejo no ar, em vez dum “uau!”.

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Devo realçar, todavia, que a utilização do Gamepad da Wii U é simples, mas bastante boa, pois permite reposicionar as letras a partir do ecrã táctil, o que torna o processo de criação de palavras e teste de diferentes alternativas muito mais rápido e eficiente. No último capítulo usei-o tanto, que mais parecia que estava a jogar Scrabble. Não entrando em grandes detalhes, para não estragar nenhuma surpresa, devo referir ainda a luta final com um boss que é terrorífico em vários sentidos. Por um lado, o bicharoco com que nos deparamos é realmente medonho, por outro, a forma como nos livramos dele denota, uma vez mais, que a imaginação dos criadores se esgotou nos primeiros capítulos e o que sobrou foi uma batalha tipográfica, freneticamente, mal doseada.

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Typoman é um jogo que eu adoraria adorar e conseguiu fazê-lo, brilhantemente, na sua primeira metade. É quase como um sucessor espiritual de Limbo, que, certamente, foi a principal fonte de inspiração do estúdio. O pior é que, infelizmente, na segunda parte, espalha-se ao comprido e torna-se bastante aborrecido, facto ainda mais evidente pois quanto mais alto se sobe, maior é a queda.

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Dar uma pontuação a Typoman é difícil, pois apesar de todos os defeitos que referi e de poder ser melhor polido em termos de optimização e bugs, tentou fazer muito mais do que a maioria… tendo-o conseguiudo, em parte. É diferente e criativo mas, no fim de contas, dum jogo que prometia ser incrível, acabamos, apenas, por ficar com uma boa ideia cheia de gralhas.

up
Veredicto
Começa de forma brilhante, mas acaba terrivelmente. A melhor opção é jogar apenas até meio e ficar com essa boa recordação.
Plataforma
Wi U
Produtora
Brainseed Factory
Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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