Uncharted 3: Drake’s Deception

9,5
Longevidade : 9/10
Jogabilidade : 9/10
Gráficos : 10/10
Som : 10/10

É Uncharted mais uma vez!

Ter que esperar pelo próximo!

A terceira aventura de Nathan Drake chega finalmente à Playstation 3 e mais uma vez vem dar uma lição de como fazer um blockbuster de aventura e acção.

Desta vez o enredo foca mais de perto o passado de Nate, a sua amizade com Sully e o legado de Sir Francis Drake, tudo isto no estilo a que a Naughty Dog já nos habituou; em que não pousamos o comando para assistir a intermináveis cut-scenes pois as sequências não interactivas encontram-se perfeitamente interligadas e inseridas nos segmentos jogáveis. Tal como os seus dois antecessores, este é sem dúvida um dos jogos mais cinematográficos já feito e a fasquia está continuamente a elevar-se. Se no jogo anterior participávamos num tiroteio dentro dum comboio em movimento, neste fazemos o mesmo mas num cruzeiro em plena tempestade ou num avião meio caminho andado para a sua queda. Apesar da clara homenagem que presta aos clássicos de aventuras como Indiana Jones podemos afirmar com convicção que o nível de espectacularidade deste jogo está a par e até supera a maioria desses filmes.

A jogabilidade continua praticamente igual ao que a saga nos apresentou até então, com a inserção de alguns movimentos novos, como a capacidade de derrubar um inimigo a partir dum salto duma plataforma mais elevada ou, até, entre uma ou duas bofetadas, soltar a cavilha duma granada presa no cinto do adversário. Foi melhorado também o combate corpo a corpo, sendo possível derrubar uma quantidade considerável de oponentes desta forma – o que é bom para quem não aprecie tanto os longos tiroteios, em que se deve apontar com precisão com o comando analógico. Por falar nisso, realço algo que poderá ser considerado quase “sacrilégio” mas penso que o jogo teria ficado a ganhar com uma versão para Move. Não propriamente para esbracejar no quarto enquanto Nathan repetisse os movimentos no ecrã mas mais como forma de ganhar rapidez a apontar a mira e disparar. Resident Evil 4 na Wii ganhou muito com a implementação deste sistema e penso que Uncharted também ganharia ainda mais ritmo e dinamismo.

A aventura em si não é demasiadamente longa mas passamos por ambientes bastante variados em direcção à “Atlântida das Areias”. Sabemos que o jogo é realmente bom quando percebemos que o acabamos em poucas horas, enquanto que uma boa parte dos jogos actuais são postos de parte depois de uns meros minutos (experiência própria e talvez subjectiva). Isto deve-se à acção bem doseada, à divisão da progressão em capítulos curtos e à vontade de ver o que nos virá surpreender de seguida.

Gráfica e tecnicamente o jogo é soberbo com uma atenção incrível aos “pequenos grandes pormenores”, que vão desde as animações de Nathan (que, por exemplo, se equilibra pondo a mão na parede mas mesmo assim por vezes tropeça) à simulação dinâmica das ondas em alto mar que, eventualmente, viram todo o cenário de pernas para o ar. Todas as vezes que algo nos corre mal, como o chão que se parte ao cair nele ou que nos vemos numa luta por vezes pouco leal e desastrada, tornam o personagem mais real e próximo de nós (uma vez mais nota-se uma clara influência do mítico Harrison Ford em Indiana Jones). Por fim, ao nível do som pontual, Nathan diz “merd*” e “oh meu Deus, raios!!!” e outros comentários que certamente passam exactamente ao mesmo tempo pela cabeça da maioria dos jogadores.

O jogo suporta visualização em 3D estereoscópico e, apesar de ter alguns momentos com bastante profundidade em que sentimos que o cenário é realmente vasto, tem o inconveniente que se pode tornar cansativo e a recomendação de pausas entre cada hora de jogo deve ser seguida.

Sem querer revelar demais, existem algumas experiências no jogo dignas de menção, como o novo rumo a estados psicologicamente alterados e ao “psicadelismo”.Drake vê o mundo a andar à roda mais do que uma vez e o jogador sente-se na pele dele tanto numa sequência em que o personagem é drogado como noutra em que delira perdido no deserto e sentimos que passamos por lá duas noites ou três (e isto sem passar uma grande seca a jogar).

A Naughty Dog explorou habilmente o modo multiplayer sendo original na criação de pequenas aventuras cooperativas e competitivas que expandem a experiência dinâmica e cinematográfica de Uncharted na componente online. Esta adição ajudará com certeza a aguentar a espera por outro jogo deste calibre.

Este é o tipo de jogos que faz necessária a existência da Playstation 3. Numa clara evolução do que foi Tomb Raider, não existe competição directa para Uncharted e é uma pena pois precisamos de mais jogos assim.

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

2 Comments on "Uncharted 3: Drake’s Deception"

  1. André Miguel Silva 24 June 2012 at 21:45 - Reply

    Gostei muito desta análise do jogo, pois parte do principio que o leitor ainda não conhece o jogo em causa, suscitando assim o seu interesse em experimentar. A análise começa logo por identificar a consola a que o jogo se dirige. Depois, numa análise critica, estabelece comparações com outros jogos semelhantes de forma a comparar os pontos fortes e fracos do jogo. A referência ás aventuras do Indiana Jones é muito bem feita, pois os leitores podem logro criar na mente uma imagem do jogo, no caso de nunca o terem experimentado. Quando o autor do texto passa para a análise em particular do jogo, define uma série de pormenores muito importante para os jogadores, como por exemplo a jogabilidade e o tempo de duração normal do jogo. Gostei muito de um pormenor. O autor refere passagens do jogo em termos de diálogos da personagem principal (Nathan diz “merd*” e “oh meu Deus, raios!!!”). O que eu me ri com esta parte. A criação destes pequenos comentários no texto faz com que o leitor se sinta muito mais ligado ao autor, e que sinta logo vontade de experimentar o jogo, se o autor o recomendar. Esta pequena ligação é muito boa, e faz depender muito do sucesso das análises dos jogos. O autor é um ser humano e não pode nem deve ser imparcial na análise de um jogo. O autor deve demonstrar a sua opinião, oferecer bons e maus aspetos do jogo que está a analisar, e no fim dar a sua opinião. Depois é o leitor, que mediante a análise feita, decide ou não comprar o jogo. Importante alerta o do autor do texto em relação ao cenário que se pode tornar cansativo e a recomendação para que devemos fazer pausas entre cada hora é muito útil. Um outro pormenor que adorei na análise foi o facto de terem sido introduzidas imagens do próprio jogo, possibilitando ao leitor verificar também os cenários e gráficos do jogo que está a ser apresentado. Gostei muito desta análise porque apesar de ser sucinta, conseguiu tocar nos pontos essenciais que interessam aos leitores. A análise mais do que ser totalmente critica, deve ser explicativa, demonstrando quer as coisas boas, quer as coisas más do jogo. Em jeito de conclusão, deixava também uma sugestão. Seria interessante por exemplo no inicio da análise fazer uma breve introdução ao jogo, através da apresentação da história e das personagens se as houver. Porque há jogos em que o jogo se desenvolve à volta de uma história com factos, acontecimentos e personagens, seria interessante dar a conhecer ao leitor isso. De resto, gostei bastante.

  2. Luis Campos 19 August 2012 at 19:42 - Reply

    Subscrevo a vossa frase: «Sabemos que o jogo é realmente bom quando percebemos que o acabamos em poucas horas». Terminei-o em pouco tempo (acho que a única coisa que peca no jogo é a pouca longevidade – mas ao mesmo tempo a sua curta duração adensa a sensação de estarmos a jogar um “filme”) e comprei-o assim que saiu. Acho que em toda a minha vida só o FM me faria aguardar com tanta ansiedade pelo lançamento de um jogo. A série Uncharted conseguiu elevar a um patamar altíssimo a experiência cinematográfica jogável. Comprarei o 4, assim que sair (mas antes ainda virá o “Last of Us”). Naughty Dog está no topo.

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