Uncharted 4: A Thief’s End

O expoente máximo do género acção/aventura.

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Depois de revisitarmos as primeiras três aventuras de Nathan Drake na PS4, chega, finalmente, a continuação que todos esperávamos e, até ver, o capítulo final da série. Para começar, não posso deixar de referir a minha genuína admiração pela produtora Naughty Dog, que apesar de não ser, pelo menos nos últimos anos, uma que corra muitos riscos, também é verdade que o que faz é sublime. São poucas aquelas que, não apenas actualmente, mas desde sempre, conseguem a proeza de todos os seus produtos serem dignos de destaque. Normalmente, existem altos e baixos, porém, a Naughty Dog só parece ter altos, já que cada jogo que lança no mercado consegue ser superior ao anterior. São poucas as empresas que conseguem realmente alcançar a nossa mais profunda consideração, ou pelo menos a minha, mas a Naughty Dog tem conseguido tal feito, em conjunto com outras, como a Blizzard ou a Piranha Bites.

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Claro que Sullivan tinha que estar de volta, tal como Elena.

Elogios e opiniões demasiado pessoais à parte, embora uma análise seja sempre algo pessoal, devo confessar que comecei a minha experiência com Uncharted 4: A Thief’s End com uma expectativa moderada. Honestamente, pensei “vai ser igual aos outros”, o que, até certo ponto, é verdade. Todavia, e apesar de ser obviamente baseado naquilo que foi feito antes, houve, nesta incursão, uma genuína ambição, por parte da Naughty Dog, em nos dar uma experiência mais aberta, mais subjectiva à interpretação e vontade de cada um. No que toca à exploração, continua a ser maioritariamente um jogo bastante linear. Vamos do ponto A para o ponto B e o caminho é sempre o mesmo. No entanto, há agora algumas secções em que podemos explorar um cenário mais amplo. Continua a ser possível, claro, seguir directamente para o objectivo, mas, também, divagar, ainda que pouco, pelos belíssimos cenários e explorar para além do imprescindível. A exploração de cenários com veículos de tracção às quatro rodas é especialmente divertida e, para quem gosta de todo-o-terreno ou turismo de aventura, é praticamente um guilty pleasure.

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A introdução da corda dá uma dinâmica excelente, além de abrir novas possibilidades de exploração e combate.

Completamente inútil referir, mas igualmente impossível de não o fazer, é a qualidade gráfica absolutamente incrível. Podem ver as screenshots que quiserem, visualizar todos vídeos no Youtube ou todos os streams de Twitch, mas esta é uma experiência que tem de ser jogada (aliás, como todas deveriam ser, mas enfim). Podem dizer que os gráficos não são o mais importante, facto com o qual eu até concordo, porém, neste caso, estes conseguem elevar o produto a um nível que poucos alcançam. Não nos podemos esquecer que estamos a falar de um jogo de aventura. Assim, os cenários luxuriantes, as paisagens de cortar a respiração e a vivência das cidades, são factores importantes na criação da envolvência perfeita. O motor gráfico consegue recriar estes ambientes com excelência e é de realçar a atenção ao detalhe com que a equipa da Naughty Dog nos presenteou. Os gráficos, além de soberbos, conseguem, para mim, alcançar outro feito ainda mais importante: fazer com que tudo pareça natural. Não creio ser novidade para o leitor, que, por vezes, os reflexos, a luz, as texturas ou outro qualquer aspecto parecem demasiado… nem sei bem que expressão usar… forçados! Contudo, em Uncharted 4 isso não acontece, já que todas estas componentes parecem super naturais, dando praticamente a sensação de estarmos dentro deles. Isto é essencial para o tipo de cenários apresentados e, graças a esta característica, vão explorar alguns dos locais mais belos de sempre num videojogo. Outro aspecto incrível são expressões faciais dos personagens que, mais uma vez, e caindo na repetição, estão soberbas. Estas dão vida como nunca antes vi, conseguindo, novamente, tal como aconteceu em The Last of Us, criar personagens das quais nunca nos vamos esquecer.

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Algumas das sequências de acção são das melhores de sempre nesta indústria. A perseguição de onde esta imagem foi retirada é digna de estar num filme como Mad Max.

Apesar de alguns bugs, mesmo depois da instalação de um patch de 5GB, também a jogabilidade está melhor do que nunca. Se, por um lado, no plano genérico, esta está praticamente… igual, por outro, houve dois aspectos que me surpreenderam bastante pela positiva: a inteligência artificial e a dinâmica dos cenários. Começando pela primeira, não há dúvida de que esta melhorou, estando, agora, os inimigos mais agressivos do que nunca, o que nos obriga a ser mais dinâmicos. Estar parado representa cometermos suicídio. É necessário progredir de forma inteligente pelos cenários de combate, desta feita, mais amplos e abertos a várias possibilidades. Vão ter de sair do vosso cover, procurar locais mais seguros, flanquear para obter vantagens, utilizar o cenário a vosso favor, entre outras técnicas que vão desenvolver com o decorrer da acção. O dinamismo que os combates oferecem é, sem dúvida, um dos grandes pontos positivos em relação aos jogos anteriores da série. A acção neste capítulo da série é, igualmente, a mais frenética, onde várias vezes vamos ter que enfrentar situações, nas quais, para além de nos preocuparmos com os inimigos, precisamos ainda de avançar por um cenário difícil, cheio de obstáculos, por vezes pequeno e de difícil progressão. É aqui que se criam os momentos mais satisfatórios, não pela dificuldade, como nos jogos da série Souls, mas pela dinâmica incrível existente entre o combate e os cenários, e a satisfação que advêm de conseguirmos misturar os dois com eficiência. Em termos de exploração, a inclusão da corda adiciona, inquestionavelmente, uma grande dinâmica à exploração, além de criar novas e interessantes possibilidades. Por fim, uma breve nota para as mecânicas stealth, novamente presentes e bem implementadas, que representam uma excelente alternativa à acção frenética, diria até essencial, se estiverem com dificuldades em passar alguma parte pela via mais abrutalhada.

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As paisagens deslumbrantes continuam a ser um dos grandes pontos fortes de Uncharted. Neste título, outro dos aspectos muito positivos é a enorme variedade de cenários.

Talvez o único ponto menos positivo passível de apontar a Uncharted 4, ainda que seja, provavelmente, algo mais pessoal, é o andamento do jogo ser agora mais fragmentado. Uma das melhores características dos anteriores, era a forma como intercalavam a exploração com o combate e as cutscenes. Aqui, temos secções de exploração muito mais longas, intercaladas com pequenas secções de combate e depois cutscenes, também elas bastante longas, pelo menos, em comparação com os anteriores. E nem vale comparar a Metal Gear Solid 4, já que esse será, possivelmente, o rei das cutscenes para todo o sempre. Embora algumas secções de acção/combate sejam longas e estupidamente intensas, mas de tal forma intensas que nos conseguem mesmo tirar o ar, são, frequentemente, um aparente complemento que parece lá existir, apenas por necessidade. Todavia, isto é apenas pontual em certos capítulos, além de bastante susceptível à opinião e gosto pessoal de cada um. É de notar, e isto é extremamente importante, embora não o possa aprofundar por motivos óbvios, que a história de Uncharted 4 é a melhor da série, ainda que, no início, seja um pouco lenta a desenvolver e a agarrar o jogador.

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O enredo desenvolve-se à volta da relação entre o nosso já conhecido Nathan Drake e do seu irmão mais velho Sam Drake.

No final da ainda longa campanha, que deve rondar, aproximadamente, as doze a quinze horas e depois de tudo o que passámos, não só em Uncharted 4: A Thief’s End, mas, também, nas entradas anteriores da série, é impossível não ficarmos nostálgicos. Espero que este não tenha sido o último título da série Uncharted, todavia, se foi, pelo menos, foi em grande! É, para mim, o melhor da série, conseguindo superar o segundo, algo que considerava impossível. Apesar de ser um jogo muito similar aos anteriores, conseguiu voltar a despertar em mim o sentimento de estupefacção, que Drake’s Fortune criou em 2007 (oh meu Deus, já se passaram nove anos!). Recomendo vivamente que todos os possuidores de uma Playstation 4 joguem Uncharted 4: A Thief’s End, pois é daquelas experiências que, por muitas análises que leiam, só mesmo experimentando conseguem ter noção da sua grandiosidade, principalmente, para quem gosta do género… ou mesmo só de viajar.

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Veredicto
Uma experiência obrigatória e um jogo excepcional.
Plataforma
PS4
Produtora
Naughty Dog
Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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