Underground

Treino cirúrgico numa espécie de Lemmings

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Tal como em outras indústrias de entretenimento, os videojogos são também sujeitos à injustiça daquilo que é o poder do dinheiro e à exposição que ele traz a produtos bons ou maus. No cinema todos falam do Homem-Aranha ou Transformers, enquanto que verdadeiras pérolas como The Babadook ficam encobertas na névoa impenetrável criada pelos blockbusters e suas respectivas financiadoras. Todos os dias se sacrifica a originalidade em prol do fácil e do superficial apelativo visual. É uma pena que assim seja, e é também uma pena que Underground venha quase inevitavelmente a sofrer dessa doença.

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Por falar em doença, Underground tem uma interessante componente educativa. Muitos centros hospitalares encontram-se interessados no jogo para dar uma formação “ao de leve” em Laparoscopia. Não vos sei explicar ao certo as suas utilidades porque não sou médico (felizmente ou infelizmente, ainda não tenho a certeza), mas consiste no processo de conseguir fazer operações meticulosas através de incisões minúsculas (0.5 – 1.5 cm). Uma das imensas técnicas maravilhosas da medicina moderna.

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Para além disso Underground é também um jogo de puzzles muito interessante e pouco vulgar. No controlo de dois “braços” mecânicos que executam várias funções, dependendo do que seleccionamos para cada um no gamepad, temos como objectivo salvar os robôs que vamos encontrando. Os braços servem várias funções como destruir ou mover objectos no cenário de modo a desimpedir ou a criar caminho para os robôs chegarem ao seu destino. No fundo faz lembrar imenso o antigo Lemmings em vários aspectos. No início apenas controlamos um dos braços de cada vez, mas eventualmente vão ver-se obrigados a usar ambos em simultâneo, e aqui é que começa o desafio. A sincronização entre ambos é essencial para completar os vários desafios que nos são apresentados e que vão ficando mais complexos com o decorrer da campanha. As mecânicas de jogo são simples, mas são divertidos e felizmente não são frustrantes, apesar dos controlos parecerem complicados ao início devido a serem algo realmente diferente mas que facilmente nos habituamos.

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A história é-nos apresentada com um charme muito particular através de sequências de vídeo desprovidas de efeitos sonoros, mas, acompanhadas de uma banda sonora de música clássica linda e envolvente. Tão boa que os personagens não necessitam de dizer nada, a música consegue fazer-nos perceber os seus sentimentos. Onde Underground pode ser uma experiência menos positiva é no aspecto visual. Para além do grafismo se notar datado os cenários são também pouco apelativos.

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Underground é um título interessante de puzzles que merece todo o sucesso que possa vir a ter. No entanto, embora já tenha sido lançado na e-Shop da Nintendo Wii U, parece que ninguém ouviu falar dele. Ninguém sabe o que é, ninguém viu nada, ninguém sabe que existe, o que é uma pena realmente. Este vai ser mais um daqueles títulos que daqui a muitos anos poucas serão as pessoas que se irão lembrar dele com carinho e dizer “O Underground foi dos jogos mais engraçados que joguei nesse tempo”. Por isso, se tiverem oportunidade, esqueçam por enquanto as corridas online do Mario Kart e experimentem este surpreendente título que não se irão arrepender.

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 Veredicto                                                        
Um título surpreendente.
 Plataforma        
 Wii U
 Produtora         
 Grendel Games
Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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