Unepic

8
Longevidade: 8/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 8/10
Som: 9/10

Enorme quantidade de referências geeks | Boa história e caracterização de personagens | Para amantes de RPG

Nada de especial a apontar

Olhando para as imagens, este parece ser à primeira vista mais um genérico jogo de plataformas. No entanto, rapidamente nos apercebemos da sua verdadeira riqueza e, afinal, aquilo que pensávamos ser um jogo de plataformas puro oferece-nos na verdade imensos elementos RPG num mapa à lá Metroidvania. Somos Daniel, um rapaz geek a jogar uma partida de Dungeons and Dragons juntamente com os seus amigos igualmente geeks. As conversas geeks dominam claramente a noite. No momento em que Daniel decide ir à casa de banho, é magicamente transportado para dentro de um enormíssimo castelo cheio de divisões ao estilo Metroidvania, mas com cenários medievais como grande parte dos RPGs o pede. Não sabe como foi lá parar, não sabe como sair de lá. O seu único palpite é que deve estar a sofrer alucinações (ou pelo menos é isso que ele quer acreditar). Dentro de Daniel encontra-se um espírito mau que o tentou possuir, mas que falhou redondamente. É este que nos (Daniel) vai dando dicas do que fazer a seguir. Porém, desejando esse a nossa morte para se poder libertar, iremos precisar de ter cuidado com certas rasteiras que ele nos irá tentar pregar.

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Os diálogos são constantes, mas não saturantes e estão cheios de referências não só a livros ou filmes de acordo com o tema, como os famosos Lord of the Rings e Harry Potter, como também a outros videojogos de consolas retro. Como não podia deixar de ser, os jogadores mais geeks vão-se sentir em casa aqui. Posso perfeitamente imaginar o grupo de amigos da introdução como sendo o cast da série The Big Bang Theory. À medida que procuramos por segredos no castelo (que deixem-me dizer-vos, é bastante grandinho), vamos encontrando outros personagens típicos desta temática. Ora nos pedem ajuda para resolver certas tarefas, como ir buscar o animal de estimação algures perdido ou nos colocam à prova, desafiando-nos a derrotar o mauzão que raptou todas as donzelas. Para além de todo o tema, o que de facto aproxima este jogo de um RPG é a exploração do castelo, são os pontos de experiência que ganhamos ao derrotar trolls e outros monstros, são os feitiços que podemos criar misturando vários ingredientes (língua de serpente, asa de morcego, pozinhos mágicos…) e são as inúmeras armaduras e armas como a espada, machado e arco, entre outras, também elas com possibilidade de aumentar de nível.

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Vamos necessitar disso tudo, pois podemos dizer que já no início do jogo nos deparamos com inimigos que nos vão dificultar bastante o progresso. Não é um jogo em que vamos perder poucas vidas. Felizmente existem também imensos save points durante a aventura e bastantes níveis de dificuldade para escolher no início. Por outras palavras, apesar de desafiante, nunca chega a ser frustrante. Isto se não formos a abrir caminho à toa sem pensar estrategicamente. Cada inimigo é mais vulnerável a um certo tipo de arma, basta descobrir qual e se o machado é óptimo para ataques melee o arco é o ideal quando queremos derrotar mauzões que se encontram a longa distância. E com tanta arma e poção disponível, o melhor seria ter tudo à mão sem ter de recorrer constantemente ao menu. Felizmente é isso que acontece. Graças ao Gampad da Wii U, podemos colocar cada objecto em um dos 20 e tais espaços reservados no ecrã à nossa disposição. Com um simples toque, ficamos imediatamente com a arma certa na mão. É uma ideia bastante simples, mas muito bem-vinda. Longe vão os tempos em que tínhamos de estar sempre a perder tempo ao carregar em pausa.

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Indo ao encontro do tema e ambiente que tenta proporcionar, Unepic apresenta um visual retro mas também moderno. Deixem-me explicar. Retro também muito devido à jogabilidade. O nosso personagem move-se entre vários departamentos do castelo e à medida que acendemos as muitas tochas e lanternas, vamos “desbloqueando” essas divisões do mapa. No fim ficamos com uma bela figura de um labirinto que se assemelha a muitos RPGs agora nostálgicos. Com isso vem o facto de não haver grandes cutscenes nem mudanças no enquadramento. O plano da câmara mantém-se fixo. Apesar disso, as várias texturas e belos cenários só seriam possíveis com a tecnologia de hoje.

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Não se verifica o caso de muitos jogos indie que apresentam gráficos demasiado semelhantes aos da era 8-bit. Depois é simplesmente lindo e compensador ver todas as chamas do departamento acesas. O próprio som de quando acendemos as tochas dá-lhe aquele toque mágico. Por falar no som, existe voiceacting e este não é apenas um diálogo disperso aqui e ali. Todos os diálogos são acompanhados pela respectiva voz. Quer os personagens estejam chateados ou entusiasmados, tudo é perfeitamente notável pelo tom de voz. Não podiam ter feito um melhor trabalho neste aspecto, indo ao encontro das grandes produções.

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Unepic é um jogo para os amantes de RPGs. Para os amantes dos jogos clássicos. Para os amantes de uma boa aventura, com uma história interessante num mundo convidativo. Mas especialmente, Unepic é pensado nos mais geeks que sempre procuraram um jogo que os respeitasse e em que se notasse que os próprios produtores são também eles verdadeiros geeks. Este é um dos melhores jogos que podemos encontrar no eShop da Wii U neste momento.

Autor: Luis Teixeira Pesquise todos os artigos por

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